miguel lopes prosa e poesia deseja a todos os leitores deste blog:
sábado, 23 de dezembro de 2023
sábado, 25 de novembro de 2023
Para quem te quer
Para quem te quer bem
Sorri de contente …
Porque isso acontece muito raramente
Sorri de contente …
Nas voltas que a vida dá
Nunca sabemos
Quem nos quer bem,
Que sonhos vamos realizar …
Quem nos vai abandonar
Que portas se vão abrir
E que portas se vão fechar.
Mas …
Para quem te quer bem
Sorri de contente
Porque isso acontece muito raramente
Sorri de contente.
Se o cupido te enganou
E não foste feliz
Numa relação …
E o teu coração
Prefere agora estar só
Porque se habituou ao silêncio
E às pequenas rotinas
E assim quer estar … não fiques
A pensar no porquê das coisas
Porque assim nada resolves.
Para quem te quer bem
Sorri de contente
Porque isso acontece muito raramente
Sorri de contente …
Quando seguimos
Pela nossa estrada
Que escolhemos no meio de tantas
Possibilidades e ainda encontramos
Quem nos quer bem,
E se preocupa connosco …
Sorri de contente
Porque isso acontece muito raramente
Sorri de contente …
quarta-feira, 22 de novembro de 2023
Horizontes poéticos
Tu desces
E depois sobes como um pássaro
Rasgando horizontes a cada braçada …
E vais e voltas
E pensas em mudar tudo
E entras em caminhos que não sabes
Por aonde vão dar …
Talvez se conseguisses mudar algo na tua pessoa
Tudo seria diferente
Mas quando dás por ti …
Só lá estás tu e os sonhos do costume
Os mesmos de sempre a implorar por atenção
E tempo …
Se cada um é para o que nasce porque que no meu caso
Seria diferente …
Questões … questões … questões
Já não caiu nos alçapões do costume
Se me tentam placar … respiro fundo
E vou em frente e faço de conta que não vi …
E nado na minha piscina interior
E observo meu o Sol em todo o seu esplendor e depois
Almoço um repasto de letras, paragrafos e sons.
Quando se tem um propósito,
Na vida nada nem ninguém nos consegue deter
E tudo o que nos acontece de menos bom
É água que escorre para o poço aonde
Os poetas lavam o rosto ...
E preparam as asas para voar mais longe.
O mundo divide-se em dois tipos de pessoas
Os que construem novos mundos
E os que tentam destruir os sonhos alheios não tem de ser assim se cada uma gostasse do que faz …
O mundo seria muito diferente ... para melhor.
Vejo-me lá ao fundo como o mundo é redondo acabarei
Por me encontrar por enquanto vou rasgando horizontes
A cada braçada ... achando graça
Quando só existe silêncio e pensamentos
E uma escada invisivel mas tangivel para ver mais longe ...
segunda-feira, 23 de outubro de 2023
Decidiste
Decidiste entrar quando tudo
Pedia para saíres …
Por aquela porta estreita,
Que existe na tua alma
Não foste tu que escolheste a poesia
Foi a poesia que te escolheu a ti.
E agora admiras as flores que criaste
No teu jardim encantado
O significado …
Que lhes destes à muito foi reinventado
Por outros,
Porque quem lê procura nas palavras
As suas vivências …
O que fica então dos poemas que escrevemos?
Talvez o título e um pouco de respiração, sangue, suor e música
Que damos ao poema para que ele possa
Viver entre as pessoas …
E eles vão por ali fora e descem o rio
Querem alcançar o oceano
E nem esperam pelos ventos alísios
Querem ultrapassar o cabo bojador
Serpentear as ondas como se a vida
Fosse um bailado cheio de ritmo, risos, e pedras coloridas
Onde só fosse preciso agarrar
No nosso livre arbítrio, na nossa coragem, e no nosso brilho no olhar …
Para realizarmos todos os sonhos
Que temos por concretizar.
Sejam eles pequenos, médios ou grandes
O que interessa é que sejam nossos …
Por essa razão vais colocando poemas
Nas encostas que vais avistando
E dizes isto é meu …
Enquanto rabiscas palavras num papel.
O que para os outros são sons dissonantes
Para ti é música celestial que vais ouvindo
E traduzindo mas quem ouve
Reinventa e não sente o mesmo que tu
Talvez o encanto da poesia seja a capacidade
De sonharmos embalados pelos dizeres
Que alguém escreveu mas intuindo
Os nossos próprios sonhos, vaidades, impressões e vontades …
quinta-feira, 5 de outubro de 2023
A flutuar
Na vida queremos tudo
Em pouco tempo …
Cientes que sabemos o que queremos,
Fazemos acontecer o que predissemos.
E ficamos felizes … por um momento...
Sentimos uma satisfação interior
É algo que nos põe na lua
Bem dispostos, orgulhoso de nós mesmos.
Sentimo-nos a flutuar no espaço.
Depois vem o marasmo, o medo, a angústia
Porque temos de voltar
Ao nosso querer,
À nossa vontade …
Para saber o que fazer a seguir?
E perguntar-lhes para onde vamos?
E por vezes, este vazio …
É difícil de suportar ficamos ansiosos, perdidos, as vezes um pouco tristes …
Mas é neste céu por vezes, azul
Outras vezes, carregado de nuvens que o nosso
Destino carrega energias …
Sentir um vazio é de alguma maneira bom
Porque estamos a procura do nosso caminho
Tendo várias direções à disposição acabamos
Nem que seja por tentativa e erro
De saber para onde vamos.
O equilíbrio vem de sabermos o que queremos
Mas uma certa confusão mental
E angústia faz parte de nós porque uma coisa
É sabemos qual o nosso destino …
Outra coisa é perceber que para o conquistarmos
Temos de ir resolvendo todos os problemas
Que nos vão testando … preocupando, esgotando ...
Se aquilo que fazemos nos deixa felizes
Temos de ir conquistando as nossas metas
Aos poucos acreditando que vamos conseguir vencer
Mesmo que cometamos de vez enquanto alguns deslizes …
A nossa vida é como uma nuvem que se converte e desconverte às vezes, carregada de chuva, e por vezes leve como uma pluma …
Deixa - nos tranquilos enquanto apreciámos o quanto já conseguimos alcançar na nossa vida.
sábado, 30 de setembro de 2023
Em azul
Gosto de pensar em azul
Abrir janelas nas paredes,
Voar por cima dos meus montes
Para ver se eles ainda lá estão ...
Gosto de ter saudades de lugares
Onde nunca fui ...
De camas onde nunca poisei
O pensamento ...
De estrelas onde nunca olhei
O firmamento ...
De bocas que nunca beijei
E de corações que nunca toquei
Com o mais profundo toque da minha alma.
Ninguém tem culpa
Se por vezes quero pensar ...
E não consigo criar nada de consistente
É um lento vaguear ...
Por caminhos novos tão diferentes
Que é preciso tempo para assimilar
Tudo o que vemos e não vemos.
Ás vezes é mais o que não observamos
Que nos faz sonhar ...
Mas que toca em algo que amamos profundamente
Subimos mais um degrau na escada da vida
E ficamos a rir de nós mesmos, alegremente ...
À sentimentos e emoções que só um sonhador percebe.
O mundo é muito grande mas nos somos a nossa memória
Futuro, poesia e prosa,
Pelo menos para mim ...
Colho os poemas que plantei no meu jardim.
Por entre sombras
A minha caravela parece sem rumo
No mar?
Ausente de vontade …
Confusa, suportada por um marasmo doentio?
Talvez mas, por vezes, são tantas as tarefas
Que o que queremos produzir,
Fica emaranhado num horizonte de sombras
Que gritam porque também querem existir.
E ameaçam que são vão embora
Que nada voltará a ser o mesmo
O talento se não for exercitado esgota - se
Desvanece quer romper o contrato
Enroscasse no seu covil
E depois quem o tira de lá?
Desci pela encosta para ir ver …
O Sol a nascer, o mar a tremer, ainda meio a dormir
Sacudido pelas ondas, o horizonte azul num lento acordar …
Os raios do astro solar a aquecer com os seus raios
Rostos, pessoas, animais, flores, poetas,
E afins... tudo onde consegue tocar ...
Tudo isto inspirou - me a escrever estes poemas
Que pretendo dar ao mundo...
Mas tenho de subir a encosta
Longa e tortosa,
Ler livros de sapiência reconhecida
Conhecer novas terras, viver,
Socializar, partir, conversar ...
