sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Guarda os ciumes

Guarda os ciúmes
Para outra hora …
Guardas os tormentos
E a insanidade.

Porque quem ama de verdade
Não desconfia da sua dama
E a defende sempre …
A sua dignidade, em vez de inventar coisas que não viu.

Se bons ventos e mares
A trouxeram junto a ti
Vindos do horizonte,
E que iluminam toda a tua vida …
Não a tomes por perdida só porque
A cisma entrou na tua mente

E como uma serpente
Anichou se no teu coração
Espalhando a dúvida
E a confusão.

Mas o ofídio é persistente
E fez de ti o seu resguardo
Despido de ternura
E de compaixão …

De olhos estendidos nas órbitas
E sem pestanejar … tenta instigar te contra a tua afeição.
Faz então ouvidos de mercador
E não alimentes o soturno animal

Que se nutre das tuas dúvidas e incertezas,
E deixa o partir para a profundezas
Da tua alma …
Porque nessa fundura não te pode fazer nenhum m
al.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Vidas

Os deuses puseram-me isto na cabeça (a poesia)
E agora para aonde vou?
Enrolo-me na cama em posição fetal
E espero dormir mais um pouco.

Os dias passam ligeiros …
E não querem saber quem lá vem
São sopros de poeira inter estelar
Na imensidão de nós mesmos.

Alguém que agarre o tempo
Ou peça ao planeta Terra
Para ir mais devagar …
Os dias não dão para nada e
Passado algum tempo já é hora de ir deitar.

Leio um livro
Lavo a roupa
Como os legumes e a sopa
Dou uma volta no mainstream
Bebo o café …

Janto enquanto alguém
Me conta …
Numas palavras singelas
Que me encantam, 
Uma viagem que fez à França …

Escrevo um poema que rime
Ligo a alguém 
Que me estime
Vejo um filme …

Adormeço ...
Depois de escrever 
Palavras,
Que nunca te vou dizer

Estou ensinado a percorrer
O meu dia de trás
Para a frente …
O que faria diferente?

Se em vez de mim fosse outra pessoa?
Para perto da minha pessoa nado
Porque não quero tal incerteza em mim
O meu cabelo afago ...
Tento não pensar em nada
Que me aflija …

Mas reflito no que seria
Se não tivesse a poesia
Mesmo aqui ao meu lado
Aceito a minha sorte ...

Ao menos sei que o meu Norte
É por aqui … mas
É uma amante difícil de aturar
Escrevo porque não se vai calar.

Mas sempre é mais uma luz
Que me ajuda a descobrir o meu caminho
Cheia de urtigas e espinhos,
Que de outra maneira era muito difícil
De acertar …

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Poemas d´antigamente II

A história do fidalgo Lírio de água e fátuo e da sua amada Florinda Deslembrada

Um fidalgo vagueia pelo campo florido levando na mão
as rédeas 
do seu alazão, um lindo cavalo branco.

Está vestido de casaco encarnado, colete, camisa branca, 
laço preto no cabelo, e calça botas pretas de cano alto.

 <Desci do cavalo
Em prantos … 
Olhei para todo o lado
Mas não te vi 
Oh a dor d’ alma que senti naquele momento.>

<Procurei te por todo o lado
No meio da floresta e das flores,
No caminho que costumavas
Usar pela manhã mas foi tudo em vão.>

<Encontrei uma velhinha que me disse
 O que procuras aqui?
Tão longe da tua casa?
Oh estou mal de amores respondi.>

<A minha amada não apareceu
 Aqui junto ao laranjal …
Deve se ter esquecido não sei
Nestes reguengos d’ El Rei
Nestas terras de Portugal não a encontro não sei o que fazer.>

 <Oh fidalgo …
Que desassossego o teu
Vi a mulher que referes no outro lado do monte …
Descalça descia o trilho
Colhendo figos por onde passava
Trincava dióspiros docemente
Rindo-se timidamente … parecia estar muito feliz, exultante e contente …>

 <Mas como pode estar
Contente… se não está aqui comigo?
Oh mas estava acompanhada? 
Vou buscar a espada e vingar
A minha honra tão ofendida que está.>

