domingo, 28 de agosto de 2022

Agarra


Agarra a realidade possível com os dois braços 

E escreve nas paredes o código dos poetas 

Podes estar quem sabe ... muito

Avançado para o teu tempo.


Coloca janelas em muros 

Pontes em precipícios 

Debasta caminhos aonde só havia urzes e ervas daninhas 

Mas não te esqueças de olhar em frente 

Não te percas nos teus pensamentos ... não fiques só entre as flores.


Aquilo que tiver de ser é 

A vida tem ciclos positivos 

E negativos ... mas temos sempre de ficar à superfície 

Mesmo que o nosso barco já tenha partido outro virá 

Em nosso auxilio ...


Se encontrares pedras no teu caminho 

Agarra nelas e constrói um castelo com muralha

Ponte levadiça, alambor ... 

E tudo … e tudo… e tudo  o que te prover

Aonde só entra quem tu quiseres …

 

Feliz aquele que sabe o quer ...

Estamos sempre ... 

A poucos milímetros da felicidade.  

À quem fuja da boa - aventurança de que terão medo?

Se vires uma porta aberta para o teu êxito entra 

Não vãs à procura de uma porta fechada ...

 

Mesmo que seja difícil 

O caminho que escolheste ... 

Nada te dará mais prazer 

Do que venceres no mister que escolheste para ti.


Existem dois tipos de pessoas 

Aquelas que querem construir ...

E as que querem destruir o nosso contentamento 

O segredo? Vence com humildade, sorri com deleite e comemora as tuas vitórias 

No recato dos teus pensamentos. 


quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Questões



A vida não é só 

Alimento para o espirito

Convém saber ... para aonde vamos,

Quo vadis? Como diziam os romanos

Na sua sabedoria antiga.


Questões ... questões ... questões 

Porquê tantas questões? 

Porque é preciso... 

Entender tudo, meditar sobre muita coisa, observar quanto baste!


Gosto de ser profundo na esperança 

De ser muito claro. 

Quem não me entende não desista 

A sapiência das palavras não é fácil de decifrar ...

Mas está sempre disponível para ser entendida.  


Quanto mais alto voo mais pequeno 

Pareço aos olhos 

De quem não gosta de pensar 

Mas só evoluímos se o nosso cérebro evoluir.  


Se tivermos amor consegue - se ver tudo com mais clareza 

As "coisas" surgem como elas são. 

Se não tens amor não tens equilíbrio 

E todo o teu pensamento parece desfocado. 


Só podes ser útil à sociedade 

Se  o teu equilíbrio emocional estiver contido, moderado, controlado, ... 

De outra maneira, 

Só te vais prejudicar a ti e aos outros. 

 

A poesia é para comer

Serve de alimento para a alma 

De quem escreve, lê, interpreta, reescreve

E fica a meditar nela durante algum tempo 

Tentando descobrir os seus segredos …

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Livre

 

Coloquei - te numa redoma 

Mas depois percebi que querias 

Ser livre como um pássaro ...

Ninguém deve ou pode impedir uma pessoa de ser quem é. 


E fiquei a ver - te a surfares 

Nas ondas do teu pensamento,...

E o teu cabelo tão belo ao vento ...

A escolher a quem te queres dar 

Dói muito mas é a vida na sua forma mais temível. 

Amor não correspondido, a víbora dos sentidos.


Não se pode colocar grades 

No pensamento de ninguém ... nem na sua maneira de ser,

Porque quem pensa que conhece alguém 

Só a conhece depois de conhecer a sua história. 


A vida é tão frenética

Que ,por vezes, lidamos com uma pessoa 

Pensamos que a conhecemos 

Mas não sabemos nada sobre esse ser humano.

 

Por essa razão o seu comportamento

É imprevisível ...

Mas para quem a conhece verdadeiramente   

O seu comportamento é previsível, calculável, conjeturável ...normal.  


Logo se amas alguém primeiro conhece bem essa pessoa

Deixa - a ser livre ... porque se a tentas moldar ao teu pensamento. 

Essa pessoa vai deixar de ser quem é ...

E vai querer fugir de ti 

Para se voltar a  encontrar ....

Algures no tempo e espaço.


E tu ficas um farrapo 

Triste e amargurado,

Porque não percebeste 

Que não à amor sem liberdade! 


domingo, 21 de agosto de 2022

Disfarça

Disfarça


No meio das flores 

E do céu azul apresentas - te as tuas credenciais 

Uns reconheceram algo de ti 

Em si mesmos... outros nem por isso.


És o que és

Muito bem... 

Mas disfarça,

Tenta ser só rosa esconde os espinhos.


Porque ser se quem se é

Pode não agradar a todos

E depois...

Para onde vais?  


O céu continua lá 

E as flores também 

Para quê tocar nos elementos 

E tentar muda - los se já existe uma determinada ordem 

Que todos ou quase todos reconhecem como sua?


Se calhar convém fazer uma leitura 

Da sociedade... 

