sexta-feira, 15 de setembro de 2023

A rasgar montes

 Tu vens e vais 

 Escreves e opinas 

 O que fica da tua historia?

 Talvez nada … talvez tudo …

 Ninguém sabe …

 Vens por aí a cima 

 E rasgas vales e montes

 Numa aventura dos sentidos

 Procuras os sonhos prometidos 

 Que percebeste que para ti

 Faziam sentido …

 Desde que não fiques soterrado 

 Pelas pedras que deslocas 

 Tudo bem …

 Ninguém te pode segurar.

 E olhas as luzes da estrada 

 Que não te dizem nada mas dizem tudo 

 Como se o futuro tivesse já ali

 Na próxima curva …

 Não conheces ninguém

 Por aqueles caminhos 

 Por onde andas …

 Mas vais na mesma.

 E tudo é novo … e tudo é fresco …

 Como a água da ribeira logo pela manhã …

 O que te liga aos outros?

 A mesma língua, o mesmo vento,

 A mesma cultura,

 As mesma estrelas que olham para nos do firmamento

 À tanto tempo …   

 Que é quase loucura não querermos perceber

 O que nos querem?

 Porque iluminam a triste sina humana

 A tanto tempo … seremos apenas

 Um contratempo a viajar pelo espaço

 Escuro e sombrio?

 Ou existe mais qualquer coisa 

 Que desconhecemos que de sentido …

 A isto tudo,

 Será que nos olham com ternura 

 Ou desalento?

 Tantas promessas por cumprir 

 Quando é que salvamos o mundo?

 Tem de ser já …

 Se cada um de nós fizer a sua parte 

 O mundo acordara um dia são e salvo 

 De todas as agruras que o vai desnudando 

 Do seu cariz protetor da humanidade.

 Que não nos falte para atingir

 Esse desiderato …

 Amor, engenho e Arte.

  





sexta-feira, 25 de agosto de 2023

A fábula das flores e da donzela

 No tempo em que as flores falavam 

Uma donzela passeava pelo campo observava tudo em seu redor as árvores, as flores, a água que escorria de uma cascata, o céu azul as nuvens, um rebanho de ovelhas que pastava lá ao fundo no vale.

A donzela prestava sobretudo atenção as flores, sorrindo quando se apercebia da beleza das mesmas, fazendo tudo para evitar pisar as flores ou mesmo arranca - las para as levar para casa. O seu sorriso era doce e revelava uma pessoa de bons sentimentos.

A sua beleza e candura não passou despercebida as flores, que pupilavam um pouco por todo o lado, estas eram de tamanho pequeno, médio, e grande as cores variavam, havia amarelas, vermelhas, verdes, azuis, cor de laranja e lilases. 

As flores começaram então a falar entre elas enquanto observavam a donzela. 

<Quem é?>

<Uma donzela ou princesa.>

<Mas que veio para aqui fazer?>

<já pisou algumas das nossas irmãs.>

<Não está a ter cuidado.>

<Não digas disparates não as pisou por um triz.>

<É bonita?>

<Já vi choupos mais bonitos.>

<E está sempre a sorrir.>

<Pois está deve ser tonta.>

Uma flor mais velha da cor do limão ficou muito  incomodada com os comentários depreciativos que ouviu e decidiu intervir.

<Mas que comentários são esses? Estão com inveja da donzela por esta ser tão bonita?>

<Inveja mas nós também somos muito bonitas.>

<Não me estou a referir a beleza exterior mas a beleza interior.>

<O quê? Que disseste?>

<Sim vocês ouviram a beleza exterior, todas a podemos adquirir ou ter mas a interior, depende da pessoa e dos seus bons sentimentos, existem seres que por serem boas pessoas desenvolvem um brilho interior muito grande porque são generosas, e gostam de ajudar o próximo é desse brilho que vocês tem inveja e isso é muito feio.>

<Nós não estás equivocada!>

<Não digam isso estive a ouvir os vossos comentários a donzela nunca vos fez mal porque é que a estavam a criticar?

<Porque sim porque … está se a armar aos cucos … quer fazer nos sombra é isso e …>

<Mas a donzela está só a passear e a cheirar as flores divertindo se com a beleza do vale. Não julguem sem conhecer, não tenham inveja do brilho interior das pessoa é má educação. Qualquer pessoa por mais bonita que for,  por fora se não for bonita por dentro em contato com as outras pessoas vai se tornando feia já pensaram nisso? Não queiram ser assim.>

As flores resmungaram um pouco mas tiverem de aceitar que a beleza da donzela, e a sua candura era digna de registo e que era feio ter inveja do brilho interior de alguém, e prometeram doravante não julgar sem conhecer e apreciar os bons sentimentos das pessoas sem as criticar mas sim agradecer por ainda haver boas pessoas no mundo.

domingo, 13 de agosto de 2023

O despertar dos segredos

O vento sopra lá fora 

A noite escapa entre o dedos 

Os segredos despertam …

Tudo parece feito de papel.