<Deixa te estar quieto não sejas tonto
 A tua amada apenas quer estar só não
Estava acompanhada … não senhor
Deixa estar a tua espada onde está
Que o teu amor vai aparecer quando menos esperares.>

 <Falas verdade?
És adivinha?>

<Não mas se ela te ama
Voltará para ti.>

<Ah por essa razão
Vou aguardar então
Neste lindo sítio,
Tão belo quanto …
A minha afeição que em breve estará junto ao meu coração
Ai que saudades tenho dela.>

 <Bom vou andando vou amanhar as terras … não fiques aqui muito tempo
 Se ela não vier entretanto …não fiques aqui não fiques …
No meio dos teus pensamentos …
Vai dormir a sesta fidalgo e descansa a tua alma ….>

 <Não, não velhinha fico por aqui
No caminho que a minha afeição faz todos os dias …tenho pão e vinho
Para comer e beber, vou esperar mais um pouco
Parece que já ouço a sua voz Cândida, pura e doce e sinto
O seu perfume de Jasmin a percorrer-me a alma.>

<Está bem faz como quiseres
Mas olha que está muito Sol
Que por estas paragens deixa o miolo mole
E depois para onde vais?>

<Não, não acredito nisso
Sou fidalgo sou cavaleiro d’ El Rei
Vou esperar pela minha amada
E depois vou levá-la na minha montada
Para o meu palácio …> 

<Quem espera 
desespera
 Ao menos
Vai atrás dela
Por aí fora …
>

 <Prefiro ficar aqui …
Junto a este
Pequeno lago …
Tão bonito>

Qual é o nome dela?>

<Florinda
>

 
<E o seu?>

 <Lírio de água e fátuo.
>

 E qual é a sua graça velhinha>

<Maria
Mas não sou
Velhinha ... 
Ainda estou nova.> 

<Aí que não lhe falte a paciência e as forças …
Para uma jornada tão grande
E se ela só vier amanhã pela madrugada?  
Fica aqui no meio das feras e da geada.>

<Claro que sim
Pois então …
O meu coração está partido em dois
E anseia pela sua metade …
Para poder funcionar devidamente, 
Mas porque também sente que é seu dever
Proteger a sua amada, não quero que se perca
No meio da verdura sem saber aonde está, não estaria
A altura do homem que sou…>

<Está bem 
seja lesto não fique
Aqui muito tempo ... 
Está muito calor,
E o Sol está a pique ….>

 <Sou um fidalgo que a tudo resiste
Vou ficar nestas paragens,
A sentir estas aragens ...
A fazer versos e a suspirar pelo minha amada.>

<Está bem fique com Deus
 E que a Florinda volte prestes>

<Obrigado Maria …
Obrigado que assim seja.>

O fidalgo sem nada para fazer
Se não esperar pela Florinda resolveu ir 
Para junto do lago olhou para
A sua imagem na água e ficou a divagar junto dela.

<Oh é a minha pessoa refletida na água
Que bela criatura sou …
Que lindos cabelos negros tenho
E os meus olhos azuis cor do céu … 
São de provocar tremores nas donzelas mais ariscas e difíceis.
E que pele tão suave que pena a minha afeição não estar aqui
Ficava ainda mais apaixonada.>

<Ai amada que estás no outeiro
Que caminhos percorres sem mim?
És a flor mais importante
Do meu jardim …
Que fazes por aonde andas?
Faz-me falta ouvir a tua voz
Que saudoso estou da tua companhia.
Nem todas as flores do mundo juntas
Te podem retirar a coroa da mais bela
De todas …
Roubaste o meu coração
E a minha afeição por ti aumentou
Oh que bela contradição
Mas assim é …
O meu elogio é tão magro
A tua beleza é tão grande … que pareces ter sido retirada
Do meu pensamento a régua e esquadro.
Como é que adivinhaste qual era a minha noção de mulher perfeita?
Quem me dera estar nos teus braços e tu nos meus …
Quanto tempo irei esperar para voltar a colocar
A minha mão nos teu cabelos loiros, nos teus seios ...
E os meus lábios a tocarem os teus,
E …> 

O fidalgo voltou a olhar para a sua imagem no lago … e deitou-se junto a ele.