Antes de lhe contarmos

A nossa verdade ... para quê tentar mostrar um céu azul e branco 

Se as pessoas acreditam que vem ai tempestade? 


quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Quando


Quando escreves e depois paras 

Para onde foi a tua inspiração? Regressou ao seu reino 

Que fica por detrás do horizonte ...

E tu ficas cansado só de o observares... lá ao fundo... 

 

Depois vês umas flores 

O vento sopra e tu  ouves,

E sentes ali e aqui qualquer coisa 

Que anda no ar e não poisa.  


E a poesia ferve em ti ... queres escrever algo,  

Que mistura Futuro, Presente e Passados …

É esse o teu fado? Sentes que sim, e as palavras nascem 

Desse conflito que desperta meio aflito  

E tu queres condensar tudo o que sentes  num só grito. 


O poema escolheu - te para o fazeres nascer

E tu olhas, para ele e tu medes o que escreveste,

Se for preciso tiras - o a ferros ... 

Alteras algumas palavras sem te alterar a ti ...

E sabes que deste tudo mas que ainda não está bom.


Pensas nos deuses  

Queres ir à história para te inspirar ...

E pensas naquele quadro que viste no museu, 

Tão belo, tão louco, tão ousado, havia ali tanta cor e significado 

Mas acabas por concluir ... que não estás inspirado ... 


sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Far out

Far out

 

Teatro

 

Personagens 

 

Rei - Cláudio Nerva

Rainha - Sabina 

Rei de Pariental - Comodo Daia 

General - Cipião Caio

Tio do Rei - Flávio Nerva

Octávio Cesariano - Líder do Conselho Supremo

Mensageira do conselho supremo - Íris

Um poeta  - Lucano Construtor

Centurião romano - Rufus Ennius  

Soldados 

Trabalhadores do palácio 

 

Numa galáxia não muito distante. 

 

Os habitantes da galáxia dos Rising Suns resolveram para impedir mais guerras, entre o mundo conhecido por Nurka e o mundo denominado Pariental que os filhos primogénitos dos Reis seriam criados por pais adotivos. O filho dos Reis de Nurka  seriam criados pelos monarcas de Pariental e os filhos dos Reis de Pariental pelos Reis de Nurka. Se houvesse uma guerra entre estes dois mundos teria que se quebrar "a bolha", que protegia os habitantes dos raios do sol e não deixava sair o precioso oxigénio da sua atmosfera, este ataque ao quebrar "a bolha" mataria os Reis de ambos os planetas. Se os filhos atacassem o mundo vizinho mataria os seus pais. Foi uma decisão do conselho supremo aprovada por decreto - real pelos Reis que governavam nesse tempo e durante cem anos a paz vigorou na galáxia dos Rising Suns.

Esta galáxia tem uma particularidade tem quatro sois dai a necessidade de proteger os planetas habitados por uma bolha de outra maneira a vida nestes planetas seria quase impossível. Outrora havia muitas árvores nestes mundos, mas as guerras destruíram a maior parte, por essa razão e para poder racionalizar o oxigénio houve a necessidade de se recorrer a uma bolha só assim se podia controlar o precioso gás que permitia que a vida se multiplicasse e fortificasse. Nurka é maior que Pariental, o reino de Pariental é mais rico.    

Entretanto subiu ao trono Cláudio Nerva um jovem inteligente, belo, ambicioso, e que não sabia. 

A capital de Nurka é Neuronium onde o Rei e a sua entourage vive.   

Numa sala estão Claúdio Nerva Rei de Nurka e o General Cipião Caio, o General está de pé o Rei está sentado no seu trono. Num enorme janelão consegue ver se a galáxia dos mil mundos, uma galáxia rica, cheia de planetas novos por explorar, e de estrelas amarelas, azuis e vermelhas,  ao longe também se consegue vislumbrar "the world eater" um enorme buraco negro do qual os habitantes da Rising Suns têm muito receio, mas que está provado estar tão distante que não representa perigo para estes povos, a galáxia dos mil mundos está a alguns milhões de km dos dois reinos, mas é acessível aos habitantes de Nurka e Pariental. Só falta o acordo entre estes dois povos para se explorar esta galáxia, mas este acordo não está fácil de conseguir. A grande questão que está a atrasar o acordo é que ninguém quer ficar com a cintura dos insetos gigantes de Nurka que atacam as naves que passavam por lá. A única maneira de contornar os insetos gigantes é utilizar a passagem pelos portões de pulsar que pertence ao reino de Nurka. 

Na sala dos tronos que tem este nome por ter dois tronos um para o Rei outro para a rainha,  estão presentes Claúdio Nerva e o General Cipião Caio. 

«O reino de Nurka está a enfrentar algumas dificuldades precisávamos de procurar novas riquezas.»

«Sim tens razão Cipião .... o acordo está difícil.»

«Mas porquê?»