Sentar - me um pouco e do fundo do poço
Tirar papel e caneta e da minha poesia disfrutar ...
E depois das primeiras estrofes
Agarrar no meu ser e juntos,
Pelo vasto oceano do conhecimento e da criatividade
Navegar ... procurando terras férteis
Onde meus poemas possam dar ao mundo
Novas sementes que vão produzir
Alicerces para cada vez a humanidade possa ver mais longe
Talvez a solução para os nossos problemas
Esteja lá ao fundo no horizonte ...
É só uma questão de o irmos percorrendo com um olhar
Altruísta, filosófico, humanista...
sábado, 16 de setembro de 2023
Rochas na água
À rochas na água
Vindas do nada
À rochas …
Na água,
E tens das evitar
Com todo o cuidado
Se quiseres continuar
A tua vida em que a única
Coisa que pedes é que te deixem
Viver com regras iguais para todos.
No teu trono supremo das águas
Já meio gasto mas ainda sóbrio
E com a vontade maculada
Sobes a costa, sobes subindo
Suando frio, cansado e preocupado
Mas sobes a costa
Como uma ave perdida
À procura do seu ninho …
Mas sobes subindo …
Porque é que ninguém te disse
Que este teu fado era assim
Tão complicado …
À coisas que se subentendem
Outras que vão surgindo …
À medida que se vai vivendo.
Mas as promessas que te trouxeram
E te serviram à mesa
Pareciam um repasto digno de Reis
Sob uma toalha azul e branca.
Um candelabro de velas iluminava
O cenário como numa peça de Molière
Lá fora num pequeno jardim
Ouviram - se os passarinhos
E a verdura convidava
A soltar as amarras
Da caravela que urgia em partir
De velas engalanadas pronta a sulcar
Marés e correntes …tempestades e novos horizontes
E tudo parecia tão idílico
Como não aceitar este tesouro …
Mas a ambição tem um preço
Estava escrita em letras pequeninas
Não vi … não li fiz de conta que não eram
Para mim …
Mas por vezes do horizonte
Lá ao fundo …rasgasse o mar
E as paredes … e surgem algumas
Redes para te amparar,
Enquanto sugas tudo com o teu olhar.
E pode - se ganhar grandes coisas
No meio deste descobrir interior …
Nos recebemos o que damos …
Mesmo que não queiramos
Porque não arriscar de vez
Enquanto … ainda mando no meu destino.
Mas à rochas na água mesmo
A beira da praia …
De dentes afiados e algas
Escorregadias …
Veem - se bem do anoitecer à alvorada
Deixa te estar não te vás afogar
Arrisca só quanto baste …
Para alcançares os sonhos perdidos
Que chamam por ti no meio do caminho
Mas não convém dar mais do que tens,
Para oferecer … não cais no erro de te perderes …
À rochas na água …
Vindas do nada …
À rochas na água …
sexta-feira, 15 de setembro de 2023
A rasgar montes
Tu vens e vais
Escreves e opinas
O que fica da tua historia?
Talvez nada … talvez tudo …
Ninguém sabe …
Vens por aí a cima
E rasgas vales e montes
Numa aventura dos sentidos
Procuras os sonhos prometidos
Que percebeste que para ti
Faziam sentido …
Desde que não fiques soterrado
Pelas pedras que deslocas
Tudo bem …
Ninguém te pode segurar.
E olhas as luzes da estrada
Que não te dizem nada mas dizem tudo
Como se o futuro tivesse já ali
Na próxima curva …
Não conheces ninguém
Por aqueles caminhos
Por onde andas …
Mas vais na mesma.
E tudo é novo … e tudo é fresco …
Como a água da ribeira logo pela manhã …
O que te liga aos outros?
A mesma língua, o mesmo vento,
A mesma cultura,
As mesma estrelas que olham para nos do firmamento
À tanto tempo …
Que é quase loucura não querermos perceber
O que nos querem?
Porque iluminam a triste sina humana
A tanto tempo … seremos apenas
Um contratempo a viajar pelo espaço
Escuro e sombrio?
Ou existe mais qualquer coisa
Que desconhecemos que de sentido …
A isto tudo,
Será que nos olham com ternura
Ou desalento?
Tantas promessas por cumprir
Quando é que salvamos o mundo?
Tem de ser já …
Se cada um de nós fizer a sua parte
O mundo acordara um dia são e salvo
De todas as agruras que o vai desnudando
Do seu cariz protetor da humanidade.
Que não nos falte para atingir
Esse desiderato …
Amor, engenho e Arte.
sexta-feira, 25 de agosto de 2023
A fábula das flores e da donzela
No tempo em que as flores falavam
Uma donzela passeava pelo campo observava tudo em seu redor as árvores, as flores, a água que escorria de uma cascata, o céu azul as nuvens, um rebanho de ovelhas que pastava lá ao fundo no vale.
A donzela prestava sobretudo atenção as flores, sorrindo quando se apercebia da beleza das mesmas, fazendo tudo para evitar pisar as flores ou mesmo arranca - las para as levar para casa. O seu sorriso era doce e revelava uma pessoa de bons sentimentos.
A sua beleza e candura não passou despercebida as flores, que pupilavam um pouco por todo o lado, estas eram de tamanho pequeno, médio, e grande as cores variavam, havia amarelas, vermelhas, verdes, azuis, cor de laranja e lilases.
As flores começaram então a falar entre elas enquanto observavam a donzela.
<Quem é?>
<Uma donzela ou princesa.>
<Mas que veio para aqui fazer?>
<já pisou algumas das nossas irmãs.>
<Não está a ter cuidado.>
<Não digas disparates não as pisou por um triz.>
<É bonita?>
<Já vi choupos mais bonitos.>
<E está sempre a sorrir.>
<Pois está deve ser tonta.>
Uma flor mais velha da cor do limão ficou muito incomodada com os comentários depreciativos que ouviu e decidiu intervir.
<Mas que comentários são esses? Estão com inveja da donzela por esta ser tão bonita?>
<Inveja mas nós também somos muito bonitas.>
<Não me estou a referir a beleza exterior mas a beleza interior.>
<O quê? Que disseste?>
<Sim vocês ouviram a beleza exterior, todas a podemos adquirir ou ter mas a interior, depende da pessoa e dos seus bons sentimentos, existem seres que por serem boas pessoas desenvolvem um brilho interior muito grande porque são generosas, e gostam de ajudar o próximo é desse brilho que vocês tem inveja e isso é muito feio.>
<Nós não estás equivocada!>
<Não digam isso estive a ouvir os vossos comentários a donzela nunca vos fez mal porque é que a estavam a criticar?
<Porque sim porque … está se a armar aos cucos … quer fazer nos sombra é isso e …>
<Mas a donzela está só a passear e a cheirar as flores divertindo se com a beleza do vale. Não julguem sem conhecer, não tenham inveja do brilho interior das pessoa é má educação. Qualquer pessoa por mais bonita que for, por fora se não for bonita por dentro em contato com as outras pessoas vai se tornando feia já pensaram nisso? Não queiram ser assim.>
As flores resmungaram um pouco mas tiverem de aceitar que a beleza da donzela, e a sua candura era digna de registo e que era feio ter inveja do brilho interior de alguém, e prometeram doravante não julgar sem conhecer e apreciar os bons sentimentos das pessoas sem as criticar mas sim agradecer por ainda haver boas pessoas no mundo.
domingo, 13 de agosto de 2023
O despertar dos segredos
O vento sopra lá fora
A noite escapa entre o dedos
Os segredos despertam …
Tudo parece feito de papel.
Quem vive do passado
Fica deprimido
Quem pensa muito no futuro
Fica ansioso …
Por essa razão temos de viver para o dia a dia
Viver na cabeça é apenas vivermos
Da espuma dos dias … um desperdício imensurável
E quase tudo o que interessa passa-nos
Ao lado … e depois o que fazemos?
O reboliço do nosso ser torna - se
Quando despertamos para a vida
Num emaranhado de nós
Para onde vamos pensamos?
Temos de descobrir onde tem início
O nosso novelo existencial antes de entrarmos na nossa existência … propriamente dita …
E a partir dai construirmos a nossa
Essência desde a estrutura de base passando
Pelos contrafortes e pelo telhado
Onde podemos observar num dia claro
O que já conquistamos,
No horizonte …
Fica o monte que carrega tudo
O que já fizemos, dizemos, construímos
Convém sempre dar valor as nossas
Vitórias aquelas que são só …
Nossas … porque mais ninguém percebe
O esforço que tivemos de fazer para
As conseguir alcançar, agarrar, saborear
Porque para os outros tudo o que fazemos
Parece tão fácil …
Mas a couraça que se desenvolveu
Ao longo da nossa alma …
Está lá para suportar os golpes dos descrentes
Dos maldosos e dos maldizentes.
