domingo, 31 de agosto de 2025

Momentos

Na vida temos de saber apreciar todos
Os momentos como por exemplo:
Beber café por uma caneca logo
Pela manhã …

Se algumas pessoas
Apreciassem o café pela manhã
O som dos pássaros,
O vento no rosto …
Uma boa conversa,
Não havia tantas guerras e tristezas por esse mundo fora
(mas nós somos pessoas ou animais ferozes?).

Acabem com as guerras
É que é algo horrível e triste
Qualquer dia tem de se inventar
Uma nova palavra para a definir
De tão cruel e insana que é.

Mas aonde está o sumo
Do teu arvoredo?
Nas palavras que escrevo
E que substitui a minha voz.

Vénus sorri lá ao fundo
No cotovelo do Universo
Está em contacto com a lua
Que ilumina os amantes a seu belo prazer.

Este (vénus) é que diz as mulheres
Por intermédio da Lua …
Quem escolher para esposo,
É nos homens a pensar que tínhamos
Algo a dizer sobre o assunto.

Cá em baixo
Os humanos lutam
Pela sua sobrevivência
Só para manter a sua elegância natural
Tem que dar muitas voltas.

Novo dia
Novas atitudes
É um dia de cada vez
E o mundo vai e avança ...

Pela janela ...
Ouvi o sorriso de uma criança
Que tem de ter planeta
Aonde dormir e brincar,
Um planeta tão bonito
Tem de durar mais alguns milhões de anos …

Pelo universo adentro vamos
Mas quem é que vai aos comandos?
O planeta já sabe o caminho
É sempre ao redor do Sol
Não há que enganar …

Sai mais uma caneca de café
Para apreciar …
E refletir,
Um pouco sobre a existência …

Quantas flores a alma pode
Carregar e distribuir por ai …
Por toda uma geração de conterrâneos.
(ilimitadas presumo)

sábado, 30 de agosto de 2025

Pedestal possível

Expectativas ganharam
Asas e voaram para fora
Do meu pedestal …
E olham para mim à espera que aconteça
Algo de colossal …

Mas ninguém é antes de o ser
Nada sei sobre o meu futuro …
So tenho experiência daquilo que vejo
No decorrer da minha simples vivência.

Escrevo enquanto grito
Palavras que depois se transformam
Em granito e já não se ouvem …
É preciso alguém para as ler.

Para que estas possam viver
Neste labirinto de emoções,
Que é a liberdade de se poder dizer
O que se pensa.

Serão sempre preciso pessoas
Para reconhecer
Os nossos sonhos
No meio das estrelas …

Sigo algumas para procurar inspiração
E estas estão lá sempre
Que preciso,
De dar atenção,

Ao meu livre arbítrio e as minha alminhas
Que vou alimentando
E que me seguem por todo o lado
E que vou amiúde
Criando …

Vou a todo o pano
Sigo viagem
Uso a cabotagem,
Olho para margem
Para não me perder.

Lá no mar alto existe
De facto …
Muitas distrações a acontecer
E não se vê terra ...

Nunca sabemos o que encerra
O desconhecido
É fácil ficar perdido
Na imensidão do inexplorado e misterioso.

E depois quem nós salva?
Se a nossa barca errar o destino
Quando nós lembramos
Que não era por ali
Que deviamos ter ido ...

Aonde é
Está a mão
Salvadora
Que trabalhou tanto
Na lavoura …
De Sol a Sol …
Para nos ver sorrir?

Está bem lá
No alto 
A zelar
Por nós.

Não trago nas mãos
O esquecimento ...
Não esqueço quem me criou
E animou quando tudo ...

Parecia perdido
Fruto da ingenuidade e da candura
De quem ainda não conhecia
Bem o mundo em que vivia …
E que sorria para tudo e todos.

Mas a sobrevivência
E uma ciência
Quando a dominamos
Ficamos a rir,
Dos erros da nossa adolescência,
Mas que não são para esquecer são só para não repetir …

Ah como é belo e desafiador o voo
Das nossas almas
Quando se percebe
Que se partiu em viagem com a
Roupagem criada por si.
Pode não ser
Espampanante (mas são elegantes aos olhos de quem a veste).

E voa hesitante
No meio de ventos fortes e desnorteados,
Mas procura o seu ninho
No ramo mais alto.

Para ver lá ao fundo

O que de mais profundo
Tens dentro
De ti
Oh Arte.  