«Por causa do Rei de Pariental Comoro Daio não aceita nenhum acordo sem ter acesso aos Portões de Pulsar que pertence ao nosso reino.»

«Mas então só à uma solução guerra.»

«Quero evitar isso a todo o custo ... sabes bem que destruir a bolha de Pariental ia fazer muitas vitimas, essa solução só em caso muito sério de preservação do nosso povo.  

«Mas a situação já é muito séria ...»

Entra na sala o tio do Rei Flávio Nerva.

«Ouvi falar em guerra que dizem?»

«Estávamos a ponderar essa situação mas estamos longe de tomar tal decisão.»

«Ainda bem a guerra é a pior coisa do mundo...para longe vá o agoiro.»

«A nossa economia não está bem ...»

«A solução chama -se galáxia dos mil mundos é muito rica e tem muitos recursos naturais como por exemplo, o ouro liquido... a água que precisamos para beber e respirar.»

«Mas como é que o tio sabe isso.»

«Alguns viajantes que vieram dessas paragens trouxeram - nos essas noticias é assim que sabemos muitas coisas sobre estas paragens.»

«Pois mas Comodo Daio está relutante em assinar o acordo.»

«Temos que ir limando arestas do contrato, as duas partes têm de se entender.»

«Mas também podemos ir para guerra.»

«General não diga disparates não temos uma guerra à seculos na nossa galáxia.»

«Sim mas continuamos a ter exercito ou não.»

«Tenho de concordar com o meu tio, general não precisamos aqui de nenhuma guerra vamos negociar e vamos conseguir um acordo com Pariental.»  

«E se não conseguirmos?»

«Vamos conseguir! Por falar nisso vamos enviar um link ao Rei de Pariental para falarmos por holograma e tentar um novo acordo para dividir a galáxia dos mil mundos.»

«A questão é garantirmos ao Rei Comoro Daio passagem pelos portões de Pulsar ...

«Sim tio já sei não se preocupe.»

O link é enviado e um holograma do Rei de Nurka aparece na sala do Rei Comoro Daia e vice - versa. 

«Olá saudações nurkianas Comoro Daia  Rei de Pariental.»

«Saudações Cláudio Nerva Rei de Nurka.»

«Bom não vou estar com rodeios quero falar contigo sobre a galáxia dos mil mundos e daquele acordo que nos ainda não finalizamos e que está em aberto.» 

«Só não o finalizamos porque vocês não nos querem dar passagem pelo portões de Pulsar, mas sim pela cintura dos insetos gigantes de Núria, assim não à acordo esse insetos são enormes alguns têm quarenta metros e atacam qualquer nave que passe por essa cintura, só pedimos que nos facilitem a passagem pelos portões de pulsar e temos acordo.

«E estão dispostos a pagar uma pequena taxa.»

«Mas que taxa?»

«Por cada nave que passe pelos portões.»

«Para vos enriquecer como nunca jamais!.»

«Já vi que não à acordo!»

«Enquanto vocês quiserem ficar com a parte de leão não à acordo garanto!»

O holograma do Rei de Núria desaparece.

«Já tinha ouvido falar do mau feitio de Comoro Daio agora viu - o in loco.»

«Temos de trabalhar melhor o acordo se o Rei de Pariental já disse que sem acesso aos portões de Pariental não à acordo para quê insistir?»

«Tem razão Tio  vamos para a sala dos projetos refazer o acordo.»

«Se calhar é melhor.»       

Cláudio Nerva e o seu tio retiram - se da sala dos tronos.

Entra Rufus Ennias veste o seu uniforme de centurião.

«Ave general ...»

«Ave Rufus.»

«Sempre vamos para a guerra?»

«Está difícil Rufus.»

«O meu general é que devia ser Rei.»

«Que dizes?»

«O nosso Rei é um fraco nunca irá para a guerra.»

«Se o convencermos..»

«Casado à quatro anos com Sabina uma mulher lindíssima ... onde estão os filhos? É de desconfiar.» 

«O que é que isso interessa?»

«É um fraco ... general ... um fraco não interessa ao reino de Nurka.»

«E ...»

«Um confronto direto entre o meu general e Cláudio Nerva e teremos um novo Rei e todas as riquezas da galáxia dos mil mundos serão suas.»

«Por enquanto não! Se o Rei não quiser fazer guerra ao reino de Pariental ... veremos.»

«Se vencer o Rei de Nurka Sabina será sua e ...»

«Silêncio eles vêm ai.»   

Entram Cláudio Nerva e o seu tio.

«Ave Cláudio Nerva.»

«Ave Rufus Ennia de que falavam?»

«Do grande reino de Nurka e do seu Rei.»

«Assim penso que estavam a conspirar contra mim.»

«Nunca Cláudio longa vida ao Rei de Núria.»

«Obrigado Rufus sei que me és fiel.» 

«Já temos um novo acordo amanhã entramos em contato com o Rei de Pariental... e para comemorarmos vamos fazer um banquete»

«Oh daqueles à antiga?»