O nosso livre arbítrio.
Solta por nós um grito
Quando cruzamos uma meta
Que para os outros
Diziam ser morosa, inatingível, uma miragem
Vestida de sobranceria e glória
Mas que depois de conquistada por nós … afinal
Não era assim tão difícil
Mas os tombos,
As quedas, o desassossego estão cá registados
No nosso cerne …
Na vida tudo o que muito fácil raramente
E digno de ser conquistado.
Por essa razão pega no teu fardo
E não deixes nenhum dos teus montes
Por conquistar …
Quando estes tiveram todos conquistados
Vão dar uma bela vista a melhor
Que já contemplastes …
segunda-feira, 7 de agosto de 2023
Mantra invisível
O calor aperta
A noite espreita
Para onde vou ?…
Que aventuras esperam por mim
Do outro lado do monte?
Nem tudo é imprevisível
Da para ver a ponta do véu
O resto permanece nas sombras
Mas nós vamos que remédio
Ficar sempre no mesmo sitio?
Que canseira …
Que mundo tão estranho
Parece que não acontece nada
Mas quando menos esperamos não sabemos
Para onde vamos … com quem contar
O que dizer com quem falar …
Mas quem sabe o que quer
Mete as peças todas no sítio
Do xadrez invisível que é a vida …
Valendo - se da sua experiência
Que com o acumular dos anos já se tornou
Uma quase exata … ciência
E não falha …
Por essa razão permaneço confiante
Entro no meu ser porque uma nova aventura
Dos sentidos e emoções em catadupa tem de forçosamente recomeçar …
Mas falas que queres uma Vitoria
Por ano … ou duas …
Para depois colocares na galeria do teus troféus junto
Aquela velha espada que usas para derrotar os teus demónios invisíveis …
Mesmo que ninguém perceba nada …
Lá estão eles, os teus troféus, na montra invisível
Que tens na mente … não à necessidade de grandes anúncios … na verdade talvez seja melhor as nossas conquistas ficarem registadas
No nosso registo secreto onde guardamos os nossos segredos
Uma espécie de amor de verão
Que ficou perdido nos rochedos
Mas que ainda mexe com o nosso coração
E fez de nós uma pessoa melhor…
sexta-feira, 4 de agosto de 2023
Fábula do sapo e das pedras
No tempo em que os animais falavam
A muito tempo atrás num rio no norte de Portugal uma fada sentou - se em cima de um nenúfar e foi rio abaixo admirando às margens e a vida selvagem que por ali abundava. Parou numa das margens e recolheu algumas pequenas pedras e ao observar alguns sapos que por ali nadavam, achou piada e mandou algumas pedras para o rio tentando acertar nos sapos. Um dos sapos mais velho e mais sabido foi atingido na cabeça por uma das pedrinhas.
<oh mas quem és tu?Porque me estás a mandar pedras>
<Sou uma fada vim passear e mandei - te uma pequena pedra para brincar contigo não te zangues.>
<Ah que engraçado mandas uma pedra e achas engraçado? Magoaste - me sabias?>
<Oh desculpa não te queria magoar.>
<Devias tratar bem todos os ser vivos não sabes quando vais precisar deles>
<Ah?Achas que vou precisar de um sapo?>
<Nunca se sabe ninguém consegue adivinhar o futuro>
<Está bem obrigado pela informação>
A fada ainda era muito jovem vestia um lindo vestido branco e nas costas tinha uma belíssimas asas que lhe davam o poder de voar mas se tivessem molhadas eram inúteis. A fada continuo a mandar pedras aos sapos que lhe apareciam pelo caminho. Os sapos desviavam - se a tempo outros levavam com a pedra na cabeça ou no corpo e protestavam.
Entretanto o tempo mudou e a água do rio tornou - se mais agitada e começaram a aparecer pedras muito grandes no meio da água, o nenúfar foi contra uma pedra e a fada caiu no rio ficando muito aflita e como as asas estavam molhadas esta não conseguia voar.
<Socorro acudam!Socorro!>
<Queres ajuda>Exclamou o sapo mais velho.
<Sim por favor.>
<Primeiro mandas pedras e depois pedes ajuda?>
<Não fiz por mal estava a brincar.>
<Foste longe demais não me parece que te vá ajudar.>
<Mas se me ajudares transformo todos vocês em pessoas.>
<Tens poderes para isso?>
<Tenho!>
<Não sei!…>
<Socorro acudam!>
Os sapos conferenciaram entre eles durante algum tempo enquanto a fada lutava para não se afogar. Os sapo mais velhos não acreditaram na fada, mas os mais novos, decidiram dar uma oportunidade a fada para os transformar em homens, e por essa razão ajudaram aquele pequeno ser levando - a para a margem.
<Oh muito obrigado estava muito aflita.>
<Vais nos transformar já em homens certo?>
A fada passou as mãos nas asas ainda estavam um pouco molhadas.
<Bom ah… sabem o que é as minhas asas … quero dizer tenho de ir a casa buscar um pó mágico que tenho guardado num local secreto, para vos poder transformar em homens, por essa razão esperem por mim naquelas pedras que estão nas margens que depois quando vier a descer o rio mando - vos o po para cima e vai se dar a transformação. Está bem?>
<Está bem ficamos à espera>
<Enquanto esperam cantem para alegrar o vosso dia>
A fada lentamente deu as asas e aos poucos foi voando desaparecendo entre as árvores, os sapo mais novos foram então para cima das pedras das margens dos rios , cantando para se alegrarem, mas a fada nunca mais apareceu. Os sapos não desistiram e ainda nos nossos dias podemos observar os sapos nas margens dos rios à espera que a fada desça o rio com o tal po mágico e os transforme em homens.
Moral da historia nunca trates mal ninguém nunca se sabe se alguma vez irás precisar dessa pessoa.
sexta-feira, 14 de julho de 2023
Mudar
Nós somos o que pensamos
Se queremos mudar de vida
Temos de mudar …
O pensamento.
Mas tantos anos a ir numa direção
Ninguém muda assim do pé …
Para a mão.
E mudar para quê?
Para fugir?
Se não resolvermos os problemas
Eles vem atrás de nós …
Só se vão embora se os resolvermos
Depois aparecem outros a vida de um adulto
É desatar nós …
Construir uma castelo subir a ponte levadiça
E ficar a observar o que já construímos
E o que falta construir …
E depois mandamos vir mais sonhos
Da terra de Morfeu …
Porque eles são inesgotáveis
E dão nos a energia necessária
Para voar por cima das nossas dúvidas, angústias
E mal entendidos …
É bom sonhar …
E assim vamos andando
E assim vamos fazendo …
Construindo o nosso castelo
No meio do arvoredo …
Passaram por mim alguns sonhos não eram
Os meus deixei os ir sei que vão fazer alguém
Muito feliz …
domingo, 9 de julho de 2023
Quiz escrever
Quiz escrever umas quantas linhas
Ao amanhecer …
Dar tudo de mim
Para acontecer poesia
Num belo dia de verão mas
Uma alma vazia não tem
Muito para dizer … esta estação não é o tempo dos poetas.
O céu está todo azul mas falta as nuvens
Para criar desenhos … divertidos
Na abóbora celeste …
O vento convida - nos para irmos
Para a praia … pedimos que nos revele alguns segredos diz apenas que ficaram perdidos entre os rochedos …
Se a noite nos assusta o luar de verão convida - nos
A dançar aquela música que ouvimos quando
Nos conhecemos … o medo desvanece do nosso coração
Mesmo que seja apenas uma recordação
Uma pequena esperança ilumina mesmo
O local mais recôndito da nossa alma
E tudo brilha ao nosso redor … talvez um dia
Mudes de opinião sobre nós e me convides para almoçar … quem sabe …
As ondas do mar
Lá estão …
Sucedem - se umas as outras
São a respiração do mar já inspiraram muito poesia
Mas no verão não …
Convidam o aventureiro a deixar - se embalar
Pela sua espuma, água e sal
Mas cala a sua métrica poética
O seu poder de inspirar
Está muito calor para rimar …
Não temos nada para te dar dizem.
No verão só se está bem na praia entre toalhas,
Baratas fritas e sorvetes …
Os segredos que os deuses só revelam aos poetas
Quem os tem? Para onde foram?Porque não respondem?
