Às vezes apetecia - me mudar tudo
Na minha vida.
Tudo … tudo … tudo …
Só ficava o céu, o mar, o vento …
O cheiro das flores
As árvores … e os animais …
E um novo recomeço.
Em que nada me acontecia sem o meu consentimento.
Controlo total sobre todos os elementos
Espaço, tempo, futuro e presente …
E se alguma coisa menos boa
Me acontecesse era o delete completo
Não me ficava a azucrinar
De tempos a tempos …
Os nossos traumas são
A nossa cruz,
Ferida com pus que não
Nos larga …nem fecha ... tem de haver uma maneira
De isto se desvanecer de nós …
O meu reino
E todo o meu suor, sangue e labor
Por um pouco de paz
Interior …
Vou bloquear isto tudo
Não vejo outra solução
E quando algo menos bom me acontecer
É enfrentar logo.
Por vezes o monstro
Que nos colocaram no meio da estrada,
Outros somos nós que colocamos ...
Sai facilmente da nossa mente
Se o enfrentarmos
E não tivermos medo dele
De outra maneira parece que este
Vai crescendo com o tempo
Os seus dentes vão ficando
Cada vez mais salientes
Os seus olhos cada vez mais vermelhos
E nós vamos mirrando … impotentes …
Porque não lhe fizemos frente.
E a nossa estrada fica bloqueada
E depois para onde vamos?
Mas existem algumas coisas que depois
De muitos anos já não mudam …
Já são parte da nossa carne, alma e sangue
E dão sentido à nossa vida.
Já estão lock in na nossa mente.
Fui raptado pela poesia numa bela tarde
Primaveril de muito Sol e pouco vento… e agora
Só mesmo para a frente.
Já não sei se devo sonhar
Ou deixar as coisas acontecer
É um equilíbrio terrível
Uma incerteza complexa
Que nos consome …
Mas o nosso destino está nas nossas mãos
Qual pequeno objeto
Que o moleiro molda na sua mó
E depois sorri ao olhar
Para a sua obra ...
Porque considera que fez algo irrepetível e diferente
E a sua alma no pequeno quarto onde
Vive fica feliz e contente.