quinta-feira, 18 de julho de 2019

Não confies no tempo

Não confies no tempo
O tempo é enganador
Chega a fingir que não é tempo
E que parou ao teu redor. 
(mas o tempo não para ...)

Mas tudo
Se renova
Desde o entardecer
À aurora...
Diz tudo o que tens a dizer
Faz tudo o que tens a fazer...
Porque a felicidade são breves momentos
E quando os tentamos apanhar já se foram embora.

Não confies no tempo
O tempo é enganador
Chega a fingir que  não é tempo
E que parou ao teu redor.

Mas o tempo também contém
Algo de bom em si mesmo
O tempo leva as tristezas
Para longe do nosso coração
E da nossa vista e...
Cala a desgraça
E tudo cura,
E tudo passa...

Não confies no tempo
O tempo é enganador
Chega a fingir que não é tempo
E que parou ao teu redor.

Se gostas de alguém
E à muito tempo que não lhes dizes...
Ao ouvido que a amas
Não te esqueças
Que nem  o tempo
Nem o amor, esperam por ti
Nem por ninguém...
Escolhe o momento certo
E quando tiveres perto da pessoa que amas
Diz lhe para ...

Não confiar no tempo
Porque o tempo
É enganador mas se à algo que consegue
Vencer o tempo essa raison d’ etre …
É o amor.


Se amas alguém...

Se amas alguém
Não te iludas
E não desistas
De ti...
Porque não consegues.
Não te habitues
A perder...
Porque a derrota
Gosta de se entranhar
Na pele e assim aos poucos
A tua vida murcha e debota.
Ganha o torneio
Da tua vida
Montado no teu alazão
De pelo russo,
Esporas de prata,
Crinas ao vento,
Rosto tranquilo
Sabor a vida
E tudo o que assimilaste
Naquela cantiga
Que ouviste um dia
E nunca mais esqueces-te.
Vence os teus demónios
E vai em frente
E transforma o amor
Que tanto desejaste, e lutaste com
Tanto sacrifício, e de uma forma tão suada...
Na coisa amada.



Que seja tudo

Que seja tudo como tu quiseres
Tudo...tudo...tudo...
Sabes que o tempo não espera por ninguém 
Mas o tempo também...
É dinheiro 
A juventude dá-nos  asas
Se o mundo te sorri
Sorri de volta solta a vontade
De vencer que à em ti
E escolhe o teu destino
Mesmo que te digam
Para não ires por aí
Vai...porque a sorte protege os audazes
E quando fazes o que gostas
Só boas recordações terás
Daquilo que conquistaste
E tão longamente planeaste.
Senão é o inferno em vida
E um dia puderas não descobrir
Uma saída para os teus sonhos
Porque levaste muito tempo a reagir
E deixaste que outros escolhessem
O teu destino por ti
Quem nasce
Nasce selvagem...
Mas depois no fundo
É preciso
Coragem
Para escolhermos que destino
Dar à nossa viagem...
Por este mundo.



Quando ...

Quando...o som
Da ribeira passa
Ao pé de ti
Não consegues fazer
Ouvidos de mercador
Qual musa inspiradora
Segues o som
Queres ver
A vida a transbordar de alegria
E de cor.
Esta reflete
Toda a beleza que existe
Na natureza, queres te perder
Para te encontrares nela.
A luz da ribeira é
Suave e transparente
O som puro e cristalino
Ainda se  consegue ouvir
Os sons de pequenos
Pássaros a serem criados
Pelos país,
No ninho.
Ras, sapos
E peixes,
Na sua azáfama...
Diária,
Vivem para o dia
E sobrevivem
Só Deus sabe como...
E vivem
Placidamente
Dolentes na tarde calma
Quem sabe se também
Não tem alma...
A ribeira não é fácil de descrever
Só vendo
Ao vivo,
O seu coração estremecendo
E as suas águas a palpitar de vida.
Por quanto tempo
A poderemos ver?
É o que quase todos
Gostaríamos de saber
Porque crimes ambientais
Nesta terra,
Estão sempre a acontecer.











