quinta-feira, 11 de julho de 2019

Não confundam

Não confundam
O azul do céu com
O amarelo-verde
Do campo.

Não confundam
O vento quente
Da tarde com...a brisa
Fresca, matinal, não é comparável...
Mas é inolvidável.

No campo existem
Flores de todas as cores,
Ao sol nascer...
Doce sinfonia...que não é para ouvir
Mas para ver...

Ao meio dia os pássaros
Piam, cantam e dão voos rasantes
Sobre a planície...
Usando os seus corpos leves
E sempre muito elegantes.

Na tarde campestre e soalheira
Ergue-se uma brisa muito suave
A imitar  o voo da ave...
Que pousa suavemente na areia.

O vento desce das montanhas
Sorridente,  quer par e não tem,
E então empurra as flores suavemente e assobia
E fá - las dançar
Ao som de uma secreta melodia.

O lusco-fusco imponente e majestoso
Numa tarde de verão...
Mistura o amarelo alaranjado com o vermelho
E deixa extasiada a nossa vista e o nosso coração.

A noite estende o seu manto
Sobre a planície...
Mas qual pintura de Miguel Ângelo
O Caravaggio,  as sombras dão lhe vida
E o  silencio de ouro adormece os corpos cansados
Da labuta do dia a dia.











quarta-feira, 10 de julho de 2019

Os deuses

O tempo da poesia  é claro
É quando os deuses
Decidem fazer...
Uma festa no Olimpo.

Para se entreterem
Deixam cair um pó magico
Em direção há terra só os poetas
O vêem.

Este pó em demasia
Pode enlouquecer,
O poeta menos experiente...
Que fica o dia todo obcecado pelos poemas que
Tem em mente...
E não deixa sair o que respira...
suavemente.

Tem de se sentir o pó
A envolver os sentidos
Depois  é vestir
Os poemas que nesta fase ainda estão  de sentido
Despidos...

Aos poucos o poema
Vai tomando forma, dá coices tremendos,
Garanhão maldito, tem ventas de fogo, não quer ser domado...
Mas depois da luta vai descansar  pastando
Calmamente por um pasto, verde amarelo, pelo poeta inventado.

Lá em cima no Olimpo
Os deuses são informados que um poeta
Fez mais um poema querem ler a obra prima,
Gostam daqueles poemas onde existe pouca palha...
E muita rima.

Desdobram o rolo de papiro
E começam a ler...e leem em voz alta
Para todos ouvirem se for bom aplaudem
E dizem que sim com a cabeça e podem estar nisto a noite inteira,
Por vezes levam alguns poemas para a sua mesa de cabeceira.

Se for mau
Riem - se sem pudor e com desdém
Dizem abertamente “este infeliz coitado
Talento não tem"...

O poeta não desiste
O poema não ficou bom?
Foi do pó magico, estava muito rarefeito,
Por causa disso mas também porque não era o dia do poeta,
O poema ficou sensaborão e imperfeito.
Por vezes o encanto
Do poema perde - se a quem lhe chame
A esse encanto inspiração há quem lhe chame
Pó magico...pelos deuses enviado... é a mesma coisa
É algo que anda no ar e só por breves momentos
Na mente dos grandes poetas poisa.








Da mansarda

Da mansarda da minha sina
Observo  o que me reserva
A sapiência dos livros,
Misturada com a experiência da vida.

Para  mim para ser feliz basta - me observar
As flores do campo,
E o cheiro da palha...
Enrolados entre si e a beijarem - se dolentes  na tarde calma...

Nós somos uma mistura entre a vida
E uma  força vital
Que nos impele a sobreviver
No meio de um pantanoso matagal.

Mas também precisamos de obstáculos
Para  ultrapassar,
Senão ficamos doentes, a nossa alma quer viver freneticamente
E por tudo cá para fora... tudo o que tem em  mente

O que precisamos
Mesmo fazer? Para não enlouquecer
Uma viagem descansada
Ao nosso âmago e ao nosso querer.

Só para ver
Se ainda somos  aquele ser
Que deu à luz uma vida e que teve
Aquela fantasia de criar
O seu próprio  portefólio e de  viver... de uma
Maneira  descomplicada o dia a dia.

Apesar de tudo às vezes
Mas só às vezes gostava  de ser diferente...
Nem que seja por um momento
Mas pode...
A cauda abanar o cão
Pode a árvore empurrar o vento?

