segunda-feira, 30 de junho de 2025

Saíste

Saíste a alguns anos da casa que sempre foi tua 

E por ali fora,  

Foste …

Na mão uma mala  carregada de sonhos e de dúvidas.

Nas costas uma montanha de conhecimentos e ambições para testar se funcionavam ou não …

Um caminho escolhido 

Uma vontade de mudar as coisas,

Persegue-te como um tartaranhão dos pauis que persegue as suas presas num paul …

E tu vais … por entre um trilho estreito 

No meio de árvores de fruto, cujo pomo queres colher 

E de urtigas e silvas que queres evitar

 Para não desapareceres. 

A vida é um pouco isto procurar o prazer 

Evitar a dor … o poder das escolhas é decisivo 

Quando queremos vencer …

No meio de nós o que há? Quem te agarra quem te prende …

Desejos, dúvidas, receios, somos só nós e o nosso destino … só não alcança que não cansa …

Ninguém te está a agarrar, 

Os grilhões que nos impendem de alcançar

O que queremos somos nós que os inventamos 

Correntes imensas, grilhetas pesadíssimas, blocos de pedra no nosso trilho. 

Porque inventas isso quando queres voar?

E erguer-te como um pássaro no meio do ar?

E percorrer mil e um caminho só com o olhar …

Porque quem voa tem de poisar,

Sem saber bem onde e isso faz-me repensar todas as opções,  posso  cair …

Mas quero certezas que me posso levantar logo a seguir. 

Saudades de quando não tinham preocupações,

Quando era tudo copos, risos e canções  

Para onde foram esses dias? Quem os tem?

Porque não voltam?

Porque sai quando tinha de sair 

Levantei - me quando só me apetecia cair

Calei-me quando tinha muito para falar 

Ultrapassei montes e vales quando só me apetecia ficar quieto no meu canto e chorar …

A ouvir os outros falar nos seus feitos de aquém e além mar … desenhando novos mundos no mapa estrelar 

Fez-me perceber que por vezes. o impossível é possível de alcançar.

Por essa razão vou continuar enquanto houver sonhos para conquistar e caminhos novos para desfrutar …

Porque não sair?

E prosseguir na senda do nosso existir 

Que nos quer a mexer e a evoluir 

Para a frente sempre para a frente 

Rasgando montes,  partindo muros, construindo pontes  

Revelando ao mundo novas cores e princípios de algo novo espalhados por todo o lado, 

Onde dantes só havia sombras, dúvidas e silêncio.

Para me acompanhar. 

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