quinta-feira, 22 de maio de 2025

Um tigre no ombro

 Tu pensas, vês, e sonhas 

  E lutas para colocar no teu espaldar  

  Marcas do teu existir …

  Lá bem alto mesmo por cima de ti.


   Podia ficar quieto 

   Naqueles dias mais longos,  

   Fazendo o mínimo, pouco ou nenhum 

   Mas tenho um tigre no ombro, 

   Que quer que vá atrás da minha ansiedade 

   Por ventos, mares e tempestades de areia 

   Aonde não se vê nada só mesmo lembranças 

   Daquilo que gostaria de ser 

   Espalhados pelos meus sítios favoritos 

   Irei até aonde puder para rescrever o que sou 

   Talvez nasça outro será essa a intenção? Não sei 

   Não me conheço assim tão bem.  

   A alma humana é incomensuravelmente misteriosa

   O que é da minha lavra reflete o que sou 

   Mas se calhar noutro tempo  

   Serei melhor compreendido,

   Agora talvez me vejam algo perdido 

   Entre paredes a tentar abrir uma janela 

   Para  escapar ao marasmo dos dias cinzentos sem 

   Ter nada para dizer ou contar.

    Subir o mesmo monte não!

    Ir pelo mesmo rio acima não!

     Ziguezaguear pelo mesmo campo

     Mesmo à beirinha do mar … Não!  

     Preencher os dias com o mesmo som do violão 

     Enquanto passeio as mãos pelo teu cabelo?

     Sim porque todos dos dias pareces uma mulher diferente e a tua beleza entorpece os meus sentidos. 

     E tudo muda magicamente, as águas afastam-se e o mundo ganha outro sabor, fica mais lento, profundo, vibrante. 

     E o tigre no ombro fica tão leve que me esqueço dele … 

      Mas ele não se esquece de mim por muito tempo e a rotina impõe-se e o elefante quer subir as escadas, e existe um adulto na sala …

     Que tem trabalho para fazer,  encostas para ultrapassar, ventos contrários para fintar, amores por decifrar, 

       Marés para apanhar, antes que estas me deixem sozinho a navegar por entre equívocos, mal entendidos e omissões.  

        Vou … para aonde o destino me levar já sobrevivi a derrocadas, já vi enxadas que só cavaram uma vez e depois já não quiseram mais … barcos que fugiram do mar com medo de se afundar,  paixões que desistiram antes de começar … fogueiras que mesmo já sem forças se recusaram a se apagar …

         Se calhar é nesse momento que a vida tem início quando já sabemos o que fazer para nos conseguirmos deslumbrar e quando queremos deslocamos montanhas com o nosso querer e com a nossa vontade, e não já precisamos de muito para continuar …

         O caminho que descobrimos numa noite de luar, só com o sorriso da alma para nos consolar, mas felizes por saber por aonde nos perdermos para depois nós voltarmos a encontrar mais sapientes, seguros, e firmes e de pé como as árvores …

     

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