Estão lá ao fundo atrás do término do mundo
Só resta então …
Esperar pelo tempo dos poetas
O outono/inverno …
Por enquanto navegar é preciso
Escrever não é preciso …
terça-feira, 4 de julho de 2023
Metamorfose binária
Às vezes é preciso parar
Para assentar ideias …
É necessário escrever para onde vamos no papel
Para assim não nos perdermos na imensidão de
Estímulos que recebemos diariamente…
Difícil contentarmo-nos com o que temos
Porque para evoluir temos de investir
Em nós e nos nossos sonhos
Senão pensamos que estes ficam parados
No tempo à espera que os façamos
Sair da nossa cabeça para se materializarem
No tempo e espaço para que pelo menos uma vez
Os possamos ver e tocar …
E nesse momento não sabemos
Se estamos acordados ou a sonhar
Este momentos são raros
E duram pouco …
Se vale a pena pensarmos nestes de vez enquanto?
Sim porque recordar também é viver …
Mas não é preciso estar sempre a pensar nisso.
Somos feitos para o futuro
Viajamos numa cápsula do tempo
Quando espreitamos pela janela
Só vemos aquilo que queremos
O que está lá e o que não está
Cada pessoa vê o mundo de uma maneira
Diferente …
Se cada um de nós pudesse fazer um filme sobre
A sua vida veríamos um argumento completamente diferente de pessoa para pessoa
Porque cada ser humano tem uma historia para contar
A sua historia de vida …
Mas também não podemos viver na cabeça constantemente
Temos de por rédeas na imaginação
E procurar os amigos (as) a família o lazer
Para descansar … para perceber
Que estar com os outros
Ainda é a melhor maneira de descobrir quem somos
E aos poucos ir nos transformando
Numa melhor pessoa …
Se não conseguimos sair de nós mesmo
Não estamos a evoluir … estamos estagnados
Nada pior do que deixar o mundo acontecer à
Nossa frente e nunca lhe tocar verdadeiramente com a nossa maneira de estar e de ser …
quinta-feira, 29 de junho de 2023
Pássaros azuis
E assim vamos andando
E assim vamos fazendo como se fossemos
Pássaros azuis a construir um ninho
No meio do arvoredo.
Se vivermos um dia de cada vez
Conseguimos ouvir as nossas palavras
No horizonte ... engalanadas e embelezadas
Pelos nossos sonhos,
Que cantam melodias que prometem
Bom tempo e dias melhores
Que estes … que se vão sucedendo uns atras dos outros...
A natureza ensina-nos que a beleza das coisas
Está na sua simplicidade
Sabemos bem qual a resposta para o que almejamos
"Faz que Deus te ajudará"
"O que não tem remédio remediado está"
"A voz de Deus é a voz do povo"
E encantados da vida
Colocamos a nossa vontade como primeira prerrogativa
Do nosso cerne
E lá vamos ao leme
Das nossas vontades …
Bem no centro
Da trave mestra que segura
O nosso modus vivendi
E vamos por ai fora …
Mostramos parte do que somos
Mesmo que quisesses mostrar
Toda a nossa personalidade ... não conseguimos
Somos um ser em construção … com …
Alma vísceras e coração …
Na nossa azafama diária temos de deixar
Sair o que respiramos
Colocando ... travões na ansiedade
E nos pensamentos menos positivos,
Buscando soluções para os problemas
Que nos desafiam para depois serem por nós conquistados,
Apaziguados, solucionados,
A seguir vamos para ao pé do mar
E o que vemos? Areia fina
Ondas, o céu azul … pessoas despidas
Dos seus problemas … divertindo - se
Crianças vestidas de inocência
Espalham alegria com as suas gargalhadas …
E uma paz interior invade os nossos sentidos
Esta incentiva - nos a sentarmo-nos ao Sol
E respirar fundo …
Enquanto o nosso planeta vagueia imperturbável
Pelo espaço profundo ... como é que ele sabe
Para onde vai? Não sabemos …
À dilemas que não têm explicação
Na nossa vida e nós confins do Universo … logo …
Porque não nos sentamos a ouvir o som das ondas
E a observar o horizonte?
A beleza das coisas simples
É a que mais fascina a nossa mente …
Carregamos baterias sorrimos
E seguimos em frente …
sexta-feira, 23 de junho de 2023
Assim o fiz
Quis o destino
Assim o fiz ... calcorreei o espaço
Apanhei a boleia do tempo ...
Li os versos que outros escreveram
Sentei - me a tentar compreender a dialéctica
Que de vez enquanto me envolve o cérebro,
E sentado no trono supremo dos sonhos
Descobri sensações por mim nunca navegadas …
E num horizonte que muda constantemente
E num chão escorregadio, nebuloso e enganador
Salva - se neste mundo a beleza do campo, a Arte e o amor.
Vi rebanhos a subir o monte
De mão estendida para mim
Queriam levar - me
Agradeci ...
Mas não fui com eles,
Aguentei firme esperando descobrir o meu vale
Encantando, no meio das urzes, do arvoredo e dos canaviais
Aquele que me faz feliz ...
E que para mim foi criado.
Quando o descobri
Entrei nele e fiquei contente.
Foi difícil passei muitas noites a estudar
E dias e dias a fazer testes
Neste momento agradeço a todos os meus mestres
Se tenho alguma coisa é graças a eles...
O futuro não o consigo ler
Crio espectativas e depois
O que for será ...
Mas o responsável por tudo o que me acontece
Tenho de admitir que é a minha pessoa
Nascido e criado na grande lisboa.
Que só de pensar nela sinto - me lisonjeado
Por ter nascido numa terra com tamanha história, fado e glória.
Vi isso tudo da janela dos meus pensamentos
Porque nela já não vivo …
À algum tempo …
Se queremos que a nossa sorte mude
Temos de ser nós a faze - lo.
Admito que essa premissa é verdadeira
Sentado na praia da areia fina
Estendo o corpo no areal,
Oiço a música dos búzios
Que o mar profundo esconde
E que alegra o coração ao ouvir o som
Da profundidade antiga …
Misturados com o conhecimento
Que vou adquirindo no dia a dia.
Sorte daqueles que descobrindo - se depois de muito procurar, esgravatar, esquadrinhar
Procuram nos dias a tranquilidade das noites
E a sabedoria que existe nas entrelinhas
Das coisas que nos vão acontecendo
Misturadas com o que vamos lendo e vendo
Por esse mundo fora ...
Assim o fiz ...
segunda-feira, 19 de junho de 2023
Ciclos
O tempo está presente no nosso quotidiano
Não o sentimos mas está …
As ondas também tem o seu ritmo, o seu som
Mas nem sempre as vemos … mas existem talvez sejam a respiração do mar quem sabe…
Numa mudança de ciclo para onde vamos?
Não sabemos à uma expectativa positiva
Que vamos ficar melhores …
Que vamos esquecer as conquistas vás
E acordar num mar de felicidade … onde o mar quebra
E separa o Yen do Yan …
O bem do mal …
O negativo do positivo.
Mas qual o nosso destino não sabemos
Enquanto passeamos pela vida temos de estar sempre
De mala na mão … nunca sabemos para onde vamos …
À determinados momentos insondáveis
Que escondem qual a direção para onde
O nosso futuro se dirige …
Apertamos os cintos e deixamos nos ir
Reconhecendo nas pequenas coisas
Resquícios daquilo que somos …
Nas viagens que fazemos
Reconhecemos sempre um deja vous
Em qualquer parte mas o que vemos são
As nossas vivências projetadas
No tempo e no espaço …
Mesmo em locais onde nunca estivemos
É o nosso poder da adaptação
A querer deixar nos confortáveis
Mesmo numa grande mudança à algo que nunca se altera
O que somos … esse ser permanece sempre.
domingo, 11 de junho de 2023
Momentos
Olá a todos os leitores do meu blog, neste momento a minha atividade nesta plataforma, é nula como já devem ter percebido, porque a minha atividade profissional de docente neste momento é muito intensa e não tenho cabeça para escrever, para semana já vai haver novidades.
Um abraço a todos (as)
Miguel Lopes
segunda-feira, 22 de maio de 2023
Gostava
sexta-feira, 12 de maio de 2023
Deambulações primaveris
Ne Jupiter quidem omnibus placet
Sentado no velho monte observo - me
A percorrer os meus caminhos
Para conseguir "agadanhar" os meus objetivos
Na vida nada é linear
E nada é simples de alcançar ...