<Sou tão belo …
Mas esta minha imagem no lago
Esta esplêndida não me sabia tão bonito
Oh aparece dileta não me deixas só
Existem outras mulheres por aí …
Quem é fiel a sua mulher é cruel para as outras … não!
Vou manter-me íntegro e probo em relação a minha amada ...

Aí o meu cavalo voltou para casa
Saiu espavorido … e agora?
Fico e não me vou embora
Oh alazão também tu me abandonas?
Minha estimada não me deixes só neste mundo tirano e cruel.>

O fidalgo esperou … esperou …
pela sua adorada como esta não regressava continuou a olhar para
a sua imagem refletida no lago, obcecado pelo seu rosto e pelos seu cabelos negros,
durante muito tempo e nunca mais foi visto. 
Dizem naquela região que apareceu
uma nova planta na margem do lago que os habitantes nunca tinham visto
a que deram o nome de Lírios de água, em homenagem ao fidalgo.
As pessoas mais velhas dizem que este
se transformou em Lírio de água de tanto esperar `
Pela sua estimada paixão. 
E as plantas coloridas que ali existiam um pouco por todo o lado,
deram o nome de flores em recordação da Florinda sua amada.

sábado, 16 de agosto de 2025

Poemas d´antigamente

Poemas com o falar d’ antigamente

Oh incendiaste o meu coração
Quando te vi … 
A descer a ladeira
Trazias na mão o meu amor
Escondido no teu amar mas não o sabias.

Envergonhado tentei falar
Qualquer coisa que acordasse
Na tua pessoa… o quanto gostava de ti …
Mas fizeste ouvidos de mercador,
Senti a dor dos vencidos da vida
E fiquei carente dos beijos que não te dei.


Ah vi-te depois no outro dia descalça 
De robe de chambre e corpete
Mas toda cheia de graça
Andando pela verdura …
Naquela manhã primaveril 
Só esperava estar a altura
Da tua afeição.

Apareci de rompante
De tricórnio, casaco e colete …
Ficaste assustada quando me viste
Mas mesmo assim sorriste … timidamente

Depois continuaste o teu caminho
Impassível ao meu querer,
Fiquei com uma grande dor d, alma …
E perdido nos meus pensamentos …
Por ver te assim tão calada e pouco disposta aos meus avanços.

Mas o tempo vai
E a afeição vem …
Porque todo o amor é composto de mudança …
Talvez um dia tenha a confiança
Para procurar …
Aonde guardas a tua devoção
E no meio do ardor e do tormento de não te ter …
Consiga conquistar o teu coração.



quinta-feira, 14 de agosto de 2025

Trovas de mim mesmo

Foste beijar-me mesmo na alma
Aonde me doía tanto … e curaste-me,
Sendo assim estarei sempre …
Para contigo incessantemente grato.

No meu prato,
Havia sempre … urtigas, pregos e espinhos …
Graças a ti consegui abrir caminho finalmente 
E conquistar o lugar que sempre tive em mente.

E as vagas que me batiam
No peito fazendo me cair …
Ao primeiro impacto … agora rindo olho para elas de Tão pequenas que são que
 nem as sinto. 

Uma armadura cresceu em mim
E lá apareceu uma luz para me guiar,
O caminho mais difícil e cheio de pedras
Que encontrasse … é exactamente esse que queria conquistar.

Trovas de um humilde servidor do meu ego … 
Que me agarra que me consume
E que sigo … 
Porque que me socorre quando tudo parece estar perdido.

E o tempo vai … e a minha criatividade vem …
E não me cai no esquecimento
Que o teu beijo na minha alma 
Aonde me doía tanto, ...
Fez-me levantar amarras, seguir em frente
E fazer escalas por aonde bem entendi … 
Só por acreditar na força interior que à em mim.

domingo, 10 de agosto de 2025

Lá ao fundo


O mar lá ao fundo o céu azul lá em cima …
De mão dada com o mundo 
Parece um sonho …
Trazido pelos Deuses do Olimpo.