Não faças caso

Não faças caso
Quando te criticarem duramente...
Por escreveres como bem entendes
Porque quem critica,
Por vezes nem sabe do que fala.
Assume ao que vens diz quem és.
Quem faz a língua de um país evoluir
Não é nenhum decreto
Seja este aprovado
Por braço no ar
Ou voto secreto.
São os escritores e poetas
Estes escrevem e escrevem
Muitas vezes
Aquilo que a pensar não se atrevem.
O povo sensível e honesto
Filtra o que foi escrito
E fala,
O português que se irá
Passar a ler e a ser dito.
Antes de Luís de Camões poeta maior
Criar a sua obra
Em Portugal,
Escrevia-se de uma maneira
Meio enrolada e
Difícil.
O poeta
Solto-lhe
As amarras
E esta voo
Ainda mais bela
Pela planície..,
Permitindo
A outros poetas descobrir
E enriquecer o português com
Novas palavras, novas frases,
Novos sentidos,
Que depois os portugueses
Ao tomarem de si conhecimento
E ao longo de gerações
Escolheram qual o léxico
Que devia perdurar
Na nossa língua,
Falada por milhões de falantes
Que orgulhosamente
Falam o português
Que um dia um poeta
Vestindo roupas velhas e descalço
Depurou... quem sabe a bordo de uma caravela
Que ao sabor do vento milenar
Na estrada marítima para a Índia
Ou noutro lugar qualquer
Desde que houvesse mar,
Lhe ia segredando,  novas palavras
Novas frases e estas
Foram ficando, passados todos estes anos,
Gravadas nas nossas mentes e nos nossos corações.

E a língua evoluiu
E o poeta falou.







Amor volátil


Amor volátil sinal dos tempos
Doce perdição
Amor que fugia sempre
Entre as mãos...

Pela calada,
Regressou e entregou - se
Para, dizia,  não mais  fugir
Da sua amada.

No meio de um ardente calor
E  demorados...
Beijos... jurou
Que ao seu grande amor não mais fugia...
Enquanto longamente
Se entregava
Ao amor e há volúpia de
Uma forma quase doentia.

Houve juras de
Amor, promessas vãs,
Alguns sonetos
Risos e
Muitos beijos.
Numa noite de luar
Em Janeiro,
Segredos foram revelados...
Enquanto  partilhavam
O mesmo travesseiro.

Mas aquele amor
Era  proibido...
Que é sempre o mais
Apetecido...

Roseira que só floriu
Uma vez, pétalas efémeras
Engano vil...
Espinhos que puniram cruelmente  um rend-vous pueril.

O amor ganhou asas negras como cinzas
E partiu evaporando - se...
Deixando atrás de si uma boca seca de beijos
É um coração dorido
E confuso questionando - se...

A alma apaixonada
Vagueou só...
Pela madrugada dentro... como se não houvesse mais nada a fazer,
Do que recordar aquele momento.

Vagueando sozinha
Aquele pobre ser o amor nunca mais encontrou...
Mesmo passados tantos anos
O seu coração nunca se conformou.

Pergunta a todos os que passam
Por baixo da sua janela,
Numa voz fraca e já cansada...
Porque que é que um amor tão grande... nunca
Se transformou na coisa amada?




terça-feira, 16 de julho de 2019

Quando almejares...

Quando almejares
Não te acanhes
E luta...luta e volta a lutar
Para conquistares os teus sonhos...

Não são palavras
Atiradas ao vento
Quando desejares algo
Aponta...para o firmamento.

No teu canto secreto
Da tua alma
Já desenhaste
Aquilo que um dia
Em algum momento no tempo almejaste.

E agora queres
Que tudo se torne realidade e também
Que nada fique para trás
Nem ninguém.

Sabes bem que quando
Alcançares aquilo que um dia sonhaste
À tua maneira...
A criança que há em ti
Irá sorrir a tarde
A noite... e a manhã inteira...

As tuas recordações
O teu ser vai de certeza lembrar - se
Que quando eras menino (a)
E tudo brilhava à tua  volta...
Sonhaste e agora conseguiste tudo
Aquilo que almejaste.