Por vezes é importante subir acima de nós
E tentar perceber quem somos, para onde vamos
E quem queremos ao nosso lado ...
Se admiras uma pessoa pelas suas qualidades
É respeito ...
Se sentes atração física por alguém
É desejo ...
Se te apaixonas por uma pessoa sem saber porquê
É amor ...
Não posso agradar a todos, ou como diziam
Os romanos "Ne jupiter quidem omnibus placet",
Mas tenho de gostar de mim
Porque não se pode viver com alguém que não se goste.
Nos somos os nossos pensamentos
Que se transformaram em ações,
E que depois deram lugar a hábitos
E pelo meio aparecerem alguns vícios
Indispensáveis a quem quer preservar
A sua sanidade mental. (desde que estes não nos destruam)
O que haverá por cima dos nossos pensamentos?
Na minha opinião
Depende da fase da vida onde estamos
Um adolescente vai estar por cima dos seus pensamentos
Quando for um adulto
Porque já tem mais conhecimento
Do que tinha ...
E já aprendeu a comportar - se de uma melhor
Forma em sociedade e já sabe que os seus atos tem consequências.
Por essa razão a maturidade é que nos trás a sabedoria
Necessária para vencer na vida,
E conseguimos assim ficar por cima dos nossos pensamentos
Em relação a uma fase da vida anterior à que tínhamos.
Para se perceber uma pessoa
Por vezes temos de nos colocarmos no lugar desse ser humano
Perceber quais as suas vivências
E qual a razão dos seus temores, revolta, desespero
De uma forma geral a agressividade revela medo, angústia
Incerteza quanto ao futuro ...
Mas não podemos esquecer que tudo se resolve
Haja coragem, dinheiro e paciência ..
A vida é simples o ser humano
É que é complicado.
No in solo panne vivit homo
O homem não vive só do pão
Que come.
Precisa de alimento para a alma
Porque o homem não é só corpo
Também é mente ...
Por essa razão à que alimentar os dois
Que no fundo são um só.
Para se viver em equilíbrio,
Só precisamos como diziam os gregos
De ter uma mente sã em corpo são.
Mas à uma terceira entidade
Que nos incutiram na alma
Que liga tudo e que vem da nossa infância
E que liga perfeitamente as coisas se tivermos
A sorte de descobrir num emaranhado de pessoas
O nosso bem querer.
Amor vincit omnia
Queria agarrar o teu sorriso
E transforma - lo numa rosa
E oferecer - te o que tenho de melhor
Para te conquistar.
Lado a lado ...
Passávamos por todos os contratempos
E encontroes que a vida nos dava
E num bater de asas
Alcançávamos um estado de felicidade
Que só os enamorados conseguem perceber
O mundo parava para nos ver ...
Enquanto subíamos a montanha sagrada
Das nossas convicções,
Soltando os medos pelos nossos dedos
Revelámos os nossos segredos
Que tinham ficado perdidos algures
Nos rochedos que habitam na nossa mente
E a nossa alma sorria de contente
Porque o nosso adamastor
Ficou aquém das suas intenções
E colocando o seu bastão de lado
Num dia macilento e enevoado
Permitiu que passássemos sem macula,
Talvez por estar já cansado,
Por um caminho estreito que existe mas que nem todos encontram
Mas que permite a dois seres
Realizar os seus desejos e anseios
Que aos poucos vamos
Conseguindo decifrar.
Sapientia et potentia
É o caminho para uma vida
Cheia de experiencias enriquecedoras
Colocar o pensamento em ação
É a melhor recompensa que podemos
Ter depois de alguns anos a aprender uma profissão
Numa faculdade ou de uma forma autodidata
É poder fazer o que gostamos
E devemos ... mas como dizem o americanos
" If you are not making money you are not making sense".
Temos de prosperar e de nos adaptar ao mundo não é o mundo que tem de se adaptar a nós.
E por ai vamos como pássaros
Na escuridão morosamente, lentamente, sem pressa ...
Procurando nos dias a calma e a serenidade das noites
E o calor humano dos amantes.
terça-feira, 2 de maio de 2023
Viagem dos sentidos
Beijei o teu ser
Mesmo sem tu saberes
A tua alma pareceu sorrir
Mesmo que ao de leve.
E agora voaste para fora
Do meu tempo …
Fico a ver o teu entusiasmo
Enquanto recomeças longe de mim …
À coisas que ver não custa
Mas os nossos desencontros
Descem connosco ao poço das nossas lamentações.
Mesmo que não queiramos estão lá
Descemos um pouco, sentimos um pouco
Entristecemos um pouco …
Mas não nos podemos deixar enlouquecer pela loucura
Dos sentidos … desde que percebamos qual o nosso valor … permanecemos no nosso posto …
Porque já é tarde para mudanças radicais
O comboio já partiu a muito tempo não podemos sair
Em locais que já não são os nossos …
Sentindo no rosto uma suave aragem
Ficamos pois a admirar a nossa viajem …
Que aos nossos olhos é tudo e tem tudo
O que precisamos para sermos felizes.
quinta-feira, 27 de abril de 2023
És
És um criativo que de vez enquanto
Se solta …
Que se afasta durante algum tempo
Da sua missão …
Mas depois volta para continuar a sua obra.
O mínimo que o destino cobra
Para se ser um criativo
Um poeta lírico, épico ou mesmo um poeta filósofo
É ficar preso aos seus ditames.
A cadência da poesia fica na nossa cabeça
Nos nossos nervos, ossos, células …
E depois quem a tira de lá?
Neste território quase hostil
Que é o mundo …
À que sobreviver
É um dia de cada vez
Quando pensamos que temos tudo controlado
E deslizamos num mar de senhoras
Por entre a candura das águas
Das algas, e dos nossos sonhos
Lá aparece o elefante na sala …
Depois do assombro de o vermos aparecer
E de algum desconforto à que o dizer …
Temos de o retirar gentilmente
Da nossa frente com a delicadeza cirúrgica
De quem sabe que todos os problemas
Tem solução …
O que temos de fazer para
Não adormecer o nosso âmago, a nossa vontade
A nossa razon d’ étre …
É definir objetivos
E depois persegui-los sem fazer alarde
Dos mesmos …
Para que tudo se alinhe
Em nosso benefício
As estrelas, os astros, o nosso destino …
E quando as nuvens dispersarem
Vão dar lugar ao verdadeiro céu …
As sombras darão lugar à luz
E todos os nossos receios, medos, tormentos já vencidos,
Pela nossa determinação
Não serão mais que uma mera recordação
Que se desvanece ao longo do tempo perdendo - se
No labirinto dos nossos dias … noites …
Tardes e manhãs …
sábado, 22 de abril de 2023
O pássaro e as asas
O pássaro e as asas
Às vezes apetece - me escrever
Prosa e poesia ...
Palavras,
Que gravitam em mim ...
E que estão sempre a querer florir
Nos canteiros do meu jardim
Onde as planto ...
Para quem as quiser ver e admirar.
O quem dizem os meus versos?
Metade do que quero dizer ...
A outra metade são as vivências
De quem lê a minha poesia que subentende
O que pensa que a minha prosápia quer dizer.
A poesia é escrita por duas pessoas
Quem a escreve e quem a lê
Mas o seu significado nunca está completo
Porque as palavras fazem eco em cada pessoa
De uma maneira diferente ... de acordo com as suas vivências
Conhecimentos, experiências ...
Mas as palavras são sempre as mesmas ...
O significado vai - se moldando
A cada pessoa que lê o que escrevo.
O poeta é o pássaro
O leitor é as asas que dá significado
À poesia ... revendo-se nas palavras escritas
Inventando significados e palavras não escritas
E subentendo a mensagem à sua maneira.
P.S - por essa razão os poetas não devem explicar o que querem dizer, a poesia vive de infinitos significados que ficam à imaginação de cada um.
terça-feira, 11 de abril de 2023
Pensar diferente
A noite escura e longa
Beija a Primavera ao acordar
E deixa entrar a luz
E as flores.
Por cima dos meus pensamentos vou
Para onde? Não sei
A vida por vezes
Gosta de esconder
O destino ...
Para nos surpreender.
À quem nasça fora de tempo
Talvez para estar à frente deste
Ousa pensar diferente …
Porquê? Porque é impossível
Ter sido já tudo dito,
É como alguém querer
Condensar todos os seus ais
Num só grito ...