Quem vive do passado 

Fica deprimido 

Quem pensa muito no futuro

Fica ansioso …

Por essa razão temos de viver para o dia a dia 

Viver na cabeça é apenas vivermos 

Da espuma dos dias … um desperdício imensurável 

E quase tudo o que interessa passa-nos 

Ao lado … e depois o que fazemos?

O reboliço do nosso ser torna - se 

Quando despertamos para a vida 

Num emaranhado de nós 

Para onde vamos pensamos?

Temos de descobrir onde tem início 

O nosso novelo existencial antes de entrarmos na nossa existência … propriamente dita …

E a partir dai construirmos a nossa 

Essência desde a estrutura de base passando 

Pelos contrafortes e pelo telhado 

Onde podemos observar num dia claro 

O que já conquistamos,

No horizonte …

Fica o monte que carrega tudo 

O que já fizemos, dizemos, construímos 

Convém sempre dar valor as nossas 

Vitórias aquelas que são só …

Nossas … porque mais ninguém percebe 

O esforço que tivemos de fazer para 

As conseguir alcançar, agarrar, saborear 

Porque para os outros tudo o que fazemos 

Parece tão fácil …

Mas a couraça que se desenvolveu 

Ao longo da nossa alma … 

Está lá para suportar os golpes dos descrentes 

Dos maldosos e dos maldizentes.

O nosso livre arbítrio.

Solta por nós um grito

Quando cruzamos uma meta  

Que para os outros 

Diziam ser morosa, inatingível, uma miragem 

Vestida de sobranceria e glória 

Mas que depois de conquistada por nós … afinal 

Não era assim tão difícil

Mas os tombos,

As quedas, o desassossego estão cá registados

No nosso cerne …

Na vida tudo o que muito fácil raramente 

E digno de ser conquistado.

Por essa razão pega no teu fardo 

E não deixes nenhum dos teus montes 

Por conquistar …

Quando estes tiveram todos conquistados 

Vão dar uma bela vista a melhor 

Que já contemplastes …


segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Mantra invisível

O calor aperta 

A noite espreita 

Para onde vou ?…

Que aventuras esperam por mim 

Do outro lado do monte?

Nem tudo é imprevisível 

Da para ver a ponta do véu

O resto permanece nas sombras 

Mas nós vamos que remédio 

Ficar sempre no mesmo sitio?

Que canseira …

Que mundo tão estranho 

Parece que não acontece nada 

Mas quando menos esperamos não sabemos 

Para onde vamos … com quem contar 

O que dizer com quem falar …

Mas quem sabe o que quer 

Mete as peças todas no sítio 

Do xadrez invisível que é a vida …

Valendo - se da sua experiência

Que com o acumular dos anos já se tornou 

Uma quase exata … ciência

E não falha …

Por essa razão permaneço confiante 

Entro no meu ser porque uma nova aventura 

Dos sentidos e emoções em catadupa tem de forçosamente recomeçar …

Mas falas que queres uma Vitoria 

Por ano … ou duas …  

Para depois colocares na galeria do teus troféus junto 

Aquela velha espada que usas para derrotar os teus demónios invisíveis …

Mesmo que ninguém perceba nada …

Lá estão eles, os teus troféus, na montra invisível 

Que tens na mente … não à necessidade de grandes anúncios … na verdade talvez seja melhor as nossas conquistas ficarem registadas

No nosso registo secreto onde guardamos os nossos segredos 

Uma espécie de amor de verão 

Que ficou perdido nos rochedos 

Mas que ainda mexe com o nosso coração

E fez de nós uma pessoa melhor…


sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Fábula do sapo e das pedras

No tempo em que os animais falavam 

A muito tempo atrás num rio no norte de Portugal uma fada sentou - se em cima de um nenúfar e foi rio abaixo admirando às margens e a vida selvagem que por ali abundava. Parou numa das margens e recolheu algumas pequenas pedras e ao observar alguns sapos que por ali nadavam, achou piada e mandou algumas pedras para o rio tentando acertar nos sapos. Um dos sapos mais velho e mais sabido foi atingido na cabeça por uma das pedrinhas.

<oh mas quem és tu?Porque me estás a mandar pedras>

<Sou uma fada vim passear e mandei - te uma pequena pedra para brincar contigo não te zangues.>

<Ah que engraçado mandas uma pedra e achas engraçado? Magoaste - me sabias?>

<Oh desculpa não te queria magoar.>

<Devias tratar bem todos os ser vivos não sabes quando vais precisar deles>

<Ah?Achas que vou precisar de um sapo?>

<Nunca se sabe ninguém consegue adivinhar o futuro>

<Está bem obrigado pela informação>

A fada ainda era muito jovem vestia um lindo vestido branco e nas costas tinha uma belíssimas asas que lhe davam o poder de voar mas se tivessem molhadas eram inúteis. A fada continuo a mandar pedras aos sapos que lhe apareciam pelo caminho. Os sapos desviavam - se a tempo outros levavam com a pedra na cabeça ou no corpo e protestavam.