Questões...  questões...  questões...
Que mudam consoante a nossa disposição
Mas resposta é sempre a mesma...
O que está na hard-drive determina o que tu és
Não existe chave de fendas para substituir
Essa drive... so get in and drive...drive...drive...
Para onde?Não sei...drive...drive...drive...



































domingo, 7 de julho de 2019

Se...

Se tu amas alguém chamas essa pessoa
E essa pessoa  não vem...
Essa pessoa,
Ama alguém que não a ti.
Deixa - a  partir
E ser feliz com outrem.
Se tu amas alguém,
E se  ao chamares essa pessoa
Essa pessoa vem...
É porque amas alguém,
Que te ama também.
Mas se chamas alguém
E essa pessoa não vem...
Deixa - a partir
E ser feliz com outrem...

Se tu amas alguém...

terça-feira, 2 de julho de 2019

D. Sebastião o regresso do Rei

Sebastião o regresso do Rei

O príncipe real nasceu
Num belo dia de Janeiro e sem o saber 
Iria na história... 
Uma das mais gloriosas páginas escrever.

Este monarca maior 
Era o Rei D. Sebastião...
Da segunda dinastia portuguesa 
Que deixou muito feliz o povo e a ditosa realeza.

Quando o monarca nasceu
Nuvens vermelhas cruzaram a abóbora celeste
E uma nuvem em forma de espada e outra em forma de coroa de ouro
Alguém viu no céu...
E todos pensaram ser um bom agoiro.

O príncipe gostava
Das artes da guerra, manejava bem
A espada, o sabre e o punhal...
Era um dos melhores guerreiros de Portugal.

O D. Sebastião gostava de ler a Bíblia
E era muito devoto...
Conhecia os salmos de cor
Tinha sempre ao pé de si o crucifixo o cilício e o confessor

O Rei leu os filhos do Luís no papel impresso
E ficou muito impressionado...
Sentiu dentro de si o ímpeto da cruzada,
E dizem que deu um urro e beijou a sua espada.

No seu cérebro desenhou
Assim a batalha perfeita...
Atacava os seguidores de Alá na sua terra e enchia se de glória
E aos poucos ia escrevendo a sua história.

O Rei herdou o trono
No meio de muita festa e muitos vivas a El Rei
A alta nobreza queria arranjar lhe um herdeiro
Mas o Rei era exigente
E de acertaram não havia meio.

Muitos tentaram demovê-lo de fazer guerra
Para o norte de africa,
Mas o Rei estava irredutível e queria ir guerrear
E aos golpes de espada a sua Nêmesis superar.

O Rei foi à Espanha
Para convencer o Filipe II seu tio
A ajudá-lo na sua cruzada
Contra os mouros por si planeada

O monarca não foi nisso
E terá exclamado mais tarde
“Se D. Sebastião vencer que genro teremos
Se perder que reino teremos”.

Os que tentaram demover
O Rei era demovido por sólidos argumentos
Ou estes calavam a boca,
Ou iam todos para a forca.


A armada foi construída
Na Ribeira das naus
Pelos melhores carpinteiros e calafates
Que conheciam muito bem as suas artes.

A armada partiu para o norte de África
Convencidos de uma vitória fácil.
Todos queriam nela participar
E a todo o pano começaram a navegar pelo mar.

Estava bom tempo
Os nobres já faziam contas às justas...
Quem é que ficavam com o quê pensavam,
Enquanto os punhais, e as espadas afiavam.

Na nau muito aperaltada
O Rei viajava com os seus correlegionários
A maresia cheiravam...queriam sangue
Queriam guerra,
Alguns ainda novos muito apreensivos estavam
E para regressar à sua pátria
A todos os Santos rezavam.

A armada fundeou ao largo da terra africana
Os soldados de armadura completa
E de viseira puseram os pés em terra
E partiram ainda muito longe da sua meta.

Sol de Agosto
Calor sufocante
O exército português arrastava-se
E já cansado no meio das dunas parou
Um pouco...
E sem saber já estava sitiado pelo exército inimigo que sem
Apelo nem agravo os cercava.

Os exércitos engalfinharam-se
A batalha dos três Reis teve início
Uns combatiam pela pátria, outros
Para a defender outros só pelo vício.

O Rei D. Sebastião na sua armadura
Toda brilhante destacava-se
Em gestos bélicos bem delineados
Deixava os inimigos aos bocados.