À quem tenha o escrito
Na lapela,
quinta-feira, 6 de abril de 2023
Sabedoria de antanho
Seguimos por onde nos convém
Pela nossa estrada fora …
Sabemos qual é a montanha que temos de conquistar
Se nos enganamos voltamos a descer e escolhemos outra.
É raro mas acontece … a vida não tem manual de instruções.
Nascemos num local
Que não conhecemos …
Procuramos depois sensações
Que reconhecemos como nossas
E assim vamos vivendo
Comendo dias … bebendo noites.
Esperando o melhor da vida em cada fôlego
Ninguém pode dizer que escolheu alguma coisa
Por mim … enquanto escolhia a minha Raison d´etrê
Colhia poemas no meu jardim.
Não o dos pombos
Mas o dos gregos da vetusta Grécia
Que me revelaram segredos
Da sua sabedoria ...
Enquanto os romanos de antanho pediram - me
Para viver para o dia a dia.
E assim fiz …
Se não queres ser infeliz
Não ponhas o tubarão na água (Não persigas sonhos impossíveis)
Onde te costumas banhar para não esmoreceres
Porque este é rápido e certeiro
E não perdoa devaneios ... falhar nunca é bom!
Mas aprende - se sempre com os erros.
E voltas a tentar …
Não coloques a tua essência
Na prateleira …
Só existe uma maneira de viver a vida
Conhecer quem somos,
Estar sempre a aprender
Não ter medo de enfrentar adversidades …
E nunca julgar ninguém sem conhecer a pessoa …
Vestir os nossos sonhos de realidade
Independente do trabalho que dá e da nossa idade
Nunca é tarde para os concretizarmos …
E lá vamos nós por esse fio condutor acima
Que não se vê …
E não se consegue detetar
Mas está lá …
Qual GPS mental que nos orienta
Se não fosse assim para onde íamos?
Cada um de nós vai
Escrevendo a sua historia
Aos poucos … dia a dia …de Sol a Sol
No meio da tristeza e da alegria...
Somos um livro por completar
Cheios de páginas em branco com parágrafos
Por decifrar …
Hipérboles, redundâncias, e figuras de estilo
Por criar …
Frases, palavras e contextos por delinear.
Não sabermos exatamente o que vai acontecer
Talvez seja esse o encanto
De procurarmos nos sonhos
Uma maneira de preenchermos
As páginas da nossa vida que ainda não escrevemos
Mas que consideramos serem
As que mais se assemelham à vida
Que escolhemos para nós.
terça-feira, 28 de março de 2023
Em tempos
Porque que é perseguimos
As nossas memórias …
Se o que vivemos em tempos
E nós fez felizes já não está lá?
Como pássaros na escuridão
Procuramos recordações felizes
Mas já não estão lá …
Para onde foram? Quem as tem?
Talvez o futuro seja
Procurarmos momentos que nos fizeram
Felizes mas que já não estão lá mais …
Experiências novas e assim vivemos o nosso há de vir.
Não andamos completamente à deriva
Talvez esse processo seja a nossa bússola
O que nos fez suspirar na infância, na adolescência
É o nosso enquadramento de vivências talvez por essa razão …
Se diga que nos não mudamos tanto assim com a idade.
domingo, 26 de março de 2023
Para a frente
Às vezes apetecia - me mudar tudo
Na minha vida.
Tudo … tudo … tudo …
Só ficava o céu, o mar, o vento …
O cheiro das flores
As árvores … e os animais …
E um novo recomeço.
Em que nada me acontecia sem o meu consentimento.
Controlo total sobre todos os elementos
Espaço, tempo, futuro e presente …
E se alguma coisa menos boa
Me acontecesse era o delete completo
Não me ficava a azucrinar
De tempos a tempos …
Os nossos traumas são
A nossa cruz,
Ferida com pus que não
Nos larga …nem fecha ... tem de haver uma maneira
De isto se desvanecer de nós …
O meu reino
E todo o meu suor, sangue e labor
Por um pouco de paz
Interior …
Vou bloquear isto tudo
Não vejo outra solução
E quando algo menos bom me acontecer
É enfrentar logo.
Por vezes o monstro
Que nos colocaram no meio da estrada,
Outros somos nós que colocamos ...
Sai facilmente da nossa mente
Se o enfrentarmos
E não tivermos medo dele
De outra maneira parece que este
Vai crescendo com o tempo
Os seus dentes vão ficando
Cada vez mais salientes
Os seus olhos cada vez mais vermelhos
E nós vamos mirrando … impotentes …
Porque não lhe fizemos frente.
E a nossa estrada fica bloqueada
E depois para onde vamos?
Mas existem algumas coisas que depois
De muitos anos já não mudam …
Já são parte da nossa carne, alma e sangue
E dão sentido à nossa vida.
Já estão lock in na nossa mente.
Fui raptado pela poesia numa bela tarde
Primaveril de muito Sol e pouco vento… e agora
Só mesmo para a frente.
Já não sei se devo sonhar
Ou deixar as coisas acontecer
É um equilíbrio terrível
Uma incerteza complexa
Que nos consome …
Mas o nosso destino está nas nossas mãos
Qual pequeno objeto
Que o moleiro molda na sua mó
E depois sorri ao olhar
Para a sua obra ...
Porque considera que fez algo irrepetível e diferente
E a sua alma no pequeno quarto onde
Vive fica feliz e contente.
quarta-feira, 15 de março de 2023
Reconheço
Reconheço que andava
Mas não sabia
Para onde ...
Nem porquê?
Soltei o verbo
Apoiado no conhecimento,
Quis colocar o melhor de mim
Nos poemas que plantei no meu jardim
Numa tarde soalheira,
Com o vento a tocar - me a alma e no meu ser...
O que sentia, ... ousei escrever ...
Mas para ser fiel aos meus dizeres
E aos meus objetivos
Que voltas que tive de dar...
Mandamos o nosso querer para a terra
Por nós semeada,
Depois ficamos à espera da colheita
Mas porque que é sempre tudo tão demorado?
Ficamos doentes só de pensar nisso ...
Mas como é que não pensamos no que mais gostamos?
Se semearmos
Colhemos,
Se pensarmos estamos vivos
E se formos determinados fazemos
Os nossos sonhos acontecer ...
E onde não havia nada
A não ser terra árida, um poço de lamentos
Ventos a favor e contrários
Querer, vontade e ambição,
Começamos a ver aparecer
Os nosso desejos ...
Materializados em algo tão concreto
Que já lhe conseguimos tocar
E que já ninguém nos pode tirar.
Pensamento em ação
Os gregos adoravam essa conjugação
E produziram grande sábios,
E começamos a ver o que foi por nós semeado
Que quase que lhe podemos tocar com os lábios ...
E sentimos a alma a sorrir
Porque percebemos que foi tudo devido
À nossa vontade ...
Considero que é essa rasion d´etre plasmada
No tempo e no espaço ...
A que chamamos felicidade.
sexta-feira, 10 de março de 2023
Caminhos
Coloquei o pé no meu caminho
O tigre comeu a sopa
O leão lambeu a pata
A aranha picou o homem
Mas o caminho continua o mesmo.
No Tibete o tigre percorre os mesmos caminhos
Todos os dias ...
Será que consegue apreciar a paisagem?
A vida não é só trabalhar ...
Coloquei o pé no meu caminho
O tigre comeu a sopa
O leão lambeu a pata
A aranha picou o homem
Mas caminho continua o mesmo ...
Sobes a escada
Por mais ingreme que seja
O vento frio
A chuva gelada,
As pedras que caem
Ao teu lado e mesmo que te atinjam
Para ti não representam nada
Porque os teu objetivos já estão lock on.
Coloquei o pé no meu caminho
O tigre comeu a sopa
O leão lambeu a pata
A aranha picou o homem
Mas o caminho continua o mesmo ...
No Havai o tubarão pagou
Cara a derrota ...
Tentou abocanhar um surfista
E ficou preso na rede do pescador
A sorte também faz parte do processo ...
Que a boa - aventurança esteja contigo.
Coloquei o pé no meu caminho
O tigre comeu a sopa
O leão lambeu a pata
A aranha picou o homem
Mas o caminho continua o mesmo
Vi a beleza das coisas
Algures no infinito
Tem a beleza de um grito
Dado por uma mulher a parir
Algum tempo depois a criança sorriu
A mãe comoveu - se e beijo - a.
Coloquei o pé no meu caminho
O tigre comeu a sopa
O leão lambeu a pata
A aranha picou o homem
Mas caminho continua o mesmo ...
