quarta-feira, 16 de julho de 2025

Pelo mar fora ...

 Agarrado a um pequeno tronco vou …

 Pelo mar fora …

 Aonde estou? Não sei … 

 Sinto o mar salgado na minha boca 

 A água está quente ...

 Levanto a cabeça para não me afogar …

 Oiço as pessoas na praia a murmurar, 

 Como me sinto bem sigo a pensar 

 Não importa em quem … desde que siga para a frente

 É o que mais me convém …

 E levanta-se um vento quente 

 Lá ao fundo … 

 Nesta vida a sempre um “fundo” algo que não se vê

 Mas que queremos sempre desvendar,  

 A vida é um milagre que nunca se revela completamente … 

 Por vezes parecemos marionetes que alguém 

 Conduz … vais para aqui … vais vais para ali …

  E nós vamos … a espera que algo de maior nos aconteça … é o determinismo levado a letra.

 Por essa razão apanho banhos de Sol,  olho para o céu 

   O mundo continua a viajar … pelo meio do astros e dos planetas, talvez a noite veja um cometa e peça um desejo …

 Que as guerras acabem, que o bem vença, e o mal desvaneça, dele não vou ter saudades porque não tem nada de bom para nos entregar. 

Vejo uma pequena ilha lanço as amarras do meu pensamento que me prendem a terra porque sem ela não somos ninguém.

Deito-me na praia a ouvir as ondas 

O som como as palavras são muito importantes

Fazem a nossa alma vir a superfície

E perguntar quem está aí?

Mesmo que não acha ninguém 

Ouve-se  sempre alguém lá ao fundo a perguntar 

Por nós … 

Aonde estás? Por onde vais ? Por onde andas?

Para que tanta inquietação com o futuro 

Se ele não existe, o que existe é presente ampliado 

  Fazemos uma fugaz tentativa de ver por entre o tempo e os nossos objetivos mas apenas podemos fazer o futuro acontecer …  

 O resto são desenhos imaginários que podem materializar-se ou não depende da nossa vontade, da nossa idade, da nossa persistência … 

Em não desistir da nossa essência …carregamos em

determinados botões e depois esperamos …

O mundo trabalha para nos fazer a vontade ou não 

Ouvimos o vento e as ondas … são ecos do nosso planeta,

A conferir se fizemos tudo bem para merecemos aquilo que ambicionamos, e depois vem a decisão.

Passámos no crifo … de quem põe e dispõe dos nossos desejos?

Existe um tempo para tudo na nossa vida.

Convém ir concretizando, 

Os nossos desígnios … para que estes não se percam 

No meio das nossas vontades  …

Alguns depois já não querem sair para o nosso mundo

Querem ficar no recanto das nossas almas e … dormir 

É terra que ficou massuda e já não quer florir …

Outros que o façam … 

Por vezes é melhor assim … não era o nosso destino

Já não é para as nossas idades … 

Janelas por abrir e espreitar se vale a pena 

Ir por ali não faltam …

Só o ímpeto é que não nos pode faltar, 

É um renovar constante de desígnios e vontades. 

  

 

segunda-feira, 7 de julho de 2025

E assim vamos

E tu vais calcorreando montes e vales 

Sabes por onde?

Se soubesse talvez não fosses

Que mal tem em ir  descobrindo 

O que nos faz bem descartando o que nos faz mal?

Por terras desconhecidas por aqui e por além mar?

A vida é como o céu por vezes, carregado de nuvens 

Outra vezes escuro como breu,

Mas a maior parte das vezes azul celeste 

Que nos faz sonhar e viver um pouco mais felizes 

Porque o sol carrega as nossas baterias e assim vamos 

Pintando os nossos dias, de uma forma mais próxima possível da felicidade. 

Deram nós uma  folha em branco 

Para ir desenhando a nossa existência 

Explorando sempre novos horizontes …

Bebendo o conhecimento, 

De várias fontes … não deixamos nada por concluir  

Ou por dizer …

Porque sabemos que existe muito caminho 

Para percorrer, … não fôssemos nós 

Filhos do vento, do tempo e do firmamento 

Em que outrora nunca nos demos por vencidos 

E não era agora que íamos deixar que nos aprisionassem …

A alma, a vontade ou o nosso querer.

