segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Decidiste

  Decidiste entrar quando tudo 

  Pedia para saíres …

  Por aquela porta estreita,

  Que existe na tua alma 

  Não foste tu que escolheste a poesia 

  Foi a poesia que te escolheu a ti.

  E agora admiras as flores que criaste 

  No teu jardim encantado

  O significado …

  Que lhes destes à muito foi reinventado

  Por outros,

  Porque quem lê procura nas palavras 

  As suas vivências …

  O que fica então dos poemas que escrevemos?

  Talvez o título e um pouco de respiração, sangue, suor e música 

  Que damos ao poema para que ele possa 

  Viver entre as pessoas …

  E eles vão por ali fora e descem o rio 

  Querem alcançar o oceano 

  E nem esperam pelos ventos alísios 

  Querem ultrapassar o cabo bojador 

  Serpentear as ondas como se a vida 

  Fosse um bailado cheio de ritmo, risos, e pedras coloridas 

  Onde só fosse preciso agarrar 

  No nosso livre arbítrio, na nossa coragem, e no nosso brilho no olhar …

  Para realizarmos todos os sonhos 

  Que temos por concretizar.

  Sejam eles pequenos, médios ou grandes 

  O que interessa é que sejam nossos …  

  Por essa razão vais colocando poemas 

  Nas encostas que vais avistando 

  E dizes isto é meu …

  Enquanto rabiscas palavras num papel.

  O que para os outros são sons dissonantes 

  Para ti é música celestial que vais ouvindo 

  E traduzindo mas quem ouve 

  Reinventa e não sente o mesmo que tu 

  Talvez o encanto da poesia seja a capacidade 

  De sonharmos embalados pelos dizeres 

  Que alguém escreveu mas intuindo

  Os nossos próprios sonhos, vaidades, impressões e vontades …

  

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

A flutuar

 Na vida queremos tudo 

 Em pouco tempo …

 Cientes que sabemos o que queremos,

 Fazemos acontecer o que predissemos.

 E ficamos felizes … por um momento...

 Sentimos uma satisfação interior 

 É algo que nos põe na lua

 Bem dispostos, orgulhoso de nós mesmos.

 Sentimo-nos a flutuar no espaço.

 Depois vem o marasmo, o medo, a angústia 

 Porque temos de voltar 

 Ao nosso querer, 

 À nossa vontade …

 Para saber o que fazer a seguir?

 E perguntar-lhes para onde vamos?

 E por vezes, este vazio …

 É difícil de suportar ficamos ansiosos, perdidos, as vezes um pouco tristes …

 Mas é neste céu por vezes, azul 

 Outras vezes, carregado de nuvens que o nosso

 Destino carrega energias …

 Sentir um vazio é de alguma maneira bom 

 Porque estamos a procura do nosso caminho

 Tendo várias direções à disposição acabamos 

 Nem que seja por tentativa e erro 

 De saber para onde vamos.

 O equilíbrio vem de sabermos o que queremos 

 Mas uma certa confusão mental 

 E angústia faz parte de nós porque uma coisa 

 É sabemos qual o nosso destino …

 Outra coisa é perceber que para o conquistarmos 

 Temos de ir resolvendo todos os problemas 

  Que nos vão testando … preocupando, esgotando ...

  Se aquilo que fazemos nos deixa felizes 

  Temos de ir conquistando as nossas metas

  Aos poucos acreditando que vamos conseguir vencer 

  Mesmo que cometamos de vez enquanto alguns deslizes …

  A nossa vida é como uma nuvem que se converte e desconverte às vezes,  carregada de chuva, e por vezes leve como uma pluma … 

 Deixa - nos tranquilos enquanto apreciámos o quanto já conseguimos alcançar na nossa vida.

sábado, 30 de setembro de 2023

Em azul

Gosto de pensar em azul 

Abrir janelas nas paredes, 

Voar por cima dos meus montes 

Para ver se eles ainda lá estão ...

Gosto de ter saudades de lugares 

Onde nunca fui ...

De camas onde nunca poisei 

O pensamento ...

De estrelas onde nunca olhei 

O firmamento ...

De bocas que nunca beijei  

E de corações que nunca toquei 

Com o mais profundo toque da minha alma.

Ninguém tem culpa 

Se por vezes quero pensar ... 

E não consigo criar nada de consistente 

É um lento vaguear ...

Por caminhos novos tão diferentes

Que é preciso tempo para assimilar 

Tudo o que vemos e não vemos.   

Ás vezes é mais o que não observamos 

Que nos faz sonhar ...

Mas que toca em algo que amamos profundamente 

Subimos mais um degrau  na escada da vida

E ficamos a rir de nós mesmos, alegremente ...

