domingo, 26 de março de 2023

Para a frente

Às vezes apetecia - me mudar tudo 

Na minha vida.

Tudo … tudo … tudo …

Só ficava o céu,  o mar, o vento …

O cheiro das flores 

As árvores … e os animais …

E um novo recomeço.  

Em que nada me acontecia sem o meu consentimento.

Controlo total sobre todos os elementos 

Espaço, tempo, futuro e presente …  

E se alguma coisa menos boa 

Me acontecesse era o delete completo 

Não me ficava a azucrinar

De tempos a tempos …

    

Os nossos traumas são 

A nossa cruz, 

Ferida com pus que não 

Nos larga …nem fecha ... tem de haver uma maneira 

De isto se desvanecer de nós …

 

O meu reino 

E todo o meu suor, sangue e labor 

Por um pouco de paz 

Interior …

        

Vou bloquear isto tudo 

Não vejo outra solução  

E quando algo menos bom me acontecer

É enfrentar logo.


Por  vezes o monstro

Que nos colocaram no meio da estrada,

Outros somos nós que colocamos ...

Sai facilmente da nossa mente

Se o enfrentarmos 

E não tivermos medo dele

De outra maneira parece que este

Vai crescendo com o tempo 

Os seus dentes vão ficando 

Cada vez mais salientes 

Os seus olhos cada vez mais vermelhos 

E nós vamos mirrando … impotentes …       

Porque não lhe fizemos frente. 

E a nossa estrada fica bloqueada 

E depois para onde vamos?


Mas existem algumas coisas que depois  

De muitos anos já não mudam …

Já são parte da nossa carne, alma e sangue 

E dão sentido à nossa vida.

Já estão lock in na nossa mente.

Fui raptado pela poesia numa bela tarde

Primaveril de muito Sol e pouco vento… e agora 

Só mesmo para a frente.


Já não sei se devo sonhar

Ou deixar as coisas acontecer 

É um equilíbrio terrível 

Uma incerteza complexa 

Que nos consome … 

 Mas o nosso destino está nas nossas mãos 

 Qual pequeno objeto 

 Que o moleiro molda na sua mó

 E depois sorri ao olhar

 Para a sua obra ...

 Porque considera que fez algo irrepetível e diferente

 E a sua alma no pequeno quarto onde  

 Vive fica feliz e contente.

      

     

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