Decidiste entrar quando tudo
Pedia para saíres …
Por aquela porta estreita,
Que existe na tua alma
Não foste tu que escolheste a poesia
Foi a poesia que te escolheu a ti.
E agora admiras as flores que criaste
No teu jardim encantado
O significado …
Que lhes destes à muito foi reinventado
Por outros,
Porque quem lê procura nas palavras
As suas vivências …
O que fica então dos poemas que escrevemos?
Talvez o título e um pouco de respiração, sangue, suor e música
Que damos ao poema para que ele possa
Viver entre as pessoas …
E eles vão por ali fora e descem o rio
Querem alcançar o oceano
E nem esperam pelos ventos alísios
Querem ultrapassar o cabo bojador
Serpentear as ondas como se a vida
Fosse um bailado cheio de ritmo, risos, e pedras coloridas
Onde só fosse preciso agarrar
No nosso livre arbítrio, na nossa coragem, e no nosso brilho no olhar …
Para realizarmos todos os sonhos
Que temos por concretizar.
Sejam eles pequenos, médios ou grandes
O que interessa é que sejam nossos …
Por essa razão vais colocando poemas
Nas encostas que vais avistando
E dizes isto é meu …
Enquanto rabiscas palavras num papel.
O que para os outros são sons dissonantes
Para ti é música celestial que vais ouvindo
E traduzindo mas quem ouve
Reinventa e não sente o mesmo que tu
Talvez o encanto da poesia seja a capacidade
De sonharmos embalados pelos dizeres
Que alguém escreveu mas intuindo
Os nossos próprios sonhos, vaidades, impressões e vontades …
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