Tu pensas, vês, e sonhas
E lutas para colocar no teu espaldar
Marcas do teu existir …
Lá bem alto mesmo por cima de ti.
Podia ficar quieto
Naqueles dias mais longos,
Fazendo o mínimo, pouco ou nenhum
Mas tenho um tigre no ombro,
Que quer que vá atrás da minha ansiedade
Por ventos, mares e tempestades de areia
Aonde não se vê nada só mesmo lembranças
Daquilo que gostaria de ser
Espalhados pelos meus sítios favoritos
Irei até aonde puder para rescrever o que sou
Talvez nasça outro será essa a intenção? Não sei
Não me conheço assim tão bem.
A alma humana é incomensuravelmente misteriosa
O que é da minha lavra reflete o que sou
Mas se calhar noutro tempo
Serei melhor compreendido,
Agora talvez me vejam algo perdido
Entre paredes a tentar abrir uma janela
Para escapar ao marasmo dos dias cinzentos sem
Ter nada para dizer ou contar.
Subir o mesmo monte não!
Ir pelo mesmo rio acima não!
Ziguezaguear pelo mesmo campo
Mesmo à beirinha do mar … Não!
Preencher os dias com o mesmo som do violão
Enquanto passeio as mãos pelo teu cabelo?
Sim porque todos dos dias pareces uma mulher diferente e a tua beleza entorpece os meus sentidos.
E tudo muda magicamente, as águas afastam-se e o mundo ganha outro sabor, fica mais lento, profundo, vibrante.
E o tigre no ombro fica tão leve que me esqueço dele …
Mas ele não se esquece de mim por muito tempo e a rotina impõe-se e o elefante quer subir as escadas, e existe um adulto na sala …
Que tem trabalho para fazer, encostas para ultrapassar, ventos contrários para fintar, amores por decifrar,
Marés para apanhar, antes que estas me deixem sozinho a navegar por entre equívocos, mal entendidos e omissões.
Vou … para aonde o destino me levar já sobrevivi a derrocadas, já vi enxadas que só cavaram uma vez e depois já não quiseram mais … barcos que fugiram do mar com medo de se afundar, paixões que desistiram antes de começar … fogueiras que mesmo já sem forças se recusaram a se apagar …
Se calhar é nesse momento que a vida tem início quando já sabemos o que fazer para nos conseguirmos deslumbrar e quando queremos deslocamos montanhas com o nosso querer e com a nossa vontade, e não já precisamos de muito para continuar …
O caminho que descobrimos numa noite de luar, só com o sorriso da alma para nos consolar, mas felizes por saber por aonde nos perdermos para depois nós voltarmos a encontrar mais sapientes, seguros, e firmes e de pé como as árvores …
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