terça-feira, 19 de julho de 2022

Monologo with a twist


I



Um homem está sentado numa cama num quarto  

O seu nome é Bernardo.

A divisão é pequena tem um armário

Uma cama de casal, numa das paredes à uma janela onde entra alguma luz.

Num bengaleiro está pendurada uma camisa

A camisa é clara e tem finas listas longitudinais azuis.

 

Está nervoso esfrega as mãos freneticamente 

Tem a cabeça baixa, depois levanta – a e olha para a camisa  

Pendurada num bengaleiro.   

 

«Fui sair com a minha amiga fomos a um bar...» 

«Estavam poucas pessoas.»


O homem levanta - se e começa a andar de um lado

Para o outro...iniciando um monologo...


«Depois da refeição pedi - lhe para sairmos para passear

ou virmos para a minha casa mas recusou. »

O homem olha para a camisa pendurada no bengaleiro  

Mas se tivesse levado aquela camisa talvez as coisas tivessem corrido de outra maneira»


Respirou fundo.


«É a minha camisa nova mas estava molhada no colarinho por isso não a levei...se a tivesse levado a Cristina estava aqui comigo assim estou para aqui sozinho...como um pássaro num labirinto que só não sai porque não sabe o caminho nem tem vontade para ir a lado nenhum.»


« A roupa num homem é importante a camisa que levei não combinava bem com as calças, e então os sapatos nem se fala, podiam ter outra apresentação, não estavam bem engraxados, dizem que o primeiro lugar para onde as mulheres olham é para a cara e depois para os sapatos, o calçado não estava em condições a camisa tinha que ser aquele pendurada no bengaleiro escolhi a outra, e por essa razão a Cristina inventou uma desculpa e não quis vir.»

O homem  faz uma pausa. 

«Mas por outro lado se não tivesse tido aquela doença… maldita doença aquela depressão que tive quando era adolescente , apanhei uma depressão e não fiquei bem...ai não fiquei não… só porque menti quando tinha dessásseis anos e ainda levei um tremendo raspanete à frente de outras pessoas nunca percebi muito bem porquê? Deitaram - me logo abaixo.»

Este mundo é terrível e muito belo ao mesmo tempo. Mas para se ter uma vida boa...para isso acontecer ui tem de se fazer muita coisa, e para se fazer alguma coisa de jeito tem que se estar com toda a atenção e é tudo muito complicado e se falha alguma coisa está tudo estragado, e temos de ser de ferro quando somos feitos de carne e osso.»

«...»

«E ninguém perdoa nada a ninguém e vão logo quadrilhar, julgar, criticar, elevar ao quadrado um pequeno erro e espalha - lo aos quatro ventos.

«Voltando à camisa já não a posso ver à frente.»

«Mas porque que é que não levei aquela maldita peça de roupa.»

«Teria sido tudo tão diferente…espera ai mas se calhar a mesa do bar não terá sido a escolha mais acertada mesmo ao lado do W.C que erro mais idiota erros atrás de erros só podia dar no deu a estratégia foi mal definida e pior executada...mas não me sinto culpado de nada.  Na próxima vez será tudo muito diferente camisa nova, sapatos ao point, perfume Dior, mas este perfume é para homens? Se calhar estou desatualizado mas a culpa não é minha e comida e bebida da melhor…»


Batem à porta ouvem - se dois pequenos toques...


«Ai queres ver que não paguei a renda deve ser o senhorio...…ele não me avisou que já devia ter pago…é mesmo incompetente… se calhar se não fizer nenhum movimento e ficar calado o maldito vai - se embora.»


Batem outra vez ouvem dois pequenos toques na porta..»


«É a Cristina.»

«Ai já vou...já vou...»

O homem despe a camisa que manda para o armário...e veste a camisa que está no bengaleiro. Aproxima - se da porta e abre esta.


«Ah olá Cristina.»

« Olá quando me convidaste para vir à tua casa doía - me a cabeça por essa razão não vim mas como entretanto passou decidi vir ter contigo.»

«Ah muito bem entra.»

«Senta - te... na cama.»

«Mas não tens uma cadeira?»

«Não!»

A Cristina sentasse na cama. 

«Mas tu vives num quarto?»

«Sim não sou de Lisboa e estou a pagar uma casa fora Lisboa e por essa razão tive de alugar um quarto é mais barato.»

«Pensava que vivias numa casa.»

« Não é neste pequeno quarto que vivo.»

«Mas se calhar é melhor sairmos para a discoteca para beber um copo… e falarmos…»

O homem aproximasse da mulher e coloca - lhe a mão na perna.

«Estamos tão bem aqui.»

«Olha que não vim aqui para isso vê - lá.»

O homem tenta beijar a mulher na boca.

«Oh pá não sejas estúpido não ouviste o que acabei de dizer...vou - me embora.»

A Cristina levanta - se e sai porta fora fechando atrás de si. 

O Bernardo levantasse da cama e coloca as duas mãos no rosto.

«Oh se não tivesse mudado de camisa nada disto tinha acontecido...»

Ainda com as mãos no rosto mandasse para cima da cama.



Moral da história nos somos sempre os principais responsáveis daquilo que nos acontece

a nossa sorte é que estamos sempre a tempo de mudar.     

   


Errare humanum est, perseverare autem diabolicum - Segundo Santo Agostinho errar é humano mas é diabólico permanecer no erro. (não é uma tradução ipsis verbis tive de adaptar.) 




P.S - Ainda vou ter de rever este conto. 



 



 


    




    


Sem comentários:

Enviar um comentário

Tento

Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...