quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

O poema filósofo

Às vezes não sei de mim 

Nem sempre mas de vez enquanto 

Não sei de mim ...

Tenho de estar em algum lado mas onde?

Para a minha satisfação pessoal

Sei que é tudo uma questão mental

Que hei de ultrapassar com o tempo

Quando tento ser quem não sou 

Ou ausentar - me de mim  

Lá vem o muro entre a minha pessoa e o meu objetivo  

E percebo esse não é o meu muro,

Não vou saltar um obstáculo que não me pertence

Ou talvez seja preguiça ou falta de motivação 

Não ... não salto muros alheios.

E apercebo - me que não é por andarmos entre 

Os pássaros, quando eles 

Passeiam suavemente na areia 

À procura de alimento

Saltitando entre as poças de água 

Ao sabor do vento,

Que depois vamos voar com eles 

Não funciona assim ... não me torno num pássaro

Por contacto entre mim e essa espécie ... 

Cada um de nós escolhe o seu caminho 

O tempo, os anos vão passando 

Por labirintos que só nós conhecemos vamos calcorreando 

Quando damos conta transformamos - nos 

Em nós mesmos,

Qual armadura que ficou colada ao nosso corpo 

E já não sai ...  

E assim procurarmos ganhar as nossas batalhas.

Mesmo durante aquele frio invernal,

Quando só nos apetece ficar na cama.

E não pensar em nada

De muito substancial...

Mas existe qualquer coisa nas palavras 

Que formam vários pensamentos que me atrai 

Têm uma musica insondável 

Um forte piano qualquer 

Que faz lembrar aquela aragem matinal e campestre

Que nos sossega a alma e o corpo, 

E nos transmite bem estar.

À determinadas variáveis que se mantem constantes 

Na nossa vida ...

É a esses pontos de apoio que temos de agarrar.

São os nossos pontos cardeais 

Que apontam o caminho por onde 

Devemos ir …

Porque mesmo que lhes fechemos a porta 

Durante algum tempo

Eles andam por ai não sei como mas andam 

Sorriem, e se não lhes ligamos eles voltam 

Voltam sempre ... felizmente... 

Para quem lê poesia 

Os poemas são um descobrir de novos sentidos 

De questões complexas que procuram resposta 

De figuras de estilo que embelezam as palavras

As ditas e as que nunca serão escritas 

Procuramos então algo que nos diga respeito

Que nos encha a alma.

E nos preencha os dias...

Mas para o poeta é uma espécie de para raios 

Onde os seus pensamentos 

Amontoados e meio escondidos no seu cérebro

Procuram o seu lugar 

Para viver e respirar

No meio dos verbos, palavras, e frases ... 

Preenchendo o espaço onde só havia promessas 

De um poema adiado.    



 

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