Já enfrentamos tanta coisa que nunca nos vamos deixar vencer. 

O que nós temos de mais importante? 

Terra, chão, cultura e povo …

Que sempre passou entre os rochedos 

Em mares gigantes, de ondas aterradoras

Mas também viajamos muitas vezes num mar de senhoras …

Encontrando sempre um propósito comum,

Honrar o país que nos viu nascer e estar sempre pronto 

Para o defender, … ainda haveremos de 

Conseguir grandes feitos, maiores 

Do que aqueles que passaram a Taprobana 

E chegaram a terras de Cipango.

Que de tão longe que são parece que foi tudo ilusão 

Mas não … deixamos a nossa marca pelo mundo 

Abrimos caminho pelo mar fora, onde diziam que só havia monstros, sombras e ventos fortes … capazes de destruir tudo numa só penada …

Só temos de descobrir o que queremos, para onde vamos, com quem vamos não é assim tão difícil,

Para quem já foi dono do mundo e das suas riquezas. 

Aja serenidade, bom senso e coragem 

É só mais uma viagem por terras desconhecidas,

Tempestades medonhas, ventos capazes de dobrar a nossa vontade mas tudo irá desaguar num mar de tranquilidade …

Onde  todos poderemos  partilhar histórias dos nossos feitos rindo das dificuldades porque passamos, …

Tudo é possível desde que não nos falte amor,  coragem, engenho e Arte.  


quarta-feira, 2 de julho de 2025

Luas gigantes

Limusines 

Saltos para a água 

Luas gigantes … 

Amores que se confundem no lusco fusco 

Leões que espreitam à beira da estrada 

Prontos para nos devorar …

Sons que nos despertam para a realidade 

Um país que se afunda à nossa frente 

O que irá sobrar dele?

Coisa nenhuma ou um renovar 

De líderes, soldados e afins. 

Onde está as pedras douradas 

Que nos lavam a alma e deixam 

As famílias irem renovando as gerações 

Porque nos roubam a fé na construção 

De um Portugal minimamente suportável?

Porque descemos a escada aos tombos 

Em vez de a subir? Trazendo o progresso 

Para o centro das nossas almas e

Das nossas gentes …

O que fizemos para não merecer um país 

Que nos ajuda a ter um vida minimamente 

Digna? E ainda nos rouba o pouco que nós dá?

Quem diria que o futuro 

Do nosso país teria um guião tão fraco.

Para onde vamos?

Rumo a um novo mundo 

Onde jorra leite e mel ou ficamos 

A ver os anos passarem,  

E as nossas esperanças de ver os nossos sonhos 

Concretizarem - se … rolarem pela estrada abaixo 

E esfumarem - se  levando consigo tudo

O que somos … 

Cada um de nós terá de se reinventar 

Fazer contas e se for o caso navegar … 

Navegar é preciso ver …

Os nossos sonhos partirem para parte

Incerta cabisbaixos e chorosos não é preciso.

Por vezes temos que nos agigantar 

Para não nos deixarmos derrotar 

Mas para isso é preciso falarmos a uma só voz 

E saber para onde vamos

E o que queremos.

Castelos,

Pontes levadiças …

Que só abrem com a força

De mil homens, 

Queres subir lá em cima?

Sozinho não consegues …

Temos de seguir juntos.

De mão dada, abraçados o que tiver de ser será.

Ainda podemos desenhar um horizonte 

Onde todos podemos ser felizes 

Enquanto houver, chão, raça e vontade

Podemos sempre mudar tudo 

Quando não pudermos recuar mais …

Talvez nesse dia voltaremos,

A ter um país que nos irá devolver a percepção 

Que estamos todos a caminhar para a felicidade.






segunda-feira, 30 de junho de 2025

Saíste

Saíste a alguns anos da casa que sempre foi tua 

E por ali fora,  

Foste …

Na mão uma mala  carregada de sonhos e de dúvidas.