À sentimentos e emoções que só um sonhador percebe.

O mundo é muito grande mas nos somos a nossa memória 

Futuro, poesia e prosa,

Pelo menos para mim ...

Colho os poemas que plantei no meu jardim. 


Por entre sombras

A minha caravela parece sem rumo 

No mar? 

Ausente de vontade …

Confusa, suportada por um marasmo doentio?

Talvez mas, por vezes, são tantas as tarefas 

Que o que queremos produzir, 

Fica emaranhado num horizonte de sombras

Que gritam porque também querem existir. 

E ameaçam que são vão embora

Que nada voltará a ser o mesmo

O talento se não for exercitado esgota - se 

Desvanece quer romper o contrato 

Enroscasse no seu covil 

E depois quem o tira de lá?

Desci pela encosta para ir ver …

O Sol a nascer, o mar a tremer, ainda meio a dormir

Sacudido pelas ondas, o horizonte azul num lento acordar …

Os raios do astro solar a aquecer com  os seus raios

Rostos, pessoas, animais, flores, poetas,

E afins... tudo onde consegue tocar ...   

Tudo isto inspirou - me  a escrever estes poemas

Que pretendo dar ao mundo...

Mas tenho de subir a encosta 

Longa e tortosa,

Ler livros de sapiência reconhecida

Conhecer novas terras, viver, 

Socializar, partir, conversar ...

Sentar - me um pouco e do fundo do  poço      

Tirar papel e caneta e da minha poesia disfrutar ...

E depois das primeiras estrofes 

Agarrar no meu ser e juntos, 

Pelo vasto oceano do conhecimento e da criatividade 

Navegar ... procurando terras férteis

Onde meus poemas possam dar ao mundo 

Novas sementes que vão produzir 

Alicerces para cada vez a humanidade possa ver mais longe 

Talvez a solução para os nossos problemas 

Esteja lá ao fundo no horizonte ...

É só uma questão de o irmos percorrendo com um olhar

Altruísta, filosófico, humanista...  

  


    


    

sábado, 16 de setembro de 2023

Rochas na água

 À rochas na água 

 Vindas do nada 

 À rochas …

 Na água,

 E tens das evitar 

 Com todo o cuidado 

 Se quiseres continuar 

 A tua vida em que a única 

 Coisa que pedes é que te deixem 

 Viver com regras iguais para todos.

 No teu trono supremo das águas 

 Já meio gasto mas ainda sóbrio 

 E com a vontade maculada 

 Sobes a costa, sobes subindo 

 Suando frio, cansado e preocupado  

 Mas sobes a costa 

 Como uma ave perdida 

 À procura do seu ninho …

 Mas sobes subindo …

 Porque é que ninguém te disse

 Que este teu fado era assim

 Tão complicado …

 À coisas que se subentendem 

 Outras que vão surgindo …

 À medida que se vai vivendo.

 Mas as promessas que te trouxeram 

 E te serviram à mesa

 Pareciam um repasto digno de Reis 

 Sob uma toalha azul e branca.

 Um candelabro de velas iluminava 

 O cenário como numa peça de Molière

 Lá fora num pequeno jardim 

 Ouviram - se os passarinhos

 E a verdura convidava 

 A soltar as amarras 

 Da caravela que urgia em partir 

 De velas engalanadas pronta a sulcar 

 Marés e correntes …tempestades e novos horizontes

 E tudo parecia tão idílico

 Como não aceitar este tesouro …

 Mas a ambição tem um preço 

 Estava escrita em letras pequeninas 

 Não vi … não li fiz de conta que não eram 

 Para mim …

 Mas por vezes do horizonte

 Lá ao fundo …rasgasse o mar 

 E as paredes … e surgem algumas 

 Redes para te amparar, 

 Enquanto sugas tudo com o teu olhar.

 E pode - se ganhar grandes coisas 

 No meio deste descobrir interior …

 Nos recebemos o que damos …

 Mesmo que não queiramos 

 Porque não arriscar de vez 

 Enquanto … ainda mando no meu destino.

 Mas à rochas na água mesmo 

 A beira da praia …

 De dentes afiados e algas 

 Escorregadias …

 Veem - se bem do anoitecer à alvorada 

 Deixa te estar não te vás afogar 

 Arrisca só quanto baste …

 Para alcançares os sonhos perdidos 

 Que chamam por ti no meio do caminho 

 Mas não convém dar mais do que tens,

 Para oferecer … não cais no erro de te perderes …

 À rochas na água …

 Vindas do nada …

 À rochas na água …

 

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

A rasgar montes

 Tu vens e vais 

 Escreves e opinas 

 O que fica da tua historia?