Dou o que tenho
E a nada mais sou obrigado
Prefiro ser prosaico a ficar calado
Sou poemas de um sonhador
Que dormita na minha pessoa
E que de vez enquanto implora.

Para passear
No meu jardim …
Reconhecendo a minha vontade de
Escrever e redigir …
Mas tão longe do pedestal que um
Dia alguém sonhou para mim …

Mas escolhi o meu destino e nele faço fé
E por outro lado … como é que se sai
Daquilo que se é?
(Sem de deixar de ser verdadeiro consigo mesmo).

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Extensões de mim

Quando era pequeno
Tinha sonhos agora tenho
Extensões de mim …
Que se querem afirmar.

Sigo a minha trajetória
Fujo mas não me vou embora
Não existe sítio seguro
Aonde me possa abster de mim. `

Da competição não gosto
Entrego as faixas de campeão
A quem perceber que corto sempre
A meta em primeiro quando estou a escrever (pelo menos para mim)

Talvez não seja tanto assim
Mas quem não acredita
Em si … não regará as flores do seu jardim
Só sentirá o cheiro de flores alheias.

Acreditar é preciso
Não viver obcecado é condição essencial
Para a qualquer momento voltar
Tudo ao princípio … e isso não me convém. 

A estrada é uma porta 
Para quem não se importa
De se esquecer um pouco de si
E não ir por aonde vai …
E perceber que o mundo é um reflexo
Da sua personalidade e dos seus parametros ancestrais.

Vou por ali
Mas não por aqui
Quem me colocou o que vejo
Na minha frente foi a personalidade
Que tenho …
Só vejo o que quero
A parte que não vejo não me diz respeito.

Somos o que comemos, bebemos
E lemos, não o podemos ignorar,
Mas nada fala mais alto
Do que aquilo que vemos e com quem andamos…,
O resto é consequência da nossa condição de humanos …

Ladainha

Seguias durante o entardecer
Mesmo ao lado da minha estrada
E agora dizes que não foi nada (bis)
Mas durante a desfolhada encontrei o milho vermelho
Oh menina por aonde foste (Bis)
Só te quero dar um beijo
A tradição fez o despacho
E às escuras não te acho
Só quero te quero dar um beijo
Não é razão para ires ao confessionário …
E também não sou revolucionário,
A tradição fez o despacho
E às escuras não te acho
Foste por ali a fora
Não fujo nem me vou embora
Fica tudo em segredo não saio daqui
Não tenho medo … sei que não vou parar
Ao degredo … isso era antigamente ...
Isto funciona assim: encontrei o milho vermelho
Vou ter de te dar um beijo
Ou dois depois logo vejo
A tua carinha laroca
Não vai fugir para a toca
Ou não gosto mais de ti (bis)
Oh mulher és estão bonita
Mas não te vou pedir em namoro
Só te quero para te beijar.
E não podes levar mal
Porque encontrei o milho vermelho
Mesmo dentro do teu quintal
E a tradição é para respeitar (bis)
E não vou ficar borracho
Só porque as escuras não te acho
Aí … aí … ai …ai …
Oh Maria para aonde vais (bis)
Vi te a subir o carreiro e agora não te vejo …
Viram te a namorar com um velho
Que tinha tanto de idade como tinha de engenho …
Ai … ai … ai …ai … oh Maria para aonde vais (bis)
Vou ter de dizer aos teus pais por aonde andas e com quem vais
Vou ter de contar aos teus pais … (bis)
Tens de cumprir a tradição
Não me deixes com o milho na mão
E a minha boca seca de beijos.
Oh menina para aonde vais?
Só te quero dar um beijo
A tradição fez o despacho
E as escuras não te acho …
Aí … ai … ai … ai oh Maria para aonde vais (bis)
Olha que vou dizer aos teus pais …



quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Porquê?

Fui por ali fora
Escrevendo palavras decentes
Impedindo que estas caíssem
Para a borda da estrada
Obstando que se sujem ou que se danifiquem …

A estrada é empoeirada
Cheia de buracos e pó
Mas para mim …
Parece um monumental jardim
Cheio de flores.

Um lago no meio
Do arvoredo,
Que guarda mil segredos,
Daqueles que escolhiam aquele
Lugar para namorar …

Quantos promessas
Foram ditas …
Quantas verdades
Foram proscritas pela realidade?

Um pouco mais
Para a frente ruínas
Do que antes foi um palácio
Aos olhos de alguém,
Que sempre fez tudo para o merecer
Mas que o tempo resolveu abandonar
E esquecer …

Campos sozinhos
De vontades e designios 
Esperam por mão anónima,
Que lhes concedam
O esplendor de outrora.

