À rochas na água
Vindas do nada
À rochas …
Na água,
E tens das evitar
Com todo o cuidado
Se quiseres continuar
A tua vida em que a única
Coisa que pedes é que te deixem
Viver com regras iguais para todos.
No teu trono supremo das águas
Já meio gasto mas ainda sóbrio
E com a vontade maculada
Sobes a costa, sobes subindo
Suando frio, cansado e preocupado
Mas sobes a costa
Como uma ave perdida
À procura do seu ninho …
Mas sobes subindo …
Porque é que ninguém te disse
Que este teu fado era assim
Tão complicado …
À coisas que se subentendem
Outras que vão surgindo …
À medida que se vai vivendo.
Mas as promessas que te trouxeram
E te serviram à mesa
Pareciam um repasto digno de Reis
Sob uma toalha azul e branca.
Um candelabro de velas iluminava
O cenário como numa peça de Molière
Lá fora num pequeno jardim
Ouviram - se os passarinhos
E a verdura convidava
A soltar as amarras
Da caravela que urgia em partir
De velas engalanadas pronta a sulcar
Marés e correntes …tempestades e novos horizontes
E tudo parecia tão idílico
Como não aceitar este tesouro …
Mas a ambição tem um preço
Estava escrita em letras pequeninas
Não vi … não li fiz de conta que não eram
Para mim …
Mas por vezes do horizonte
Lá ao fundo …rasgasse o mar
E as paredes … e surgem algumas
Redes para te amparar,
Enquanto sugas tudo com o teu olhar.
E pode - se ganhar grandes coisas
No meio deste descobrir interior …
Nos recebemos o que damos …
Mesmo que não queiramos
Porque não arriscar de vez
Enquanto … ainda mando no meu destino.
Mas à rochas na água mesmo
A beira da praia …
De dentes afiados e algas
Escorregadias …
Veem - se bem do anoitecer à alvorada
Deixa te estar não te vás afogar
Arrisca só quanto baste …
Para alcançares os sonhos perdidos
Que chamam por ti no meio do caminho
Mas não convém dar mais do que tens,
Para oferecer … não cais no erro de te perderes …
À rochas na água …
Vindas do nada …
À rochas na água …
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