terça-feira, 2 de julho de 2019

D. Sebastião o regresso do Rei

Sebastião o regresso do Rei

O príncipe real nasceu
Num belo dia de Janeiro e sem o saber 
Iria na história... 
Uma das mais gloriosas páginas escrever.

Este monarca maior 
Era o Rei D. Sebastião...
Da segunda dinastia portuguesa 
Que deixou muito feliz o povo e a ditosa realeza.

Quando o monarca nasceu
Nuvens vermelhas cruzaram a abóbora celeste
E uma nuvem em forma de espada e outra em forma de coroa de ouro
Alguém viu no céu...
E todos pensaram ser um bom agoiro.

O príncipe gostava
Das artes da guerra, manejava bem
A espada, o sabre e o punhal...
Era um dos melhores guerreiros de Portugal.

O D. Sebastião gostava de ler a Bíblia
E era muito devoto...
Conhecia os salmos de cor
Tinha sempre ao pé de si o crucifixo o cilício e o confessor

O Rei leu os filhos do Luís no papel impresso
E ficou muito impressionado...
Sentiu dentro de si o ímpeto da cruzada,
E dizem que deu um urro e beijou a sua espada.

No seu cérebro desenhou
Assim a batalha perfeita...
Atacava os seguidores de Alá na sua terra e enchia se de glória
E aos poucos ia escrevendo a sua história.

O Rei herdou o trono
No meio de muita festa e muitos vivas a El Rei
A alta nobreza queria arranjar lhe um herdeiro
Mas o Rei era exigente
E de acertaram não havia meio.

Muitos tentaram demovê-lo de fazer guerra
Para o norte de africa,
Mas o Rei estava irredutível e queria ir guerrear
E aos golpes de espada a sua Nêmesis superar.

O Rei foi à Espanha
Para convencer o Filipe II seu tio
A ajudá-lo na sua cruzada
Contra os mouros por si planeada

O monarca não foi nisso
E terá exclamado mais tarde
“Se D. Sebastião vencer que genro teremos
Se perder que reino teremos”.

Os que tentaram demover
O Rei era demovido por sólidos argumentos
Ou estes calavam a boca,
Ou iam todos para a forca.


A armada foi construída
Na Ribeira das naus
Pelos melhores carpinteiros e calafates
Que conheciam muito bem as suas artes.

A armada partiu para o norte de África
Convencidos de uma vitória fácil.
Todos queriam nela participar
E a todo o pano começaram a navegar pelo mar.

Estava bom tempo
Os nobres já faziam contas às justas...
Quem é que ficavam com o quê pensavam,
Enquanto os punhais, e as espadas afiavam.

Na nau muito aperaltada
O Rei viajava com os seus correlegionários
A maresia cheiravam...queriam sangue
Queriam guerra,
Alguns ainda novos muito apreensivos estavam
E para regressar à sua pátria
A todos os Santos rezavam.

A armada fundeou ao largo da terra africana
Os soldados de armadura completa
E de viseira puseram os pés em terra
E partiram ainda muito longe da sua meta.

Sol de Agosto
Calor sufocante
O exército português arrastava-se
E já cansado no meio das dunas parou
Um pouco...
E sem saber já estava sitiado pelo exército inimigo que sem
Apelo nem agravo os cercava.

Os exércitos engalfinharam-se
A batalha dos três Reis teve início
Uns combatiam pela pátria, outros
Para a defender outros só pelo vício.

O Rei D. Sebastião na sua armadura
Toda brilhante destacava-se
Em gestos bélicos bem delineados
Deixava os inimigos aos bocados.

Os muçulmanos eram em número muito superior
O Rei português foram rodeando
Os golpes de cimitarra foram-lhe dando
As areias do deserto levantarem-se
Porque ver o Rei perecer mesmo lutando
Não era bem visto e a pátria portuguesa
Aos poucos foi-se enlutando.

Todos estes anos passados
E ninguém esqueceu
El-Rei D. Sebastião ele está 
Na nossa cabeça e no nosso coração

Na actualidade
As velhinhas,
No cais do Sodré
Repetem a ladainha.

O Rei D. Sebastião
Era um bravo
Lutou como um leão
Na batalha dos três Reis.
E pereceu...
O Rei não errou
Foi mal aconselhado
Mas um dia vai voltar
Envolto em gloria rodeado
Pelos nobres pelo povo
Num dia de nevoeiro.


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