«Sim tio daqueles à antiga.»  

«Mandem vir a comida da copa... e sambucan.»

«Não podemos abusar da sambucan.»

«Já sabemos tio não se preocupe... .» 

Foram trazidas por trabalhadores do palácio,  mesas com comida pratos de peixe e carne e jarros de barro com a famosa sambucan uma bebida alcoólica, que bebida em excesso provocada embriagues e tem 20% de álcool . 

Entra Sabina Rainha de Núria veste um vestido azul e usa um fio de ouro é morena usa o cabelo apanhado.

«Sabina a minha Rainha.»

«Olá esposo iam fazer a festa sem mim.»

«Não claro que não...»

Sentasse no trono ao lado do Rei.

«Já podemos anunciar?»

«Sim claro que sim.»

O Rei e Sabina puseram - se  pé e deram a mão.

«Temos uma novidade para todos os cidadãos de Núria.»

«O que é sobrinho? É aquilo que estou a pensar?»

«Não sei o que o tio está a pensar ... »

«Um filho?»

«Assim estraga a surpresa ...»

«Sabina está grávida vamos ter o nosso primeiro filho.»

«Viva ao Rei.»

E todos deram vivas ao Rei.

O general Cipião e Rufus olharam  um para o outro incrédulos. 

Todos sem exceção comeram e beberam e quando começavam a enrolar a língua devido a beberem sambucan em excesso riam - se e diziam piadas.    

«Meu Senhor.»

«Cipião? ...»

«Está qui um poeta.»

«Hum.»

«Quer dizer um poema.»

«Ui.»

«É Lucano Construtor.»

«Construtor de quê?»

«Penso que é de poemas.»

«Poemas, peças de teatro, romances, contos.» «Exclamou Lucano.»

«É lá temos homem.»

«Menos General.»

«Posso?

«Sim Lucano podes!» 

«Muito bem meu Senhor assim farei ...vou beber mais um copo de sambucan.»

«Estás à vontade.»

O poeta esvaziou o copo e poisou - o em cima da mesa. 

«Assim sai melhor.»

«Muito bem.»


O poeta poisou - o o copo em cima da mesa. 


Poema de Lucano Construtor


De um conceito antigo nasceu 

A velha regra ... 

Que protege os progenitores

De conflitos tão velho como as trevas.

Para quê prosseguir  na senda das guerras?

Quando podemos navegar

Pelas galáxias em busca do ouro liquido 

Que nos dá vida e alento para continuar.

Não quebrarás a bolha

Que os protege 

Não irás derramar o teu sangue 

Em terra alheia.

Não queiras a culpa 

A assombrar - te as tuas noites. 

Não transformes a tua vida de sonho

Num pesadelo...

Que te perseguirá por todo o lado.

Não te deixando apreciar 

O sorriso dos teus filhos, o belo

Corpo da tua mulher ... ou o teu reino

Não ouças conselhos vis de quem não se contenta com aquilo que tem ...

Semeando precipícios onde havia pontes ...

Longa vida ao Rei.   


A seguir a dizer o poema Lucano cai para o lado. 

«Mas o que aconteceu?.»

«O poeta caiu para o lado.»

«Mas o poema não é assim tão mau.»

«Há!Há!Há!»

«Mas que poeta é que me foste arranjar.»

«Ele é  que se ofereceu.»

«Mais sambucan ... »

Os trabalhadores trouxeram mais jarros com a bebida alcoólica.

O poeta foi amparado por alguns soldados e saiu da sala. 

«Cláudio vou sair preciso de descansar, vou para os meus aposentos.»

«Claro Sabina podes ir.»

Sabina sai da sala dos tronos. 

« Vou falar com Comoro Daio ... mandem o link para Pariental.»

«Mas Cláudio não está em condições bebeste muito.»

«Não bebi nada muito.»

«Mandem o link... Cipião Caio trata disso.»

«Assim farei.»

O link foi enviado. Um holograma do Rei de Paiental apareceu na sala.

«Mas isto são horas de enviar um link? Estou a comer.»

«Tem calma Comoro Daio» «Cláudio enrola um pouco a língua à medida que falava.»

«Não é calma ... não te vou atender neste momento se não te importas vou continuar a comer e beber.»

«Isso é falta de respeito nunca em tempo algum um Rei deixou de atender outro por uma questão leviana.»

«Falta de respeito? Tu é que me estás a insultar a mandar - me links quando estás alcoolizado.»

«Não estou alcoolizado ...»

«Estás bêbado?»

«Comoro não te admito!»

«Vai - te lixar! Cláudio Nerva.»

O Rei Comoro desligou a chamada. Cláudio ficou de boca aberta.

«O que é que ele disse?.»

«Foi desrespeitoso se isto fosse no outro tempo tinhas - mos de ir para guerra ...»

«Qual guerra general um pedido de desculpa é suficiente.»

«Cipião manda outro link para Pariental.»

