O vento sopra lá fora
A noite escapa entre o dedos
Os segredos despertam …
Tudo parece feito de papel.
Quem vive do passado
Fica deprimido
Quem pensa muito no futuro
Fica ansioso …
Por essa razão temos de viver para o dia a dia
Viver na cabeça é apenas vivermos
Da espuma dos dias … um desperdício imensurável
E quase tudo o que interessa passa-nos
Ao lado … e depois o que fazemos?
O reboliço do nosso ser torna - se
Quando despertamos para a vida
Num emaranhado de nós
Para onde vamos pensamos?
Temos de descobrir onde tem início
O nosso novelo existencial antes de entrarmos na nossa existência … propriamente dita …
E a partir dai construirmos a nossa
Essência desde a estrutura de base passando
Pelos contrafortes e pelo telhado
Onde podemos observar num dia claro
O que já conquistamos,
No horizonte …
Fica o monte que carrega tudo
O que já fizemos, dizemos, construímos
Convém sempre dar valor as nossas
Vitórias aquelas que são só …
Nossas … porque mais ninguém percebe
O esforço que tivemos de fazer para
As conseguir alcançar, agarrar, saborear
Porque para os outros tudo o que fazemos
Parece tão fácil …
Mas a couraça que se desenvolveu
Ao longo da nossa alma …
Está lá para suportar os golpes dos descrentes
Dos maldosos e dos maldizentes.
O nosso livre arbítrio.
Solta por nós um grito
Quando cruzamos uma meta
Que para os outros
Diziam ser morosa, inatingível, uma miragem
Vestida de sobranceria e glória
Mas que depois de conquistada por nós … afinal
Não era assim tão difícil
Mas os tombos,
As quedas, o desassossego estão cá registados
No nosso cerne …
Na vida tudo o que muito fácil raramente
E digno de ser conquistado.
Por essa razão pega no teu fardo
E não deixes nenhum dos teus montes
Por conquistar …
Quando estes tiveram todos conquistados
Vão dar uma bela vista a melhor
Que já contemplastes …
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