Quero partir as correntes
De uma existência pueril …
Colocar grades em abismos
E subir montanhas prenhes de novas ideias.
Mas o caminho
É longo e espinhoso não é
Fácil ler nas entrelinhas
Ou fazer um esboço do que quero escrever.
Num oceano só vejo a superfície
O que estará por baixo
De uma massa de água tão grande?
Que segredos podemos descobrir se formos ousados.
E sem medo de sermos ignorados?
Quero construir
Um paredão que não deixe
As nossas almas caírem
Para o oceano do marasmo e
Da prostração.
As pessoas tem que perceber
Que o mundo está
Sempre em mudança
Temos que nos moldar a essa modificação constante,
Ou seremos irrelevantes ...
Para não ficarmos para trás
Temos de auscultar a nossa essência
Procurar na turbulência dos nossos dias
Um rumo qualquer que nos faça felizes.
Também podemos embarcar
No navio que está no cais à procura
De pessoas que queiram embarcar com destino ao mainstream …
Que é aquele local aonde só existem
Banalidades, limbos, encruzilhadas nada de novo portanto
Só pessoas à espera que a vida mude só porque sim …
Levanto as correntes
Que me querem certinho e contente
Desaperto os grilhões
Que me querem calado e mudo.
Espero que a minha chegada
Me faça partir outra vez ...
Porque só tenho saudades
Dos locais aonde nunca fui.
O valor do que escrevo
Está no processo ...
Que vou construindo,
E sentindo que vou abrindo portas.
Restaurando ruínas,
Calcorreando caminhos desconhecidos,
Procurando frases que nunca foram proferidas,
Que de outra maneira
Ficariam no meu interior perdidas.
Como um chão
Que já deu uvas
E agora só quer esquecer
Que um dia sonhou ousar viver.
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