E as pessoas vão,
Cada uma sentada aos comandos da sua vida …
De uma forma reiterada vencendo
Os obstáculos que lhe vão aparecendo a frente …

Depois levanta-se um vento quente, 
A seguir vem a chuva 
E o vazio … a alma grita de espanto …
Vindos de onde? É indiferente …
E de súbito estamos sozinhos
A viver a vida.

O nosso caminho é o nosso destino
Que tão duro, por vezes, pensamos
Que este luta contra nós mas se foi possível a Portugal 
Conquistar em navios casca de nós, o mundo, os nossos sonhos são perfeitamente …
Plausíveis, possíveis e realizáveis.

Se os nossos objetivos para serem realizados 
Fossem tão fáceis de realizar, como pressionar 
Um botão …
A partir daí para onde iríamos?
A alma humana não quer só olhar quer evoluir a trabalhar.

Temos que ir em frente
Colocar grades nos nossos abismos
Plantar amor onde antes o ódio chegou a florir,
Rir dos nossos fracassos iniciais e rumar em busca 
Da nossa Taprobana conquista-lá e ir ainda mais além …

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

A filosofia da borboleta

 

Contos

A Filosofia da borboleta

O Zezinho e o Fernandinho são dois primos direitos que por terem a mesma idade doze anos, viveram a sua infância e adolescência praticamente juntos. Costumavam ir de férias para uma casa de campo que os seus avós tinham no centro de Portugal.
Uma vez estavam na sala da casa e apareceu uma barata, a avó gritou horrorizada.
<Ai! Socorro.>
Os primos ficaram a olhar para a barata
sem saber o que fazer.
<Façam alguma coisa.>
O Fernandinho mais afoito foi ao seu quarto, olhou e viu um dos seus chinelos num canto, agarrou no chinelo regressou a sala e matou a barata.
<Oh meu lindo menino tiveste muito bem em matar aquela barata nojenta.>
<Obrigado avó.>
<Da cá um beijinho.>
A avó Carmelita encheu o neto de beijos, tirou um nota de vinte euros do bolso da bata e deu ao Fernandinho.
<Toma lá.>
<Obrigado avó.>
A criança pegou na nota e abanou em direção do primo que olhou para o Fernandinho com alguma inveja.
Entretanto pela janela da sala entrou uma linda borboleta branca com desenhos amarelos e pretos.
O Zezinho antes que alguém dissesse alguma coisa esborrachou a pobre borboleta entre as mãos, olhou para a avó a espera de ouvir elogios.
<Mas o que é que tu fizeste? Isso não se faz as borboletas não são para matar são para olhar e admirar a sua beleza, és parvo ou que.>
<Mas …mas … >
<Mas … mas o que>
<O Fernandinho matou um animal e recebeu elogios e dinheiro e …>
<O teu primo matou um barata nojenta e feia e tu mataste um borboleta linda e frágil não percebes a diferença.>
< Sao ambos animais … insectos.>
<Não percebes a diferença és parvo, vais para o teu quero e só sais de lá a hora do jantar.
O Zezinho foi para o seu quarto contrariado e aborrecido, ficou entretido a jogar jogos no smartphone, quando a sua mãe Elzira chegou do trabalho, ainda ouviu mais uma reprimenda por causa da borboleta, mas pelo menos conseguiu jantar sossegado.

Moral da história

A barata e a borboleta são ambos insetos então porque a distinção entre eles? Porque a moral e a ética humana tem critérios estéticos, nenhum destes animais é venenoso ou tem um ferrão para picar
as pessoas, mas a barata é considerado um animal feio e nojento, enquanto a borboleta é um insecto bonito e frágil.
As pessoas tendem a idolatrar as pessoas bonitas e a menosprezar as mais feias, muitas vezes não se importam de ser mesmo deselegantes para as pessoas mais feias, esquecendo - se que essas pessoas também tem sentimentos.
Porque na nossa infância os nossos pais e avós, querem que os filhos e os netos tenham a melhor apresentação possível para impressionar quem as conhece, talvez seja por essa razão os humanos idolatram tanto a beleza e desprezam tudo o que é feio.



Tento

Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...