Não são palavras atiradas
Ao vento
Quando almejares algo...
Aponta para o firmamento...






Pai

Pai...uma palavra tão pequena
do tamanho do mundo.

E quando a jogamos ao vento
Essa pequena  palavra  volta
Sempre sorridente
Ao nosso pensamento.

Sei que não te foste embora
Estás aqui sempre ao pé de mim
Não duvido,
E assim será  mesmo depois  do fim... quando já não houver
Palavras para escrever...
E mais nada para dizer.

Por outro lado há palavras que não nos largam
Ficam gravadas na nossa alma
É a primeira que dizemos...
Para nunca mais a esquecermos...


Para o meu pai Artur Rosa Lopes

Não trates mal...

Não trates mal quem te quer bem
Só porque essa pessoa não tem
Botões de punho de ouro e de prata
E desenhos coloridos na gravata.

Não trates mal quem te quer bem
Só porque  essa pessoa não tem
Sapatos envernizados, cabelos aloirados...
E um cinto de marca daqueles muito caros.

Não trates mal quem te quer bem
Só porque essa pessoa não tem
Um automóvel topo de gama com o tabliet em
Madeira de teca
E uma garrafa de whiskey reservada na discoteca.

Não trates mal quem te quer bem
Só porque essa pessoa não tem
Casas com escritos na janela
Para arrendar a preços de causar inveja.

Não tratas mal que te quer bem
Só porque essa pessoa não tem
Em sua casa, prateleiras de sapatos, reluzentes que nunca usou
E armários cheios de roupa de marca, Luís Vuitton.

Não trates mal quem te quer bem
Só porque essa pessoa não tem...
Uma lareira em mármore
Da Toscana e estátuas em posição airosa
E jardins com o chão
Coberto de pétalas de rosa.

Não trates mal quem te quer bem
Só porque essa pessoa não tem...
Uma casa de campo do tamanho do mundo com
Uma piscina de água azul e tão transplante
Que se consegue ver o fundo.

Não trates mal que tem quer bem
Porque essa pessoa também tem...
Coração alma e sentimentos.










Elegia às árvores

Na beira interior
Mesmo à beirinha de uma, 
Estrada de terra  
Um carvalho erguia - se imponente.

Tão grande como uma montanha 
Dizia - se lá na terra 
Se alguém conseguisse subir
Aos  seus ramos  mais altos, sem cair cá em baixo
Tocava no céu. 

Os pássaros adoravam os seus  ramos 
Sobretudo os mais novos
Felizes saltavam de ramo em ramo 
E na primavera faziam os ninhos entre a ramagem  aonde
Colocavam os seus ovos. 

Tinha uma sombra formidável 
Fazer um piquenique à sua beira 
Era uma...
Experiência muito prazenteira e inolvidável.

As suas  folhas eram de mil cores 
Havia para todos os gostos...
Amarelas, verdes, vermelhas, alaranjadas
Umas no chão outras ainda nos seus 
Ramos penduradas.

E tinha de vir alguém
Que não queria saber de coisa nenhuma...
Cego pelo prazer de acabar com a beleza
Daquela magnífica paisagem.

O povo também disse... nada
E como quem cala consente,
Lá se forjou mais um crime ambiental...
Pela calada.

Que idades terias 
Talvez mil anos...talvez mais 
Mas apenas foram precisos 
Alguns minutos e um machado 
para te executarem sem te puderes
Defender...o que ficou?Uma  paisagem mais 
Pobre, sem sombra, sem cor, sem o teu corpo protector
E sem as risadas das crianças brincando ao teu redor.

Se queremos que a humanidade
Perdure temos de aprender a viver
Da natureza e não contra a natureza
Não podemos tratar desta maneira vil e bacoca
Um planeta que nos dá tudo sem pedir nada em troca




    

domingo, 14 de julho de 2019

Sonhos de pé curto

Quando nos transformamos
Em nós mesmos,
Somos felizes...
E nem sequer nos apercebemos disso.