Os muçulmanos eram em número muito superior
O Rei português foram rodeando
Os golpes de cimitarra foram-lhe dando
As areias do deserto levantarem-se
Porque ver o Rei perecer mesmo lutando
Não era bem visto e a pátria portuguesa
Aos poucos foi-se enlutando.

Todos estes anos passados
E ninguém esqueceu
El-Rei D. Sebastião ele está 
Na nossa cabeça e no nosso coração

Na actualidade
As velhinhas,
No cais do Sodré
Repetem a ladainha.

O Rei D. Sebastião
Era um bravo
Lutou como um leão
Na batalha dos três Reis.
E pereceu...
O Rei não errou
Foi mal aconselhado
Mas um dia vai voltar
Envolto em gloria rodeado
Pelos nobres pelo povo
Num dia de nevoeiro.


Viagem à Índia II



 Viagem à Índia II

Na Índia fazia falta um homem
De barba rixa para impor,
Respeito e continuar a fazer
O Império português do oriente crescer.

Pedro Álvares Cabral desentendeu-se com o Rei
E não quis ir pela segunda vez à Índia
Talvez a malária já lhe andasse a rondar
A pele e este dispensou regressar ao mar.

A armada de Vasco da Gama
Fez-se ao caminho marítimo
Desta vez eram vinte as naus
Que levavam o brasão de Portugal e as suas armas
Bem ao alto para todos verem

O cabo da boa esperança manhoso
Lá estava, nas suas águas tubarões gigantes
Aguardavam pelos incautos felizmente
Todos passaram no teste e no oceano Índico entraram.

No oceano Índico Vasco da Gama
Ainda longe da terra dos homens de turbante
Revelou a sua mestria
E descobriu as ilhas
Do almirante.

O almirante já não ia para novo
As suas famosas barbas já não eram
Todas negras já havia cabelos grisalhos
Quando as coisas não corriam a seu jeito
Esquecia os bons modos e os seus ataques de fúria
Eram bem conhecidos de todos.

O Miri navio muçulmano
Navegava no Índico orgulhoso e altaneiro
No seu convés viajavam alguns dos mais ricos mercadores muçulmanos...
A ordem era para destruir todos estes navios nem que fosse
Preciso bombarde-lo o dia inteiro.

E assim foi
Num momento menos bom
As bombardas subiram o tom
E fizeram-se ouvirem com estrondo
E depressa apanharam-lhe o jeito
E foi tudo a eito.

O Miri foi destruído e afundado
As crianças foram poupadas
As almas dos que pereceram
Sejam louvadas.

A viagem continuava
A tripulação cheirava o sangue
Que por aí vinha
Os marinheiros não se continham
E à mínima provocação e discussão
Que não eram parcas
Havia amiúde entre eles lutas de facas.

Alguém avistou a Índia
Lá estava a terra hindu onde havia uma feitoria
Portuguesa...onde sessenta lusos tinham sido todos deixados
Mas como Vasco da Gama viria a
Descobrir tinham sido todos chacinados.

As desculpas do Samorim não vingaram
E Calecute foi bombardeada
A ferro e fogo,
Alguns hindus foram cortados aos pedaços
E postos num cesto
O almirante escreveu num papel
Que entregou ao Samorim dizendo – lhe.
Faça caril com isto.

Houve lutas entre o Samorim de Calecute
E o Rajá de Cochim
Os portugueses tiveram de intervir
Para que a guerra tivesse um fim.

Uma feitoria portuguesa foi construída em Cochim
No meio de muitas lutas e muitas febres
Mas a lá se conseguiu fazer
E orgulhosamente as armas de Portugal durante muito tempo
Na sua parede orgulhosamente susteve

Armada regressou
À sua pátria Vasco da Gama
Foi louvado, pelos seus feitos e pela sua coragem
E iria voltar a Índia numa terceira viagem




















quarta-feira, 26 de junho de 2019

Ode ao campo

O campo não tem só uma
Cor... é  multicolor...
Assim são os olhos
Do meu amor.

As flores do campo
São bem servidas de cor...
Assim são os olhos
Do meu amor.

As ervas plantadas
No solo muito vasto formam
Desenhos coloridos...  e tem muita cor
Assim são os olhos
Do meu amor.

O vento que passa
Embala as flores, num doce bailado
De dança e de cor...
Assim são os olhos
Do meu amor.

O campo tem muita vida, e encanto
E flores muito bonitas...de mil cores
Mas a mais linda cor,
É a cor dos olhos
Do meu amor...




Tento

Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...