«Oh valha me Deus para com isso sobrinho não estás em condições.»

«Estou tio estou ...»

O holograma de Comoro voltou à sala.

«Outra vez?»

«Comoro é bom que me peças desculpa não te admito tal falta de respeito.»

«Não peço!»

«Se fosse noutro tempo enviava - te uma declaração de guerra. »

«És louco e leviano.»

«Chamaste - me louco? Mas não estás a ser civilizado isso não são maneiras de falar comigo.»

«Ai não então toma!»

O Rei de Pariental desliga o link,  o seu holograma desaparece.

«Mas ...»

«Isto é muito grave temos de falar com o Concelho Supremo.»

«O que acha tio.»

«Não sei tu é que sabes.»

«Manda o link Cipião para Octávio Cesariano.»

«Já mandei.»

Na sala surge o link de Octávio tem o cabelo branco e barba branca ambos cortados rente, veste calças brancas e um polo branco de mangas compridas.  

«Olá Cláudio Nerva Rei de Núria saudações do Conselho Supremo.

«Saudações Octávio.  

«Tenho de relatar ao Conselho Supremo o comportamento execrável de Comoro Daio Rei de Parietal. 

«O que se passou?»

«Estávamos a falar e este chamou - me bêbado, louco desligou a chamada depois pedi para voltar a falar com o monarca e ele foi muito desagradável.»

«O que é que ele disse?»

« Disse - me para me ir lixar, está fora de si...»

«Não parece dele.»

«Pois mas ... tenho testemunhas.» 

«O Conselho Supremo vai reunir depois entraremos em contato.»

«Está bem.»

«Cláudio Nerva confirmas que recebeste a mensagem do Conselho Supremo.»

«Confirmo!»

«Saudações cordiais Rei de Nurka.»

«Saudações Octávio  Cesariano.»

Holograma de Octávio é desligado. 

«Bom vamos esperar pela decisão do Conselho Supremo... o Rei tem de esperar pelas decisões de outrem... »

«No antigamente o Rei tinha o poder todo, mas decidiu - se que era melhor dividi - lo porque uma pessoa não deve ter o poder todo, e porque várias cabeças pensam melhor que uma só.»

«Obrigado tio convenceu - me.» 

«E se o Concelho Supremo decidir pela guerra.»

«Iremos para a guerra! Mas penso que não vai ser necessário guerra para se resolver esta questão, Comoro Dario pede - me desculpa e o assunto fica por aqui.»

«Bem te avisei para não falares já bem bebido.»

«Não estava alcoolizado nem pouco mais ou menos Comoro é que estava.» 

«Pela nossa parte falo do exercito estamos prontos, dizem que as mulheres de Pariental são muito belas  e... »

«Que dizes Cipião Caio não somos animais... »

«Nós tratamos delas meu Senhor...»

«Tratamos delas? Que conversa é essa Rufus?»

«No antiguamente ...»

«Nós não estamos no antigamente felizmente não vai haver nenhum conflito armado o Conselho supremo nunca nos irá dar autorização.

«Não sabes.»

«Não sei mas desconfio.»

Na sala aparece o holograma de Octávio Cesariano.

«Tenho uma mensagem para Cláudio Nerva Rei de Nurka do Conselho Supremo.»

«Estou aqui podes dizer a mensagem.»

«Podes exigir ao Rei Comoro Daio um pedido de desculpas pelas suas más criações, se este não pedir desculpa se quiseres podes declarar - lhe guerra.»

«O quê?»

Todos os que estavam na sala ficaram boquiabertos.

«Mas?»

«O Conselho Supremo diverte - se.»

«O quê tio?

«Não ligues são perambulações de um velho.»

«Confirmas que recebeste a mensagem Cláudio Nerva Rei de Núria.»

«Confirmo.»

O Holograma do líder do Conselho Supremo desaparece. 

«Link para Comoro?»

«Podes enviar General.»

O holograma de Comoro aparece na sala.

«Saudações cordiais Comoro Daio Rei de Pariental.»

«Saudações Cláudio.»

«Não é esse o protocolo.»

«Quero lá saber!»

«Exijo um pedido de desculpas pelo tua má criação»

«Não o vais ter!»

«Ou vais ter guerra.»

«Não tenho medo das tuas ameaças.»

«Comoro pede - me desculpa!»

«Não! Não peço desculpa nenhuma!»

«Vais ter guerra ... declaro - te guerra!»

«Assim seja cá te esperamos!»

«Oh meu Deus ele não está bom!»

«Guerra é guerra Cláudio preparo as tropas?»

«Prepara! Vamos para a guerra!»

«Guerra entre Nurka e Pariental  é uma ilusão...»

«Diga tio não esteja só com meias palavras... diga!»

«Quem tem de te dizer é o Conselho Supremo.»

«Então cale - se! ... Saiam todos!»

O Rei fica sozinho na sala do trono.