Nas costas uma montanha de conhecimentos e ambições para testar se funcionavam ou não …

Um caminho escolhido 

Uma vontade de mudar as coisas,

Persegue-te como um tartaranhão dos pauis que persegue as suas presas num paul …

E tu vais … por entre um trilho estreito 

No meio de árvores de fruto, cujo pomo queres colher 

E de urtigas e silvas que queres evitar

 Para não desapareceres. 

A vida é um pouco isto procurar o prazer 

Evitar a dor … o poder das escolhas é decisivo 

Quando queremos vencer …

No meio de nós o que há? Quem te agarra quem te prende …

Desejos, dúvidas, receios, somos só nós e o nosso destino … só não alcança que não cansa …

Ninguém te está a agarrar, 

Os grilhões que nos impendem de alcançar

O que queremos somos nós que os inventamos 

Correntes imensas, grilhetas pesadíssimas, blocos de pedra no nosso trilho. 

Porque inventas isso quando queres voar?

E erguer-te como um pássaro no meio do ar?

E percorrer mil e um caminho só com o olhar …

Porque quem voa tem de poisar,

Sem saber bem onde e isso faz-me repensar todas as opções,  posso  cair …

Mas quero certezas que me posso levantar logo a seguir. 

Saudades de quando não tinham preocupações,

Quando era tudo copos, risos e canções  

Para onde foram esses dias? Quem os tem?

Porque não voltam?

Porque sai quando tinha de sair 

Levantei - me quando só me apetecia cair

Calei-me quando tinha muito para falar 

Ultrapassei montes e vales quando só me apetecia ficar quieto no meu canto e chorar …

A ouvir os outros falar nos seus feitos de aquém e além mar … desenhando novos mundos no mapa estrelar 

Fez-me perceber que por vezes. o impossível é possível de alcançar.

Por essa razão vou continuar enquanto houver sonhos para conquistar e caminhos novos para desfrutar …

Porque não sair?

E prosseguir na senda do nosso existir 

Que nos quer a mexer e a evoluir 

Para a frente sempre para a frente 

Rasgando montes,  partindo muros, construindo pontes  

Revelando ao mundo novas cores e princípios de algo novo espalhados por todo o lado, 

Onde dantes só havia sombras, dúvidas e silêncio.

Para me acompanhar. 

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Labirinto de emoções

No meio da multidão … estou.

Carrego às costas todo o meu saber 
As minha frustrações, as minhas glórias
Os meus amores de outrora  
Por onde andarão?

A vida é um labirinto de emoções 
Quando entramos nesse famoso …
Espaço não podemos esquecer de uma coisa, 
Existe sempre uma saída para os nossos problemas. 

E quase sempre as nossas preocupações são infundadas 
Quando chega o dia “D” tudo se resolveu 
E podemos ir para a praia ou para o campo logo pela madrugada,
Em busca de uma sombra ou de uma bebida gelada.

Lá ao fundo a nossa montanha 
Envolta em mistérios e nevoeiro olha 
Para nos desafiando-nos com o olhar…
Mas ainda não estamos prontos para a voltar a subir queremos ir viajar e de nós sairmos por uns momentos e observar se estamos no caminho certo.

Não podemos estar sempre a trabalhar;
A estudar; 
A criar;
E a matutar para onde vamos, com quem vamos 
Quem nos abandonou, e quem um dia talvez volte
para nos amar, porque percebeu as
nossas qualidades e que afinal não somos só carne e ossos somos alma, ambição, fogo e vontade de cortar o cordão umbilical que nos prende ao passado e vencer.

Sorrindo  como quem vê pela primeira vez um filho seu nascer e pouco depois fazer se ao mundo, levando consigo todo o nosso saber e conselhos que aprendemos ouvindo os mais velhos.

Agora o que temos que fazer?
Ser o tigre  na sala… 
E preencher o que falta na nossa alma com 
Cores de esperança num futuro promissor 
Que não nos falte, força, coragem e amor.
 

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Não ouves?

Não ouves as ondas do mar 

A baterem contra as rochas 

Num bailado magnífico 

De cor e de som?