Num templo budista
O monge reza
O galo levantou a crista
Para o seu harém
Ficaram pasmados ao vê lo desfilar
Enquanto procurava o seu par entre as flores
E foi assim que descobriu o amor.
Coloquei o pé no meu caminho
O tigre comeu a sopa
O leão lambeu a pata
A aranha picou o homem
Mas caminho continua o mesmo ...
O por do Sol africano
É diferente do português
O que muda a inclinação da terra
Por vezes só é preciso um pequeno pormenor
Para podermos apreciar a imensidão das coisas.
Coloquei o pé no meu caminho
O tigre comeu a sopa
O leão lambeu a pata
A aranha picou o homem
Mas caminho continua o mesmo ....
quarta-feira, 8 de março de 2023
Liberté
O que é a liberdade?
O que te faz saltar da cama
Aquilo que te faz sonhar
E te deixa fascinado ...
E que te permite viver disso mesmo.
No fundo são as escolhas
Que fazemos ... que nos permitem ser livres.
Olhamos ao nosso redor
E perguntamos quem somos?
O que sou ou não sou?
Para onde vou?
Aonde estou na vida?
Tem a haver com as escolhas que fazemos
E pelas agruras e bons momentos que passámos
Podemos sempre bloquear as coisas menos boas
Porque o erro
Faz nos crescer mas ...
Não podemos cometer os mesmos erros.
Ou entramos num grande lamaçal ...
E sentimo-nos pequeninos e ridículos.
O responsável pela situação
Em que estamos boa ou má somos nós
Porque nós somos o fruto
Das escolhas que fizemos ao longo da nossa vida.
Se não estamos satisfeitos podemos sempre mudar.
Tudo muda nada é estático ...
Num mundo muito competitivo
E com muitas distrações ...
Temos de manter o foco
Nas nossa escolhas,
Dormir bem,
Comer ainda melhor
Ler um bom livro
Fazer exercício
Socializar ...
Ser positivo.
Perceber onde está a beleza das coisas
Que nos fazem sonhar
E ir por ai como um pássaro ...
Que sabe que tem de voar
Mas também sabe onde vai poisar.
Viver honestamente
E não prejudicar ninguém
Fazer o bem
E não olhar a quem ...
sábado, 4 de março de 2023
Pièce d´ rèsistence
Ai se pudesse
Adivinhar o que te vai na alma
Subia para cima de uma nuvem
Num dia de céu azul e puxava - te ...
E tu não resistias ...
E no meio de uma floresta encantada à beira de um lago
Dançávamos uma valsa de Chopin ate de madrugada.
Nada nos abalava
Nem o custo de vida
Muito menos a renda avultada
Nem a gasolina cujo o preço
De vez enquanto dispara.
O teu sorriso alimentava - me
A tua juventude ...
Dava - me asas para sonhar
Porque a vida por vezes tanto poderá ser uma balada triste
Como uma música cheia de ritmo e de cor
A fazer lembrar um allegro de um concerto
Para piano de Wolfgang Amadeus Mozart.
Sim porque a vida não é só dor
De vez enquanto à dor na vida
O que é diferente ...
Fomos feitos para durar
Muito tempo ...
E se nos multiplicarmos
Nunca morremos
Haverá sempre algo de nós
Nas gerações futuras.
E a humanidade
Vai - se desenvolvendo
E o passarinho no ninho vai crescendo
E as penas vão nascendo
Nunca poderão ser maiores
Que o encantamento de estar vivo.
Um dia quer sair voando
Por cima do quebranto
E da melancolia
E daquela vozinha que dizia
Para estar quieto
Não! O palco é dele!
Mas não pode adejar antes do tempo
Porque para poder voar
Primeiro ...
É preciso saber
Onde vamos poisar.
Mas por outro lado
Não podemos ir sozinhos
O que seria de nós
Se estivéssemos
Sempre sós?
É para seguirmos juntos
Porque ninguém vence eremítico
E porque a vida é complicada
E todos precisamos de obstáculos
Para ultrapassar
Faz nos sentir vivos,
E de alguma maneira
É a nossa recompensa
Por não termos desistido
Da nossa pièce d´ résistance.
quinta-feira, 2 de março de 2023
Aforismos V
Eis o homem
Um homem só consegue alcançar um grande objetivo
Se permanecer fiel a si próprio.
E se mantiver em segredo
Os seus planos.
O homem e os seus desígnios
Na contemporaneidade
Põe a tua vontade
No centro da tua ambição
E empurra o teu elefante
Pelas escadas acima.
Mas tem cuidado com aquilo que desejas
Quanto mais desejares mais peso
Terá o teu elefante...
É um dia perdido
Sempre que não vamos
Pelo menos ...
Uma vez à rua.
Escolhe para tua esposa
Alguém que seja mais evoluído
Do que tu
E assim te tornarás
Uma pessoa melhor.
Quando o homem ama uma mulher
Quer entrar em contacto com o seu lado feminino
E a mulher quando ama um homem
Quer entrar em contato com o seu lado masculino.
No convívio com pessoas mais evoluídas
Convém saber quem somos
Porque quem imita sem se conhecer
Será sempre uma pálida imagem
Do que poderia ter sido.
O conhecimento quando se revela
Deixa sempre espaço ao sonho
Porque não à fatos eternos
Nem verdade absolutas.
Para conseguirmos fazer algo
Evoluir temos de subir
Nos ombros de gigantes
A literatura universal tem o poder de nos elevar os sentidos
Por cima da mediocridade.
Convive com vencedores
Deixa a tua alma evoluir
E um dia serás
Como eles.
Se um dia conseguires
Perceber a beleza que existe nas coisas mais simples
Irás conseguir perceber
O mundo maravilhoso
Em que vives.
A humanidade orienta - se pelo bem
Que existe na maioria de nós ...
Por essa razão
Acredito no futuro.
domingo, 26 de fevereiro de 2023
O covil do poeta
Um laranjal, um poço
Uma casa no meio das árvores
Roupa estendida nas cordas
Uma casota de um cão.
Mas o poeta não está dentro desse edifício
Está mais acima
Noutra casa dissimulada
Entre as árvores, as penas e a auto recriação.
No meio das flores amarelo esverdeadas.
Chama - lhe o seu covil.
Poucos sabem que ele está lá
Poucos sabem que este existe
Mas consegue - se ver o poeta ...
Por uma fresta numa janela
Escreve rompendo o papel
Com a sua caneta.
Este prefere a cor azul à preta.
Só porque o azul é a cor dos poetas.
E lá estão no papel eletrónico à sua frente
As suas vivências, frustrações, ausências.
A sua vontade que se recusa a submeter - se a ditames
Que não os seus.
Ninguém consegue impedi - lo de sonhar
Porque é o seu alimento natural
E precisa tanto dele como do ar para respirar...
Uma pomba esvoaçou e poisou num poste
O céu azul continua belo
Uma criança lambuçou - se toda
Com um gelado de chocolate e caramelo
Mas está feliz.
O que haverá para lá do horizonte poético
Já conquistado por outros?
Outros horizontes,
À espera para serem decifrados.
Colocamos o pé na rua
Ouvem - se vozes, latidos de cães, pássaros aflitos
Ecoando no espaço com os seus gritos
Sorrisos das crianças,
Que nos dão esperança de dias melhores
Será que elas se riem para convencerem
Os pais que apesar de tudo vale a pena lutar
E que tudo vai ficar bem?
Ou só se riem porque são crianças...
Lá estamos nós na estrada a entrar para o carro
A ser observados, lidos, verificados
É bom não destoar dos outros
Mas o resto do tempo é nosso.
Entre muros,
Podemos errar
Escrever, decifrar o livro que estamos a ler e cantar
Levar algum tempo
Para acertar no que estamos a fazer
Rir, escutar, falar, o que realmente pensamos
Ver filmes cómicos, de aventuras, de ficção, ver séries e concursos
Que pena passarem tão rápido ...
Mas quando saímos para a rua
Lá estão os mesmo de sempre
A tentar perceber quem somos
Para onde vamos?
Se não destoarmos
Se calhar é melhor para todos
Não damos pistas para nos questionarem
Assim somos só mais um
Que passamos por ali
Rumo ao nosso trabalho.
Mas no nosso cantinho
Todo o tempo é nosso
É ai que vamos percebendo
Qual o nosso caminho
E construindo a nossa estrada
Onde passamos alegremente ...
De mão dada ou sós,
E uma armadura vai crescendo
E o nosso sorriso vai sorrindo
A cada conquista...
Forma - se um exoesqueleto
No nosso corpo, visível só para nós...