«Entramos derrotamos Pariental, Comoro ainda me vai ter de pedir desculpa antes de o cortar ao meio com o meu sabre, depois ficamos com as suas riquezas fico senhor de dois reinos nada mau por alguns dias de trabalho.»


Na sala vê - se um holograma uma mulher nova, loura vestida de branco emerge no meio da luz.

«Outra vez, mas o conselho supremo já deu autorização para a guerra.»

«Sou Iris mensageira do conselho supremo.»

«Já sei.»

«Só para os ouvidos do Rei.»

«A única pessoa presente na sala do trono é Cláudio Nerva.»

«O conselho informa o Rei de Nurka de um costume antigo.»

«O quê? Mas qual costume?»

«Informa que devido a um costume antigo e para manter a paz entre o reino de Nurka e o de Pariental. os filhos dos Reis de Pariental seriam criados pelos Reis de Nurka e os filhos dos Reis de Pariental seriam criados pelos de Nurka.»

«O quê?»

«Se o Rei de Nurka quebrar a bolha de Pariental matará os seus próprios pais.»

O Rei levanta- se. 

«O quê, mas já me tinham dado autorização. 

«Estou apenas a informar o Rei.»

«O que tu dizes é loucura não conheço esse costume antigo não quero saber disso para nada.»

«Se matares os teus pais não conseguirás viver com essa culpa.»

«Quero lá saber não os conheço, a guerra não vai parar por causa disso. Vocês são um bando de loucos tivessem me dito isso antes....»

«O conselho supremo informou o Rei de Nurka, confirma que recebeu a mensagem.»

«Confirmo!» 

O holograma desapareceu da sala.

«Mas que loucura é esta o que faço agora? Porque temos sempre de tomar as grandes decisões sozinhos.»

O Rei fica alguns momentos em silêncio.

«Não mando nada...»

«Cipião Caio...» «Solto voce.»

«...»

«General!» «Grita»

O general Cipião Caio entra na sala.

«Sim? Cláudio...»

«A guerra está cancelada!»

«As tropas já partiram!»

«Mas quem é que te deu autorização? Disse - te só para preparares as tropas. Chama as tropas de regresso ao quartel general de Nurka.»

«Mas íamos destruir a bolha de Pariental.»

«Não! Não! Mudança de planos chama as tropas de regresso vamos colonizar, conquistar a galáxia dos mil mundos esquece Pariental ia ser um banho de sangue não!»

«Mas porque mudou de opinião?»

«Considero que fazer guerra é um preço muito alto por causa de uns copos de Sambucan. Não achas?»

«Mas vem aí um temporal que não já não podemos travar!»

«Estamos sempre a tempo de evitar um conflito armado.»

«Louco não vou permitir isso.»

«Atreves-te a desafiar o teu Rei.»

«Desafio quando o Rei é um cobarde.»

O general desembainha a sua espada de laser vermelho, o Rei segura com ambas as mãos o seu sabre de cor azul. 

«Não sejas louco desiste ainda te perdoou a tua ousadia.»

«Não!»

O general tenta atingir o Rei com o seu laser este vai - se defendendo dos golpes. Cláudio Nerva contra-atacou e desferindo poderosos golpes, consegue manter o General à distância um desses golpes enviou   a espada do General para longe, fazendo cair Cipião Caio que ficou a mercê do Rei. Cláudio aproximou - se para matar o General.

«Maldito!»

O sabre de Cláudio passou por cima da cabeça de Cipião Caio abrindo um rombo no soalho.

O Rei de Nurka Cláudio Nerva ao mandar regressar as suas tropas e perdoar a vida do General Cipião Caio provou ser um verdadeiro Rei... e a paz reinou durante muitos anos na galáxia dos Rising suns.

O centurião Rufus Ennius passou a ser o comandante do exército com o título de General... 

 

 

 

 

 

 

 

 

      

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


terça-feira, 9 de agosto de 2022

A condessa

Romance 


A Condessa 


Personagens 

 

A Condessa 

Manelito - Irmão da Condessa

Márcio - Marido de Cristina (detetive)

Cristina Maria - Sobrinha da Condessa  

Nuno Ribeiro - Marido da Maria Joaquina 

Maria Joaquina - Sobrinha da condessa 

Sousa - Prima da condessa 

Lurdes - Mulher do Sousa 

Melo - Homem de confiança da Condessa 

Dois caseiros - Pai e filho Rodrigues e Sandro

Uma governanta - Joana   

 Prólogo 

Uma propriedade brasonada no norte de Portugal na região do Douro, o casario está rodeado por vinhas, com a sua cor amarelo-esverdeado perto das casas um bando de gansos bancos, andam de um lado para o outro, procurando comida, grasnando quando alguém se aproxima da propriedade. O portão é encimado por um brasão de armas.  A condessa de D.… recebe a sua família para celebrar o seu aniversário. Veste de preto porque é viúva, a sua estatura é pequena, apoia - se numa bengala de mogno preto, os seus olhos castanhos escuros demonstram que ainda tem grande vivacidade. É uma grande observadora e uma mulher de negócios ativa e pragmática. Vários automóveis entram na propriedade são todas viaturas de alta cilindrada, saem dos carros quatro casais e um homem solteiro. Têm entre os quarenta e os cinquenta anos.