Nem quando nos criticam
Negativamente ligamos,
Porque demasiado
Felizes e compenetrados estamos...

Mas para lá chegarmos muita
Sela passou por baixo
Dos nossos corpos
E muitas vezes sem querer...atrasámos-nos
E entramos por caminhos tortuosos.

Em Portugal quando queremos alguma coisa
É tudo muito difícil...
É como querer passar
Só com uma asa um precipício.

E se te falha o golpe de asa
A meio da viagem,
A pessoa vai ter
Uma complicada aterragem...

Porque quem vive
Nas nuvens quando cai,
A altura é grande...
Mas quem não sonha não sabe para onde vai.

Sonhos de pé curto
Em Portugal só sonhos de pé curto...
Assim o tombo é menor e se caíres  não passas do chão
Ou quem sabe até pode conseguires o teu quinhão...

Sonhos de pé curto
Esqueçam os sonhos de pé alto
Assim a mão
Emendo...agora...
O que fazer para ser feliz entendo...
Sonhos de pé curto... a todos recomendo.








A esvoaçar no espaço

Gostava de ser uma águia
A esvoaçar no espaço... de longas asas
E pequenas
Penas...

Lá de cima via tudo
O que me interessava,
E o que não me interessava numa perspectiva
Muito mais cuidada...e o meu “momento” aguardava.

Cometia menos enganos
Não seguia erradamente alguns impulsos do coração
E assim não ia
Tantas vezes ao chão.

Apanhava aquele vento quente
Que sopra quando,
Metemos na cabeça que podemos alcançar
O que desejamos...mexendo os nossos neurónios
Suavemente...

Mas as águias também sabem
Quando desaparecer de circulação
Reavaliar, e  transformar em bom
A sua actual situação.

E qual fênix
No meio das cinzas...
Refletir,  aprender
Levantar - se e renascer...

Gostava de ser uma águia
A esvoaçar no espaço
E passava por "certos momentos" sem
Me magoar...e voava...e voava...e voava...



Linda

Num verão
A meio da tarde fui para a praia
A areia escaldava
O sol convidava a tomar banho.

Foi então que te vi
Pela primeira vez
Algo em mim mudou senti - me
Diferente...diferente...

O teu cabelo ao vento
O teu corpo escultural
Fazia qualquer um querer perder-se
Para depois se encontrar
A mulher perfeita para namorar.
A mulher perfeita para namorar.

Eras uma mulher como nunca vi
Tentei aproximar - me de ti
Mas desviaste o olhar
Não consegui continuar...

Linda porque não quiseste
Fazer parte da minha vida
Eras para mim uma saída...
Para um mundo novo para um
Mundo melhor...

Linda...linda
Nunca soube o teu nome
Nem o que pensavas de mim.
Às vezes lembro-te de ti...Linda...Linda...

Nota: esta letra pertence a uma canção minha neste caso música pop “Linda”.



Na lezíria

Quanto te vi na lezíria
Montavas um cavalo branco
Quiz logo saber quem era,
Aquela linda  mulher...
Tudo fazias com graça era um
Gosto ver-te galopar.

Numa manhã cinzenta o rio
Estava revolto,
O teu alazão perdeu - se
Ninguém dava com ele.

Viste  te o nascer acompanhaste
Os seus primeiros passos...
Ficas-te inconsolável perdida
No vazio.

Ouviu - se um relincho
No meio da pradaria...
Era o teu cavalo
Que regressava a casa.

A sua crina ao vento
A sua maneira de galopar
Era tão bonito
Só lhe faltava falar...
Era tão bonito só lhe faltava falar.

Nota: esta letra é de um fado meu “Na lezíria”.



quinta-feira, 11 de julho de 2019

Não confundam

Não confundam
O azul do céu com
O amarelo-verde
Do campo.

Não confundam
O vento quente
Da tarde com...a brisa
Fresca, matinal, não é comparável...
Mas é inolvidável.

No campo existem
Flores de todas as cores,
Ao sol nascer...
Doce sinfonia...que não é para ouvir
Mas para ver...

