In útero
Amor desculpa por não ser
O amor perfeito que idealizaste …
Vim trazido in útero …
Pelas ondas gélidas do meu pensar
Ainda mal sabia andar …
E já pus o pé na Terra fria … e uma suave melancolia tomou-me nos braços.
Só me restou …
Agarrar todas as forças que tinha
Subir pelas minhas dores acima
E ir para um local onde nem as aflições conseguem estar … e prosseguir a minha ladainha …
Vi que havia um caminho …
Estreito mas havia … bastava estar
No limbo onde a ficção e a realidade
Se confundem … e não dar importância
À crítica fácil … e manter-me longe do mainstream …
A pulso foi subindo
Nem sempre a direito
Não sou perfeito nem pouco mais ou menos …
Pregando frases que fui ouvindo
Outras inventei para não ficar aquém
Do meu destino.
Trabalhei muito
Vi muita coisa …
Muitas vezes num silêncio tal
Que nem os meus sonhos me queriam
Acompanhar … por não compreenderem a ousadia, do meu ser
Querer tudo mudar … para se conseguir encontrar comigo mesmo.
Desci da carruagem que continha
O meu querer várias vezes …
Senti o meu ímpeto desvanecer
Pela calçada procurei o mapa da minha condição de humilde servidor do meu ego,
Para fazer desaparecer a mala pata de não acreditar que conseguia vencer.
Vi um rasgo da minha vontade
Acenar por onde poderia entrar sem
Que isso pusesse em causa
A minha maneira de estar … e de pensar
E … lá consegui criar um espaço
Interior onde coloquei todo o meu amor, vontade e querer …
Tentando ser original em tudo o que criasse …
Que me aceita como sou … a poesia ...
Desculpa por não ser o amor perfeito
Que idealizaste …
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