Entretanto o tempo mudou e a água do rio tornou - se mais agitada e começaram a aparecer pedras muito grandes no meio da água, o nenúfar foi contra uma pedra e a fada caiu no rio ficando muito aflita e como as asas estavam molhadas esta não conseguia voar.

<Socorro acudam!Socorro!>

<Queres ajuda>Exclamou o sapo mais velho.

<Sim por favor.>

<Primeiro mandas pedras e depois pedes ajuda?>

<Não fiz por mal estava a brincar.>

<Foste longe demais não me parece que te vá ajudar.>

<Mas se me ajudares transformo todos vocês em pessoas.>

<Tens poderes para isso?>

<Tenho!>

<Não sei!…>

<Socorro acudam!>

Os sapos conferenciaram entre eles durante algum tempo enquanto a fada lutava para não se afogar. Os sapo mais velhos não acreditaram na fada, mas os mais novos, decidiram dar uma oportunidade a fada para os transformar em homens, e por essa razão ajudaram aquele pequeno ser levando - a para a margem.

<Oh muito obrigado estava muito aflita.>

<Vais nos transformar já em homens certo?>

A fada passou as mãos nas asas ainda estavam um pouco molhadas.

<Bom ah… sabem o que é as minhas asas … quero dizer tenho de ir a casa buscar um pó mágico que tenho guardado num local secreto, para vos poder transformar em homens, por essa razão esperem por mim naquelas pedras que estão nas margens que depois quando vier a descer o rio mando -  vos o po para cima e vai se dar a transformação. Está bem?>

<Está bem ficamos à espera>

<Enquanto esperam cantem para alegrar o vosso dia>

A fada lentamente deu as asas e aos poucos foi voando desaparecendo entre as árvores, os sapo mais novos  foram então para cima das pedras das margens dos rios , cantando para se alegrarem, mas a fada nunca mais apareceu. Os sapos não desistiram e ainda nos nossos dias podemos observar os sapos nas margens dos rios à espera que a fada desça o rio com o tal po mágico e os transforme em homens.

 Moral da historia nunca trates mal ninguém nunca se sabe se alguma vez irás precisar dessa pessoa.

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Mudar

 Nós somos o que pensamos 

 Se queremos mudar de vida 

 Temos de mudar …

 O pensamento. 

 Mas tantos anos a ir numa direção 

 Ninguém muda assim do pé …

 Para a mão.

 E mudar para quê?

 Para fugir?

 Se não resolvermos os problemas 

 Eles vem atrás de nós …

 Só se vão embora se os resolvermos 

 Depois aparecem outros a vida de um adulto 

 É desatar nós …

 Construir uma castelo subir a ponte levadiça 

 E ficar a observar o que já construímos 

 E o que falta construir …

 E depois mandamos vir mais sonhos

 Da terra de Morfeu …

 Porque eles são inesgotáveis 

 E dão nos a energia necessária 

 Para voar por cima das nossas dúvidas, angústias

 E mal entendidos …

 É bom sonhar …

 E assim vamos andando 

 E assim vamos fazendo …

 Construindo o nosso castelo 

 No meio do arvoredo … 

 Passaram por mim alguns sonhos não eram 

 Os meus deixei os ir sei que vão fazer alguém 

 Muito feliz … 

domingo, 9 de julho de 2023

Quiz escrever

 Quiz escrever umas quantas linhas 

 Ao amanhecer …   

 Dar tudo de mim 

 Para acontecer poesia 

 Num belo dia de verão mas 

 Uma alma vazia não tem 

 Muito para dizer … esta estação não é o tempo dos poetas.

 O céu está todo azul mas falta as nuvens 

 Para criar desenhos … divertidos 

 Na abóbora celeste …

  O vento convida - nos para irmos

  Para a praia … pedimos que  nos revele alguns segredos diz apenas que ficaram perdidos entre os rochedos …

  Se a noite nos assusta o luar de verão convida - nos 

  A dançar aquela música que ouvimos quando 

  Nos conhecemos … o medo desvanece do nosso coração 

  Mesmo que seja apenas uma recordação 

  Uma pequena esperança ilumina mesmo

  O local mais recôndito da nossa alma 

  E tudo brilha ao nosso redor … talvez um dia 

  Mudes de opinião sobre nós e me convides para almoçar … quem sabe …

  As ondas do mar 

  Lá estão … 

  Sucedem - se umas as outras 

  São a respiração do mar já inspiraram muito poesia

  Mas no verão não …

  Convidam o aventureiro a deixar - se embalar

  Pela sua espuma, água e sal

  Mas cala a sua métrica poética  

  O seu poder de inspirar 

  Está muito calor para rimar …

  Não temos nada para te dar dizem.

  No verão só se está bem na praia entre toalhas,

  Baratas fritas e sorvetes …

  Os segredos que os deuses só revelam aos poetas

  Quem os tem? Para onde foram?Porque não respondem?

  Estão lá ao fundo atrás do término do mundo 

  Só resta então …

  Esperar pelo tempo dos poetas

  O outono/inverno … 

  Por enquanto navegar é preciso  

  Escrever não é preciso …  

Tento

Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...