domingo, 12 de fevereiro de 2023

Poesia abstrata

Um carro resvala no monte 

O boneco de neve cai 

As palavras desfazem - se no papel   

Porque não à nada significativo 

Que as sustente …

Lá ao fundo mas cada vez mais 

Intensamente … umas botas da tropa 

Marcham para trás … para o lado  

E lá acabam por ir para a frente.

O carro,

O boneco de neve,

As palavras desfazem - se no papel …

Porque não à nada significativo 

Que as sustente …

Procuram um caminho 

Para darem as mãos e formar um sentido convincente 

Mas vão desistindo 

Lentamente …

As botas da tropa 

Ouvem - se cada vez mais intensamente 

Andam para o lado 

Para trás e lá acabam por ir

Em frente … 

A boca fechou o tigre 

Num palácio de mármore 

Este fugiu e deixou as suas riscas pretas 

E as suas pegadas na areia 

Quem nasce deixa sempre a sua impressão 

No tempo e no espaço.

Alguém pintou o luar com as riscas pretas 

Ficou tudo escuro e em silencio 

Só se ouvia um leve murmurar 

Das árvores a dançarem com o vento 

Numa valsa a três tempos,

Enquanto os lobos uivavam

Numa infrutífera sinfonia 

De lamentos …

Benditos os que abandonam tudo 

Num breve momento de ternura 

Mas depois regressam 

Num momento turbulento de loucura.

As riscas pretas perguntaram pelo tigre 

Mas o animal a pouco metros 

Sentou - se e ficou a observar 

Um arrozal em forma de espiral,

As riscas abraçaram o tigre 

Que reconheceu que só assim 

Ficava completo.

Mas de vez enquanto metia - se na água 

Para tentar despir as riscas 

Mas sabia que tinha nascido com uma missão 

Que não podia ignorar …

Quis regressar ao palácio 

Estava fechado ... ficou - se então 

Pelo condado das florestas, urzes e matagais …



P.S - É poesia abstrata está provado que quando a Arte não sabe por onde ir entra na forma abstrata. Por esgotamento da forma ou do conteúdo. ( segundo uma teoria que escrevi em tempos “ A teoria dos ciclos”). 

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