Ao meio dia os pássaros
Piam, cantam e dão voos rasantes
Sobre a planície...
Usando os seus corpos leves
E sempre muito elegantes.

Na tarde campestre e soalheira
Ergue-se uma brisa muito suave
A imitar  o voo da ave...
Que pousa suavemente na areia.

O vento desce das montanhas
Sorridente,  quer par e não tem,
E então empurra as flores suavemente e assobia
E fá - las dançar
Ao som de uma secreta melodia.

O lusco-fusco imponente e majestoso
Numa tarde de verão...
Mistura o amarelo alaranjado com o vermelho
E deixa extasiada a nossa vista e o nosso coração.

A noite estende o seu manto
Sobre a planície...
Mas qual pintura de Miguel Ângelo
O Caravaggio,  as sombras dão lhe vida
E o  silencio de ouro adormece os corpos cansados
Da labuta do dia a dia.











quarta-feira, 10 de julho de 2019

Os deuses

O tempo da poesia  é claro
É quando os deuses
Decidem fazer...
Uma festa no Olimpo.

Para se entreterem
Deixam cair um pó magico
Em direção há terra só os poetas
O vêem.

Este pó em demasia
Pode enlouquecer,
O poeta menos experiente...
Que fica o dia todo obcecado pelos poemas que
Tem em mente...
E não deixa sair o que respira...
suavemente.

Tem de se sentir o pó
A envolver os sentidos
Depois  é vestir
Os poemas que nesta fase ainda estão  de sentido
Despidos...

Aos poucos o poema
Vai tomando forma, dá coices tremendos,
Garanhão maldito, tem ventas de fogo, não quer ser domado...
Mas depois da luta vai descansar  pastando
Calmamente por um pasto, verde amarelo, pelo poeta inventado.

Lá em cima no Olimpo
Os deuses são informados que um poeta
Fez mais um poema querem ler a obra prima,
Gostam daqueles poemas onde existe pouca palha...
E muita rima.

Desdobram o rolo de papiro
E começam a ler...e leem em voz alta
Para todos ouvirem se for bom aplaudem
E dizem que sim com a cabeça e podem estar nisto a noite inteira,
Por vezes levam alguns poemas para a sua mesa de cabeceira.

Se for mau
Riem - se sem pudor e com desdém
Dizem abertamente “este infeliz coitado
Talento não tem"...

O poeta não desiste
O poema não ficou bom?
Foi do pó magico, estava muito rarefeito,
Por causa disso mas também porque não era o dia do poeta,
O poema ficou sensaborão e imperfeito.
Por vezes o encanto
Do poema perde - se a quem lhe chame
A esse encanto inspiração há quem lhe chame
Pó magico...pelos deuses enviado... é a mesma coisa
É algo que anda no ar e só por breves momentos
Na mente dos grandes poetas poisa.








Da mansarda

Da mansarda da minha sina
Observo  o que me reserva
A sapiência dos livros,
Misturada com a experiência da vida.

Para  mim para ser feliz basta - me observar
As flores do campo,
E o cheiro da palha...
Enrolados entre si e a beijarem - se dolentes  na tarde calma...

Nós somos uma mistura entre a vida
E uma  força vital
Que nos impele a sobreviver
No meio de um pantanoso matagal.

Mas também precisamos de obstáculos
Para  ultrapassar,
Senão ficamos doentes, a nossa alma quer viver freneticamente
E por tudo cá para fora... tudo o que tem em  mente

O que precisamos
Mesmo fazer? Para não enlouquecer
Uma viagem descansada
Ao nosso âmago e ao nosso querer.

Só para ver
Se ainda somos  aquele ser
Que deu à luz uma vida e que teve
Aquela fantasia de criar
O seu próprio  portefólio e de  viver... de uma
Maneira  descomplicada o dia a dia.

Apesar de tudo às vezes
Mas só às vezes gostava  de ser diferente...
Nem que seja por um momento
Mas pode...
A cauda abanar o cão
Pode a árvore empurrar o vento?