Não ouves o bater do meu coração

Logo pela madrugada  

Que anseia por ti …

Não ouves todas as palavras que nunca

Te vou dizer mas que tu já conheces de cor, 

Não ouves … o meu existir que quer sair 

De mim para te procurar, 

E entregar-te flores que iam ficar tão bonitas em ti 

Não ouves  o vento a falar-te de mim 

Enquanto desenho poemas no meu jardim 

O melhor que posso e sei … 

Mas com muito amor, … e vontade de te agradar 

É tudo o que tenho para te dar …

Não ouves quando levanto pedras 

Maiores que o pensamento 

E as coloco …

Lá no alto para todos verem 

Enquanto serpenteio pela montanha acima

Feliz por conquistar mais um objetivo,

Não ouves quando … 

Suspiro por ti … 

Enquanto desenho no mar  

Um pedido para que me recebas no teu amar,

No meio das flores e do teu encantamento,

Seguíamos o vento …

Pelo meio das serras 

Dos montes e dos vales, 

É só parávamos para nos amar …  

Destruindo muros, abrindo horizontes  

Colocando pontes … onde dantes só havia abismos

Desfiladeiros e precipícios …

Não ouves 

Porque não queres … 


quinta-feira, 22 de maio de 2025

Um tigre no ombro

 Tu pensas, vês, e sonhas 

  E lutas para colocar no teu espaldar  

  Marcas do teu existir …

  Lá bem alto mesmo por cima de ti.


   Podia ficar quieto 

   Naqueles dias mais longos,  

   Fazendo o mínimo, pouco ou nenhum 

   Mas tenho um tigre no ombro, 

   Que quer que vá atrás da minha ansiedade 

   Por ventos, mares e tempestades de areia 

   Aonde não se vê nada só mesmo lembranças 

   Daquilo que gostaria de ser 

   Espalhados pelos meus sítios favoritos 

   Irei até aonde puder para rescrever o que sou 

   Talvez nasça outro será essa a intenção? Não sei 

   Não me conheço assim tão bem.  

   A alma humana é incomensuravelmente misteriosa

   O que é da minha lavra reflete o que sou 

   Mas se calhar noutro tempo  

   Serei melhor compreendido,

   Agora talvez me vejam algo perdido 

   Entre paredes a tentar abrir uma janela 

   Para  escapar ao marasmo dos dias cinzentos sem 

   Ter nada para dizer ou contar.

    Subir o mesmo monte não!

    Ir pelo mesmo rio acima não!

     Ziguezaguear pelo mesmo campo

     Mesmo à beirinha do mar … Não!  

     Preencher os dias com o mesmo som do violão 

     Enquanto passeio as mãos pelo teu cabelo?

     Sim porque todos dos dias pareces uma mulher diferente e a tua beleza entorpece os meus sentidos. 

     E tudo muda magicamente, as águas afastam-se e o mundo ganha outro sabor, fica mais lento, profundo, vibrante. 

     E o tigre no ombro fica tão leve que me esqueço dele … 

      Mas ele não se esquece de mim por muito tempo e a rotina impõe-se e o elefante quer subir as escadas, e existe um adulto na sala …

     Que tem trabalho para fazer,  encostas para ultrapassar, ventos contrários para fintar, amores por decifrar, 

       Marés para apanhar, antes que estas me deixem sozinho a navegar por entre equívocos, mal entendidos e omissões.  

        Vou … para aonde o destino me levar já sobrevivi a derrocadas, já vi enxadas que só cavaram uma vez e depois já não quiseram mais … barcos que fugiram do mar com medo de se afundar,  paixões que desistiram antes de começar … fogueiras que mesmo já sem forças se recusaram a se apagar …

         Se calhar é nesse momento que a vida tem início quando já sabemos o que fazer para nos conseguirmos deslumbrar e quando queremos deslocamos montanhas com o nosso querer e com a nossa vontade, e não já precisamos de muito para continuar …

         O caminho que descobrimos numa noite de luar, só com o sorriso da alma para nos consolar, mas felizes por saber por aonde nos perdermos para depois nós voltarmos a encontrar mais sapientes, seguros, e firmes e de pé como as árvores …

     

Ainda tens ...

  Ainda tens … Não estás sozinho nesta vida Não tens que subir a montanha sozinho Podes entrar na porta dos teus sonhos E não deslizares par...