Existiu uma ribeira magnífica, a ribeira grande
No meio da planície ribatejana ...sem rival no mundo,
A sua terra cheirava a perfume ...
As suas águas eram tão transparentes que se conseguia ver o fundo.
Quem passava por passar
Ou passava porque vivia ali perto...
Viesse de onde viesse sabia que tinha
Sempre para nadar e passear o caminho aberto.
Havia rãs, e peixes
Plátanos, verdes e amarelos
Nas margens muitas pedrinhas e seixos
Muito belos...
Nas árvores que te rodeavam
Os pássaros faziam os ninhos,
Era vulgar ver garças, patos, melros
E estorninhos...
Nadávamos no teu ventre
Sempre a rir deliciados,
Não dávamos pelo tempo passar e de ti
Nunca ficávamos cansados.
Vários poetas que passaram por ali
Para descrever a tua beleza nunca o conseguiam...
Os versos ficava sempre aquém de ti
E desconsolados desistiam.
Um dia chegaram as máquinas
Num dia muito cinzento... não viram em ti senão
O lucro que podiam obter... cálice maldito de vinho
Tinto de sangue
E levaram...o teu ser...a tua carne
As tuas águas... e ficaste ex-sangue...
Para onde foste ribeira grande?
Aos nossos filhos aos nossos netos
Tinhas tanto para dar,
Ficaste na nossa memória e isso...
Ninguém nos, pode tirar.
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