Questões...  questões...  questões...
Que mudam consoante a nossa disposição
Mas resposta é sempre a mesma...
O que está na hard-drive determina o que tu és
Não existe chave de fendas para substituir
Essa drive... so get in and drive...drive...drive...
Para onde?Não sei...drive...drive...drive...



































domingo, 7 de julho de 2019

Se...

Se tu amas alguém chamas essa pessoa
E essa pessoa  não vem...
Essa pessoa,
Ama alguém que não a ti.
Deixa - a  partir
E ser feliz com outrem.
Se tu amas alguém,
E se  ao chamares essa pessoa
Essa pessoa vem...
É porque amas alguém,
Que te ama também.
Mas se chamas alguém
E essa pessoa não vem...
Deixa - a partir
E ser feliz com outrem...

Se tu amas alguém...

terça-feira, 2 de julho de 2019

D. Sebastião o regresso do Rei

Sebastião o regresso do Rei

O príncipe real nasceu
Num belo dia de Janeiro e sem o saber 
Iria na história... 
Uma das mais gloriosas páginas escrever.

Este monarca maior 
Era o Rei D. Sebastião...
Da segunda dinastia portuguesa 
Que deixou muito feliz o povo e a ditosa realeza.

Quando o monarca nasceu
Nuvens vermelhas cruzaram a abóbora celeste
E uma nuvem em forma de espada e outra em forma de coroa de ouro
Alguém viu no céu...
E todos pensaram ser um bom agoiro.

O príncipe gostava
Das artes da guerra, manejava bem
A espada, o sabre e o punhal...
Era um dos melhores guerreiros de Portugal.

O D. Sebastião gostava de ler a Bíblia
E era muito devoto...
Conhecia os salmos de cor
Tinha sempre ao pé de si o crucifixo o cilício e o confessor

O Rei leu os filhos do Luís no papel impresso
E ficou muito impressionado...
Sentiu dentro de si o ímpeto da cruzada,
E dizem que deu um urro e beijou a sua espada.

No seu cérebro desenhou
Assim a batalha perfeita...
Atacava os seguidores de Alá na sua terra e enchia se de glória
E aos poucos ia escrevendo a sua história.

O Rei herdou o trono
No meio de muita festa e muitos vivas a El Rei
A alta nobreza queria arranjar lhe um herdeiro
Mas o Rei era exigente
E de acertaram não havia meio.

Muitos tentaram demovê-lo de fazer guerra
Para o norte de africa,
Mas o Rei estava irredutível e queria ir guerrear
E aos golpes de espada a sua Nêmesis superar.

O Rei foi à Espanha
Para convencer o Filipe II seu tio
A ajudá-lo na sua cruzada
Contra os mouros por si planeada

O monarca não foi nisso
E terá exclamado mais tarde
“Se D. Sebastião vencer que genro teremos
Se perder que reino teremos”.

Os que tentaram demover
O Rei era demovido por sólidos argumentos
Ou estes calavam a boca,
Ou iam todos para a forca.


A armada foi construída
Na Ribeira das naus
Pelos melhores carpinteiros e calafates
Que conheciam muito bem as suas artes.

A armada partiu para o norte de África
Convencidos de uma vitória fácil.
Todos queriam nela participar
E a todo o pano começaram a navegar pelo mar.

Estava bom tempo
Os nobres já faziam contas às justas...
Quem é que ficavam com o quê pensavam,
Enquanto os punhais, e as espadas afiavam.

Na nau muito aperaltada
O Rei viajava com os seus correlegionários
A maresia cheiravam...queriam sangue
Queriam guerra,
Alguns ainda novos muito apreensivos estavam
E para regressar à sua pátria
A todos os Santos rezavam.

A armada fundeou ao largo da terra africana
Os soldados de armadura completa
E de viseira puseram os pés em terra
E partiram ainda muito longe da sua meta.

Sol de Agosto
Calor sufocante
O exército português arrastava-se
E já cansado no meio das dunas parou
Um pouco...
E sem saber já estava sitiado pelo exército inimigo que sem
Apelo nem agravo os cercava.

Os exércitos engalfinharam-se
A batalha dos três Reis teve início
Uns combatiam pela pátria, outros
Para a defender outros só pelo vício.