O som luta para
Se fazer ouvir …
Procura pessoas
Para voltar a sentir
A voz dos homens, mulheres
E das crianças sempre a sorrir.

Lá ao fundo
No monte árvores
Vestidas de preto
Envergonhadas e melindradas
De tão d
espidas que estão,

São um cruel lembrete
Que só existem dois
Tipos de pessoas
No mundo …
As que constroem

E as que destroem impunemente.
E ficam livres para continuar
Os seus actos tresloucados,
Ficando o futuro de todos nós ameaçado.

Porquê? Deixar soltos semelhantes monstros?
Estão doentes tratem-se!
Ou serão vulgares meliantes
A soldo de alguém?

Precisamos das árvores
Para respirar …
Não servem só para inspirar
Poetas, cantores, atrizes e actores

E para enfeitar montes e vales
E dar bons cheiros e boas sombras
São o garante da sobrevivência da espécie humana …
Não podemos continuar ...
A destruir o nosso lar (planeta terra),
Precisamos das árvores para respirar!

domingo, 24 de agosto de 2025

Esboços

Quero partir as correntes
De uma existência pueril …
Colocar grades em abismos
E subir montanhas prenhes de novas ideias.

Mas o caminho
É longo e espinhoso não é
Fácil ler nas entrelinhas
Ou fazer um esboço do que quero escrever.

Num oceano só vejo a superfície
O que estará por baixo
De uma massa de água tão grande?
Que segredos podemos descobrir se formos ousados.
E sem medo de sermos ignorados?

Quero construir
Um paredão que não deixe
As nossas almas caírem
Para o oceano do marasmo e
Da prostração.

As pessoas tem que perceber
Que o mundo está
Sempre em mudança
Temos que nos moldar a essa modificação constante,
Ou seremos irrelevantes ...

Para não ficarmos para trás
Temos de auscultar a nossa essência
Procurar na turbulência dos nossos dias
Um rumo qualquer que nos faça felizes.

Também podemos embarcar
No navio que está no cais à procura
De pessoas que queiram embarcar com destino ao mainstream …
Que é aquele local aonde só existem
Banalidades, limbos, encruzilhadas nada de novo portanto
Só pessoas à espera que a vida mude só porque sim … 

Levanto as correntes
Que me querem certinho e contente
Desaperto os grilhões
Que me querem calado e mudo.

Espero que a minha 
chegada
Me faça partir outra vez ...
Porque só tenho saudades 
Dos locais aonde nunca fui.

O valor do que escrevo
Está no processo ...
Que vou construindo,
E sentindo que vou abrindo portas.

Restaurando ruínas, 
Calcorreando caminhos desconhecidos,
Procurando frases que nunca foram proferidas,
Que de outra maneira 
Ficariam no meu interior perdidas.

Como um chão
Que já deu uvas
E agora só quer esquecer
Que um dia sonhou ousar viver.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Do outro lado do monte

Zona limítrofe de Lisboa numa tarde muito quente, Lucas procurava no lixo qualquer coisa que pudesse vender, era tóxico dependente de heroína a alguns anos a esta parte. Fartou-se de remexer no lixo e nada não conseguia encontrar um objeto que conseguisse vender no sucateiro. E já sentia a ressaca a percorrer-lhe o corpo e as dores nos rins eram insuportáveis. Decidiu parar um pouco e ir ao café beber uma cerveja porque a ressaca não ficava tão forte. Entrou num café que conhecia, foi ao balcão e pediu uma cerveja.
Lucas tinha trinta e quatro anos mas parecia mais velho ja só era pele e osso. Vestia umas calças de ganga todas encardidas e uma camisa castanha rota debaixo dos braços, drogavasse desde os vinte e picos anos e estava farto das ressacas queria sair da droga mas não sabia como. Reparou que numa das mesas estavam várias pessoas havia uma delas que se destacava, um homem dos seus cinquenta anos com um chapéu palhinha branco na cabeça, calças de ganga, camisa branca e botas castanhas,
Lucas gostava de ouvir as pessoas falar, pegou na cerveja e sentou-se numa mesa ao pé deles, começou então a ouvir a conversa concentrando-se nas suas palavras.

