Um salto de fé
No tempo da monarquia
Prologo
Um imponente castelo medieval
Rodeado por um fosso,
Lá em cima os pássaros aflitos enchem o céu com os seus gritos
Algumas nuvens estão carregadas de chuva mas não chove
Alguns homens enchem o fosso de água…
A ponte levadiça está aberta alguns cavaleiros sentados nos seus poderosos cavalos
Passam por cima da ponte armados com armadura e escudo.
Tudo estremece à sua passagem…
As muralhas estão protegidas por seteiras.
O castelo é de um Rei… senhor de quase todas aquelas terras,
Na torre de menagem ou torre das feiticeiras
Estão presos dois príncipes Miriam princesa de Aragão e Miguel príncipe de Portugal
Têm de doze e quatorze anos respetivamente…
Estavam detidos porque se andavam a cortejar.
O camareiro está nervoso e aflito olha para
O fosso pela janela…
Os homens já acabaram de encher o fosso
Por essa razão afastam - se…
«Amas - me Miguel?»
«Amo - te muito Miriam.»
Os dois beijam - se num beijo prolongado.
«Não façam isso ai meu Deus.» «Exclamou o camareiro»
«Fiquem quietos o Rei está muito zangado… vou por água na fervura.»
O camareiro sai e fecha a porta à chave.
«Vamos Miriam não tenhas medo.»
«Não tenho estou contigo não tenho medo.»
Os seus olhos estão carregados de inocência e felicidade intrínseca
Os dois príncipes deram as mãos passaram pelo janelão…
E pelas colunas deste por terem corpos delgados.
E já no parapeito deixaram - se cair caindo no fosso cheio de água de
Uma altura de trinta e quatro metros.
Naquele tempo a azafama em volta do castelo
Era tão grande que ninguém ouviu nada…
Nos aposentos reais o Rei está impaciente
O monarca está velho tem cabelo branco e barba branca
Usa na cabeça uma coroa visigótica,
Dos seus olhos castanhos parecem sair lume…
Manda que o camareiro
Seja trazido à sua presença.
Antes de entrar nos aposentos reais o camareiro benze - se
E beija o cruxifixo que trás ao pescoço.
«Aonde é que estão os príncipes?»
O camareiro tem cerca de cinquenta anos treme por todo o lado
Tem a boca seca.
Fala muito baixo para não enervar o Rei
«Meu Senhor os príncipes caíram no fosso.»
«O quê? Caíram no fosso.»
«Mandaram - se para dentro da água que existe em redor do castelo.»
«Da torre de menagem?
«Sim!»
Aonde é que eles estão!» « Gritou.»
«Afogaram - se…»
«Oh meu Deus… Os corpos já os encontraram?.»
«Ainda não.»
O Rei olhou para o pescoço do camareiro apeteceu - lhe manda - lo cortar…
Mas eram primos.
«Encontre os corpos dos príncipes…»
«Sim meu Senhor assim farei...»
O camareiro mandou drenar o fosso
Os corpos não estavam no fosso…
Alguém espalhou a boa nova viram dois jovens a correr colina abaixo.
«Os corpos não estão aqui! "Exclamou um dos trabalhadores do castelo.»
«Está bem!» «Exclamou o camareiro»
Passaram alguns dias os príncipes continuavam desaparecidos.
O Rei quis falar com o camareiro.
«Os Príncipes?»
O camareiro continua a falar baixo sentia que não tinha forças nas pernas
«Viram os...príncipes num lago a banharam - se.»
«O quê você está doido? Vá busca - los.»
«Mandei os cavaleiros procurar.»
«Os cavaleiros? E quem é que defende o castelo? Mande os moços de estrebaria atrás deles»
«Sim meu Senhor.»
«Vivo ou mortos mas traga- os percebe.»
«Não isso não!»
O olhar do camareiro poisou no sabre que o Rei tinha preso à cintura por meio segundo.
«Sim? Está à espera de quê?»
«Mas são crianças…»
« Sabes que o príncipe estava prometido a um princesa de Castela? Queres guerra?
« Não vou procura - los com licença sua alteza».
O camareiro procurou os príncipes durante vários dias levando sempre
Os moços de estrebaria para norte.
«Mas não devíamos ir também para sul?» «Exclamou um moço de estrebaria
«Não eles estão por aqui...eles estão, por aqui…» «Exclamou o Camareiro comovido»
Os moços de estrebaria olharam uns para os outros
mas não disseram nada.
O fiel servidor do Rei estava esgotado e desesperado sentou em cima de um tronco.
Nem as flores a serem embaladas pelo vento, na planície lá ao fundo
Muito menos o rio com as suas águas calmas e serenas ou o chamamento das aves num chilrear profundo
O animava…tudo lhe parecia muito cinzento e sentia tremores nas pernas.
O grupo procurou… procurou pelo meio das silvas, das urzes e das arvores.
E nada encontrou.
O camareiro voltou aos aposentos reais...passados alguns dias
«Os príncipes..?
O camareiro sentiu - se a desfalecer...
«Nada ainda nada…»
«O que é que tu andas a fazer? Estás a fazer de propósito?» «Gritou o Rei.»
«Não!»
«Não consegues encontrar duas crianças?»
«Talvez Deus e o nosso Senhor Jesus Cristo queiram que eles ficam um com o outro...»
«O que dizes?»
Dos olhos do camareiro rolaram algumas lágrimas…»
«Talvez seja por vontade de Deus que eles ficam um com o outro.»
«Enlouqueceste? Continua a procura deles.»
«Sim meu Senhor.»
O Rei ficou a pensar nas palavras do camareiro, sentia - se triste pelos príncipes terem abandonado
O castelo, por outro lado, o príncipe era o terceiro na sucessão ao trono, o Rei também já estava farto daquela fuga.
O camareiro procurou durante muito tempo…
As duas crianças sem sucesso…
E regressou aos aposentos do monarca.
«Os príncipes aonde estão?»
«Parece que os virão num monte a norte daqui.»
«Primeiro era num lago agora já é no monte.»
«Sim meu Senhor.»
O Rei respirou fundo abanou a cabeça e nunca mais perguntou pelos príncipes.
Epilogo
É noite escura só se ouve os grilos e o uivar do vento
O camareiro segura um burro pelas rédeas,
Numa terra a sul e longe do castelo…
O animal vai carregado com comida e agasalhos olha de vez enquanto
Para trás para se certificar que não é seguido, para junto de uma velha casa…
Os príncipes estão lá dentro mal sabe o Rei que o Príncipe era filho do camareiro.
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