O Rei D. Sebastião na sua armadura
Toda brilhante destacava-se
Em gestos bélicos bem delineados
Deixava os inimigos aos bocados.

Os muçulmanos eram em número muito superior
O Rei português foram rodeando
Os golpes de cimitarra foram-lhe dando
As areias do deserto levantarem-se
Porque ver o Rei perecer mesmo lutando
Não era bem visto e a pátria portuguesa
Aos poucos foi-se enlutando.

Todos estes anos passados
E ninguém esqueceu
El-Rei D. Sebastião ele está 
Na nossa cabeça e no nosso coração

Na actualidade
As velhinhas,
No cais do Sodré
Repetem a ladainha.

O Rei D. Sebastião
Era um bravo
Lutou como um leão
Na batalha dos três Reis.
E pereceu...
O Rei não errou
Foi mal aconselhado
Mas um dia vai voltar
Envolto em gloria rodeado
Pelos nobres pelo povo
Num dia de nevoeiro.


Viagem à Índia II



 Viagem à Índia II

Na Índia fazia falta um homem
De barba rixa para impor,
Respeito e continuar a fazer
O Império português do oriente crescer.

Pedro Álvares Cabral desentendeu-se com o Rei
E não quis ir pela segunda vez à Índia
Talvez a malária já lhe andasse a rondar
A pele e este dispensou regressar ao mar.

A armada de Vasco da Gama
Fez-se ao caminho marítimo
Desta vez eram vinte as naus
Que levavam o brasão de Portugal e as suas armas
Bem ao alto para todos verem

O cabo da boa esperança manhoso
Lá estava, nas suas águas tubarões gigantes
Aguardavam pelos incautos felizmente
Todos passaram no teste e no oceano Índico entraram.

No oceano Índico Vasco da Gama
Ainda longe da terra dos homens de turbante
Revelou a sua mestria
E descobriu as ilhas
Do almirante.

O almirante já não ia para novo
As suas famosas barbas já não eram
Todas negras já havia cabelos grisalhos
Quando as coisas não corriam a seu jeito
Esquecia os bons modos e os seus ataques de fúria
Eram bem conhecidos de todos.

O Miri navio muçulmano
Navegava no Índico orgulhoso e altaneiro
No seu convés viajavam alguns dos mais ricos mercadores muçulmanos...
A ordem era para destruir todos estes navios nem que fosse
Preciso bombarde-lo o dia inteiro.

E assim foi
Num momento menos bom
As bombardas subiram o tom
E fizeram-se ouvirem com estrondo
E depressa apanharam-lhe o jeito
E foi tudo a eito.

O Miri foi destruído e afundado
As crianças foram poupadas
As almas dos que pereceram
Sejam louvadas.

A viagem continuava
A tripulação cheirava o sangue
Que por aí vinha
Os marinheiros não se continham
E à mínima provocação e discussão
Que não eram parcas
Havia amiúde entre eles lutas de facas.

Alguém avistou a Índia
Lá estava a terra hindu onde havia uma feitoria
Portuguesa...onde sessenta lusos tinham sido todos deixados
Mas como Vasco da Gama viria a
Descobrir tinham sido todos chacinados.

As desculpas do Samorim não vingaram
E Calecute foi bombardeada
A ferro e fogo,
Alguns hindus foram cortados aos pedaços
E postos num cesto
O almirante escreveu num papel
Que entregou ao Samorim dizendo – lhe.
Faça caril com isto.

Houve lutas entre o Samorim de Calecute
E o Rajá de Cochim
Os portugueses tiveram de intervir
Para que a guerra tivesse um fim.

Uma feitoria portuguesa foi construída em Cochim
No meio de muitas lutas e muitas febres
Mas a lá se conseguiu fazer
E orgulhosamente as armas de Portugal durante muito tempo
Na sua parede orgulhosamente susteve

Armada regressou
À sua pátria Vasco da Gama
Foi louvado, pelos seus feitos e pela sua coragem
E iria voltar a Índia numa terceira viagem




















Tento

Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...