A condessa está sentada numa cadeira à janela, puxou o cortinado de cor branca rendilhado para o lado e observa as pessoas com um olhar clínico. Quando se apercebeu que já tinha visto tudo o que queria retirou a mão do cortinado tocou uma campainha que estava em cima de uma mesa e esperou que a governanta aparecesse.

A governanta era uma mulher na casa dos trinta anos vesti - se com escuras de preferência, neste caso usava, saia azul escura camisa branca, pullover castanho escuro e sapatos pretos de salto raso.

«Olá bom dia Condessa diga...»

«Peça à Maria Joaquina para vir aqui falar comigo se faz favor.»

«Está bem vou chama-la.»

«Mas dê-lhe dez minutos para a Maria descansar da viagem.»

«Está bem Sr. Condessa mais alguma coisa?»

«Não é só sim podes ir»

A governanta acenou com a cabeça que sim e saiu do escritório, fechando a porta atrás de si. Alguns minutos bateram à porta ouviram - se dois toques.

«Entre!»

«Posso tia.»

«Podes olá Maria Joaquina.»

«Olá tia.»

Trocaram dois beijos.

«Senta-te Maria.»

A Maria vestia um vestido de cor-de-rosa e calçava sapatos castanhos claros de salto alto, tinha cinquenta anos, mas parecia mais nova.

A sobrinha sentou - se e cruzou as pernas.

«Oh querida está tudo bem contigo.»

«Sim mais ou menos... vamos indo... »

«Os meninos?»

«Ficaram com os avôs.»

«E de resto?»

A Maria agarrou o anel com a mão esquerda e rodou de um lado para o outro parecendo estar nervosa.

«Ah... os negócios do meu marido.»

«O que é tem?»

«Faliram...foi o que ele me disse...» 

«Faliram...ele já declarou falência...»

«Não sei penso que sim.»

«À dividas?»

«Sim!»

«Quanto?

 «Um milhão de euros.»

«O quê, mas é muito dinheiro?»

«É um stand de automóveis.»

«Sim carros de alta cilindrada.»

«Mas o stand tem carros já venderem os carros para abater no empréstimo?»

«Não sei»

«Não sei? O assunto é grave e tudo não sabes nada.»

«Sou docente numa escola não percebo nada de negócios.»

«Qual o regime em que te casaste?»

«Separação de bens.»

«Total ou parcial?»

«Total.»

«Menos mal.»

«Ouve nem penses que vou pagar as dividas do teu marido.»

«Oh tia ajude-nos pelo amor de Deus.»

«Oh Maria o meu dinheiro está todo investido nas minhas empresas.»

«Podia vender as joias.»

«As joias que estão na família à mais de duzentos nem penses nisso.»

«Oh tia.»

«Desculpa, mas nem pensar...diz ao teu marido para vender os carros todos do stand  se ele quiser posso falar com os bancos para que lhe emprestem algum dinheiro... avalista não sou de ninguém se ele quiser a minha ajuda...vocês é que sabem não quero é escândalos ouviste.?»

«Fique descansada.»

«Porque isso afeta os negócios da família.»

«Está bem vou falar com o meu marido.»

«No escritório de advogados como estão as coisas?»

«Estão bem.»

«Muito bem podes sair vão para a salão já lá vou ter.»

A Maria saiu da sala e fechou a porta atrás de si.

 

No salão estavam todos presentes os quatro casais e um homem solteiro que era o irmão da Condessa tratado por todos por Manelito. Tinha um ligeiro deficit cognitivo, mas nada de muito acentuado. O salão estava ricamente mobilado por mobílias de mogno antigo, no chão estava um tapete persa, nas paredes estavam pinturas de antepassados da Condessa. No teto um enorme candelabro constituído por centenas de pedras de cristal iluminava aquele espaço.  

Numa mesa num canto do salão Márcio, Sousa, Nuno e Manelito jogam póquer a dinheiro.

As mulheres estão sentadas num sofá a falarem descontraidamente a Condessa sentada num cadeirão, apoiada na bengala, observava tudo à sua volta o seu olhar detém - se nos homens que estão jogar póquer.

Repara que Márcio está nervoso limpa com um lenço branco bordado de azul e amarelo o suor do rosto de forma constante, e já bebeu vários copos de whiskey. 

«Ai desculpem vou ter de ir ao WC não estou bem.»

«Ó Márcio, no meio de uma mão.»

«Desculpa Sousa tem de ser.»

«Não podes esperar um bocado.»

«Desculpa Nuno mas não.»

«Está bem se tem de ser.»

«Oh tio o que está ai a fazer o tio não percebe nada disso.»