 <O homem é um ser engraçado todos nós temos um lado positivo que é a nossa vida do outro lado, do monte está o nosso negativo, este negativo é o contrário daquilo que somos, se quisermos e for melhor para nós podemos tornarmo-nos no nosso negativo.
<Mas professor depois ficamos como fôssemos o negativo.>
 Lucas percebeu que o homem era um professor.
 <Boa pergunta Maria. 
Sim durante algum tempo mas depois se nos transformamos no nosso negativo este vai se transformar no nosso positivo. E a vida que tínhamos anteriormente vai se transformar no nosso negativo e vai viver para o outro lado do monte e vamos continuar a estar sempre nesta tensão entre sermos o positivo que por vezes se quer tornar no negativo e vise-versa.
 <Professor podia dar um exemplo.>
<Sim Mateus posso com certeza. Imaginem que uma pessoa tem uma vida miserável fuma, drogasse e bebe muito tem emprego que lhe paga mal porque desistiu da faculdade. Do outro lado do monte temos o seu negativo não bebe não fuma não se droga fez o curso na faculdade todo certinho e é casado tem dois filhos. Com certeza que neste caso o positivo gostava de se tornar no seu negativo e ter um vida muito melhor. Mas isto foi só um exemplo.>
Lucas sentiu se um pouco triste porque foi aluno na faculdade e desistiu no segundo ano.
<Por outro lado muitas vezes o nosso negativo também poderá ser algo que não nos queremos tornar imaginem, o positivo não bebe em excesso não fuma e um pessoa certinha com certeza que não se quer tornar no seu negativo quer continuar a ser o positivo. No fundo esta filosofia pode ajudar as pessoas porque podem ter um noção clara do seu negativo principalmente se não gostarem da vida que tem e pensar nos prós e nos contras e o que resultará se quiserem mudar para o seu negativo acho que facilita um pouco as coisas se pensarmos que algures existe o nosso negativo e se quisemos podemos mudar de vida ou não depende de cada um de nós.
<Tem razão professor.>

Lucas ao mesmo tempo que bebia a cerveja pensou no seu negativo e imaginou uma pessoa que não se drogava não fumava, bebia com moderação casado com filhos que viajava pelo mundo todo contente e ele não conseguia sair daquela vida miserável. Prometeu a si mesmo que ia tornar-se no seu negativo custasse o que custasse. Mas não sabia como fazer … Bebeu a cerveja pagou-a  no balcão saiu do café e dirigiu - se para a lixeira para procurar sucata estava um calor abrasador, Lucas já andava quase de rastos e sentia-se mal já na lixeira procurou por todo o lado sucata mas não encontrava nada de jeito para vender as suas penas começaram a tremer e já não tinha forças sentou se no meio do lixo a chorar.
<Ja não aguento mais …!>
Um silêncio total invadiu aquele espaço.
<Ninguém me ajuda. Deus ajuda-me! > De súbito Lucas começou a ouvir vozes levanto-se e viu umas pessoas que conhecia por aparecerem por ali a ajudar os sem abrigo, foi na sua direção viu então uma pessoa que conhecia a dona Madalena talvez lhe pudesse pedir ajuda.
 <Olá Lucas.>
 <Olá dona Madalena.>
Cumprimentaram - se com um aperto de mão.
<Como é que tu estás?>
<Estou bem quero sair da droga.>
<Estas sempre a disser isso.>
 <Mas desta vez e verdade quero tornar-me no meu negativo.>
 < O que?>
Lucas contou a história que tinha ouvido o professor contar.
<Bom se é a sério podes contar connosco podes ir para a clínica de reabilitação e começar o tratamento de desintoxicação.
 <Esta bem aceito.>

 Lucas foi no carro com a dona Madalena para a clínica de reabilitação, só pensava no seu negativo do outro lado do monte, a viver uma vida cheia e a viajar por todo lado com a sua mulher e filhos queria tornar se nessa pessoa por mais que lhe custasse.
Lucas sofreu muito mas consegui libertar se das drogas arranjou um emprego, casou tem dois filhos, e o seu positivo passou para o outro lado do monte tornando depois no seu negativo e Lucas não mais quis ouvir falar dele só se lembra do seu negativo, quando quer ficar muito longe da vida que tinha, gostava de agradecer ao professor pelos conhecimentos que lhe passou mas nunca mais o voltou a ver. Encarou aquela história que ouviu no café naquela tarde como uma porta de emergência pela qual resolveu sair e que lhe salvou a vida. Vive no campo rodeado de árvores, flores, pela sua família e é muito feliz.    

Tento

Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...