Que nos protege da mal discência
E interpretações erróneas de quem somos,
E de olhares interrogativos
Ninguém devia criticar alguém sem o conhecer.
E quando temos um contratempo
Que nos desmotiva,
Não significa que temos uma má existência
Tivemos só um mau dia.
Nunca podemos esquecer que depois
Da tempestade vem a bonança
E a nossa vida flui e avança.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023
O poema filósofo
Às vezes não sei de mim
Nem sempre mas de vez enquanto
Não sei de mim ...
Tenho de estar em algum lado mas onde?
Para a minha satisfação pessoal
Sei que é tudo uma questão mental
Que hei de ultrapassar com o tempo
Quando tento ser quem não sou
Ou ausentar - me de mim
Lá vem o muro entre a minha pessoa e o meu objetivo
E percebo esse não é o meu muro,
Não vou saltar um obstáculo que não me pertence
Ou talvez seja preguiça ou falta de motivação
Não ... não salto muros alheios.
E apercebo - me que não é por andarmos entre
Os pássaros, quando eles
Passeiam suavemente na areia
À procura de alimento
Saltitando entre as poças de água
Ao sabor do vento,
Que depois vamos voar com eles
Não funciona assim ... não me torno num pássaro
Por contacto entre mim e essa espécie ...
Cada um de nós escolhe o seu caminho
O tempo, os anos vão passando
Por labirintos que só nós conhecemos vamos calcorreando
Quando damos conta transformamos - nos
Em nós mesmos,
Qual armadura que ficou colada ao nosso corpo
E já não sai ...
E assim procurarmos ganhar as nossas batalhas.
Mesmo durante aquele frio invernal,
Quando só nos apetece ficar na cama.
E não pensar em nada
De muito substancial...
Mas existe qualquer coisa nas palavras
Que formam vários pensamentos que me atrai
Têm uma musica insondável
Um forte piano qualquer
Que faz lembrar aquela aragem matinal e campestre
Que nos sossega a alma e o corpo,
E nos transmite bem estar.
À determinadas variáveis que se mantem constantes
Na nossa vida ...
É a esses pontos de apoio que temos de agarrar.
São os nossos pontos cardeais
Que apontam o caminho por onde
Devemos ir …
Porque mesmo que lhes fechemos a porta
Durante algum tempo
Eles andam por ai não sei como mas andam
Sorriem, e se não lhes ligamos eles voltam
Voltam sempre ... felizmente...
Para quem lê poesia
Os poemas são um descobrir de novos sentidos
De questões complexas que procuram resposta
De figuras de estilo que embelezam as palavras
As ditas e as que nunca serão escritas
Procuramos então algo que nos diga respeito
Que nos encha a alma.
E nos preencha os dias...
Mas para o poeta é uma espécie de para raios
Onde os seus pensamentos
Amontoados e meio escondidos no seu cérebro
Procuram o seu lugar
Para viver e respirar
No meio dos verbos, palavras, e frases ...
Preenchendo o espaço onde só havia promessas
De um poema adiado.
domingo, 12 de fevereiro de 2023
Poesia abstrata
Um carro resvala no monte
O boneco de neve cai
As palavras desfazem - se no papel
Porque não à nada significativo
Que as sustente …
Lá ao fundo mas cada vez mais
Intensamente … umas botas da tropa
Marcham para trás … para o lado
E lá acabam por ir para a frente.
O carro,
O boneco de neve,
As palavras desfazem - se no papel …
Porque não à nada significativo
Que as sustente …
Procuram um caminho
Para darem as mãos e formar um sentido convincente
Mas vão desistindo
Lentamente …
As botas da tropa
Ouvem - se cada vez mais intensamente
Andam para o lado
Para trás e lá acabam por ir
Em frente …
A boca fechou o tigre
Num palácio de mármore
Este fugiu e deixou as suas riscas pretas
E as suas pegadas na areia
Quem nasce deixa sempre a sua impressão
No tempo e no espaço.
Alguém pintou o luar com as riscas pretas
Ficou tudo escuro e em silencio
Só se ouvia um leve murmurar
Das árvores a dançarem com o vento
Numa valsa a três tempos,
Enquanto os lobos uivavam
Numa infrutífera sinfonia
De lamentos …
Benditos os que abandonam tudo
Num breve momento de ternura
Mas depois regressam
Num momento turbulento de loucura.
As riscas pretas perguntaram pelo tigre
Mas o animal a pouco metros
Sentou - se e ficou a observar
Um arrozal em forma de espiral,
As riscas abraçaram o tigre
Que reconheceu que só assim
Ficava completo.
Mas de vez enquanto metia - se na água
Para tentar despir as riscas
Mas sabia que tinha nascido com uma missão
Que não podia ignorar …
Quis regressar ao palácio
Estava fechado ... ficou - se então
Pelo condado das florestas, urzes e matagais …
P.S - É poesia abstrata está provado que quando a Arte não sabe por onde ir entra na forma abstrata. Por esgotamento da forma ou do conteúdo. ( segundo uma teoria que escrevi em tempos “ A teoria dos ciclos”).
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023
Diálogos ao estilo de Platão
Nas longínquas montanhas da Grécia dois homens reúnem - se para conversar. Um é mais novo na casa dos vinte o outro é de meia idade.
D - discípulo
M - mestre
I
O Princípio da incerteza evolutiva
D - Mestre Deus existe?
M - Porque perguntas?
D - Porque nunca o vi.
M - É uma pergunta complicada mas tenho todo o prazer em te responder.
D - Então diga.
M - Existe Deus sim um Deus cósmico que criou o universo e nos deu a vida. Deus está em todo o lado.
D - Mas onde está a prova que tal entidade existe?
M - Bom existem várias provas o homem tem a noção do bem do mal se não já não existia humanidade, por outro lado, existe uma determinada ordem em tudo. quer no planeta terra mas também no universo, senão era o caos total. Quando estás doente tomas medicamentos certo?
D - Claro…
M - E de onde vêem esses medicamentos?
D - Da farmácia.
M - Sim mas de onde se extrai princípio ativo?
D - Das plantas medicinais.
M - É isso mesmo … logo o homem é imperfeito tem doenças e houve uma intimidade que criou o homem com todas as suas doenças mas também criou as plantas medicinais para as curar, logo tem de haver um ser superior que criou o homem e as plantas medicinais que permite aos seres humanos ter uma vida longa.
D - Mas porque é que somos imperfeitos?
M - Para podermos evoluir … se fôssemos perfeitos não evoluíamos estávamos condenados à estagnação. Um tubarão virado ao contrário desmaia, é perfeito não mas se fôssemos todos perfeitos não havia evolução logo o homem não é perfeito nem os animais mas tende para a perfeição.
D - Mas aonde está a prova científica que não somos perfeito mas tendemos para a perfeição?
M - No princípio da incerteza de Heisenberg que diz que não se pode determinar com exatidão a rota das partículas físicas conhecidas por átomos, que são as partículas mais pequenas de que é constituída a matéria porquê? Porque essas partículas tem de ser maleáveis o suficiente para se poderem combinar com outras se assim não fosse se e não se pudessem combinar com outras não havia evolução. O que permite a evolução é a combinação entre várias organismo mas estes tem de ser maleáveis o suficiente para permitirem novas combinações.
D - Mas porque é que quando existem grandes catástrofes naturais Deus não intervém?
M - Na minha opinião porque Deus não é físico mas cósmico deu - nos todas as condições para termos uma vida longa. Um planeta com vastos recursos naturais um cérebro em constante evolução, as catástrofes naturais podem - se prever tem é que se apostar mais na ciência e estudar a melhor maneira de evitar essas mesmas catástrofes. No caso dos terramotos qual o sentido que faz construir prédios em zonas sísmicas sem perceber que a qualquer momento pode haver um sismo de grande intensidade?
D - Mas o que faz evoluir o nosso cérebro.
M - O conhecimento sem dúvida quanto mais lemos e pensamos mais o nosso cérebro evolui. Se queremos um dia colonizar o universo temos que viajar à velocidade da luz, não a podemos é ultrapassar segundo Einstein mas pelo menos podemos igualar, mas o nosso cérebro precisa evoluir muito mais para que um dia possamos cumprir o nosso destino que é colonizar outros planetas e manter viva a evolução das espécies.
D - Obrigado mestre.
M - Foi um prazer responder as tuas questões.
Tento
Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...
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Quando te reconheceres em alguém Faz tudo ao teu alcance para alcançares O teu elo perdido … Sem risco não existe felicidade Para am...
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