 Talvez nada … talvez tudo …

 Ninguém sabe …

 Vens por aí a cima 

 E rasgas vales e montes

 Numa aventura dos sentidos

 Procuras os sonhos prometidos 

 Que percebeste que para ti

 Faziam sentido …

 Desde que não fiques soterrado 

 Pelas pedras que deslocas 

 Tudo bem …

 Ninguém te pode segurar.

 E olhas as luzes da estrada 

 Que não te dizem nada mas dizem tudo 

 Como se o futuro tivesse já ali

 Na próxima curva …

 Não conheces ninguém

 Por aqueles caminhos 

 Por onde andas …

 Mas vais na mesma.

 E tudo é novo … e tudo é fresco …

 Como a água da ribeira logo pela manhã …

 O que te liga aos outros?

 A mesma língua, o mesmo vento,

 A mesma cultura,

 As mesma estrelas que olham para nos do firmamento

 À tanto tempo …   

 Que é quase loucura não querermos perceber

 O que nos querem?

 Porque iluminam a triste sina humana

 A tanto tempo … seremos apenas

 Um contratempo a viajar pelo espaço

 Escuro e sombrio?

 Ou existe mais qualquer coisa 

 Que desconhecemos que de sentido …

 A isto tudo,

 Será que nos olham com ternura 

 Ou desalento?

 Tantas promessas por cumprir 

 Quando é que salvamos o mundo?

 Tem de ser já …

 Se cada um de nós fizer a sua parte 

 O mundo acordara um dia são e salvo 

 De todas as agruras que o vai desnudando 

 Do seu cariz protetor da humanidade.

 Que não nos falte para atingir

 Esse desiderato …

 Amor, engenho e Arte.

  





sexta-feira, 25 de agosto de 2023

A fábula das flores e da donzela

 No tempo em que as flores falavam 

Uma donzela passeava pelo campo observava tudo em seu redor as árvores, as flores, a água que escorria de uma cascata, o céu azul as nuvens, um rebanho de ovelhas que pastava lá ao fundo no vale.

A donzela prestava sobretudo atenção as flores, sorrindo quando se apercebia da beleza das mesmas, fazendo tudo para evitar pisar as flores ou mesmo arranca - las para as levar para casa. O seu sorriso era doce e revelava uma pessoa de bons sentimentos.

A sua beleza e candura não passou despercebida as flores, que pupilavam um pouco por todo o lado, estas eram de tamanho pequeno, médio, e grande as cores variavam, havia amarelas, vermelhas, verdes, azuis, cor de laranja e lilases. 

As flores começaram então a falar entre elas enquanto observavam a donzela. 

<Quem é?>

<Uma donzela ou princesa.>

<Mas que veio para aqui fazer?>

<já pisou algumas das nossas irmãs.>

<Não está a ter cuidado.>

<Não digas disparates não as pisou por um triz.>

<É bonita?>

<Já vi choupos mais bonitos.>

<E está sempre a sorrir.>

<Pois está deve ser tonta.>

Uma flor mais velha da cor do limão ficou muito  incomodada com os comentários depreciativos que ouviu e decidiu intervir.

<Mas que comentários são esses? Estão com inveja da donzela por esta ser tão bonita?>

<Inveja mas nós também somos muito bonitas.>

<Não me estou a referir a beleza exterior mas a beleza interior.>

<O quê? Que disseste?>

<Sim vocês ouviram a beleza exterior, todas a podemos adquirir ou ter mas a interior, depende da pessoa e dos seus bons sentimentos, existem seres que por serem boas pessoas desenvolvem um brilho interior muito grande porque são generosas, e gostam de ajudar o próximo é desse brilho que vocês tem inveja e isso é muito feio.>

<Nós não estás equivocada!>

<Não digam isso estive a ouvir os vossos comentários a donzela nunca vos fez mal porque é que a estavam a criticar?

<Porque sim porque … está se a armar aos cucos … quer fazer nos sombra é isso e …>

<Mas a donzela está só a passear e a cheirar as flores divertindo se com a beleza do vale. Não julguem sem conhecer, não tenham inveja do brilho interior das pessoa é má educação. Qualquer pessoa por mais bonita que for,  por fora se não for bonita por dentro em contato com as outras pessoas vai se tornando feia já pensaram nisso? Não queiram ser assim.>

As flores resmungaram um pouco mas tiverem de aceitar que a beleza da donzela, e a sua candura era digna de registo e que era feio ter inveja do brilho interior de alguém, e prometeram doravante não julgar sem conhecer e apreciar os bons sentimentos das pessoas sem as criticar mas sim agradecer por ainda haver boas pessoas no mundo.

Tento

Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...