«Não te preocupes Cristina é a feijões.»

«Não Manelito é a dinheiro.»

«Ah não sabia...»

«Oh pá vocês também.»

«Ele é que quis jogar.»

O Márcio não regressou em tempo útil por essa razão não houve "quórum" para se continuar a jogar póquer.

O tempo foi passando as conversas mantidas eram as conversas de salão mais usuais falavam sobre os filhos, os empregos e o estado do país. Entretanto a noite envolveu aquela terra com os seus longos braços. A Condessa e todos os convivas foram deitar - se. Durante a noite uma pessoa andava de um lado para o outro, Márcio ouviu o barulho e preocupado foi ver o que se passava abriu a porta da divisão e descobriu algo que todos já sabiam que Manelito era sonâmbulo. Era um fenómeno que durava pouco tempo, passeava pela sala, pela cozinha, e depois voltava para o quarto e deitava- se.     

«O que foi Márcio?» 

«O Manelito está a andar de um lado para o outro.»

«Oh ele é sonâmbulo anda por aí um pouco às voltas depois vai -se deitar não te preocupes.»  

«Está bem pronto não conhecia nenhum sonâmbulo só tinha ouvido falar.» 

«Vem te deitar.»

«Está bem.»

A noite passou sem mais aparentes sobressaltos, os hospedes acordaram com o grasnar dos gansos, reuniram - se todos na salão depois de passarem pelo WC. Acenderam a televisão e estivem a ver as notícias. Não conversaram muito por estarem ainda meio sonolentos. O Márcio já andava com um copo na mão.

«Já andas a beber?»

«Sim querida é por causa da ressaca.»

«Aí socorro, ... socorro.»

«O quê é?»  

«É a Condessa...»

«Aí meu Deus!»

«Levantaram - se todos em direção ao quarto da Condessa.»

Abriram a porta e a condessa estava sentada na cama a seu lado estava um porta-joias vazio.»

«O que aconteceu? Tia»

«As minhas joias desapareceram...» 

«O quê?»

«Ah alguém entro cá em casa.»

«Sim Cristina e levou - me a joias.»

«Ai meu Deus e agora?»

«O que aconteceu?»

«Roubaram as joias à tia.»

«Temos de chamar as autoridades.»

«Sim a tia é que sabe... o que é que fazemos?»

«Ninguém chama ninguém sem a minha autorização, seja a  vão para o salão já lá vão ter.»

«Está bem vamos.»

«Vamos... vamos.»

Os hospedes seguiram todos para o salão ainda incrédulos com o roubo as joias da condessa.

A condessa foi a ultima a entrar no salão vestia um vestido de cor preta e apoiava - se na bengala preta de mogno. Sentou - se no cadeirão e colocou a bengala no seu lado direito. 

«Olá a todos bom dia.»

«Olá tia.»

«Olá.»

«Bom dia.»

«Bom dia a todos.»

«Tenho a comunicar que as minhas joias desapareceram.»

«Pois já sabemos.»

«Valem um milhão de euros.»

«Estão no seguro tia?»

«Não! Não está queriam um fortuna por mês disse que não e não me arrependo. Estive a pensar não vou chamar as autoridades não quero escândalos, isso pode afetar - me os negócios... mas as joias vão ter de aparecer.»

«Bom se quiser posso ajudar na faculdade fiz uma cadeira sobre criminologia e li muitos livros de detetives Sherlock Holmes e isso...»

«Uma cadeira? Sherlock Holmes ...

«Sim do Conan Doyle.»

«Sei quem é ... e Márcio acha que consegue descobrir o ladrão e as joias ...»

«Sim penso que sim.»

«Bom vou dar três dias para descobrir o ladrão e as joias depois tenho de chamar as autoridades.

«Está bem aceito.»

«Mas o que tu percebes disso? 

«Percebo querida percebo ... bom vou dar uma volta pela propriedade à procura de pistas.»

 «Com licença.»

O Márcio levanta - se e sai do salão.

«As minhas joias de família só me faltava mais esta.»

«Vão aparecer tia esteja descansada não as colocou noutro sitio.»

«Não Maria Joaquina estavam no porta-joias, apetecia usar o colar de perolas neste dia e não estava lá nada nem um diamante para a amostra.»

«Ai valha me Deus.»

«Isto tem de ser tudo abafado...»

«Está bem Sousa já sabemos.»

O Márcio passou a casa a pente fino e foi descobrimento algumas "coisas" estranhas. Depois do almoço reuniu - se  no escritório  com a Condessa para lhe revelar o que tinha descoberto. 

A condessa sentou - se numa cadeira em frente a uma mesa e o Márcio à usa frente. Ao lado da janela estava um enorme cofre. Numa das paredes estavam livros grossos de direito, de capa dura e algumas enciclopédias. Uma janela daquela divisão deixava entrar os raios do Sol iluminando -o.  

«Então o que descobriu?»

«Muita coisa... muita coisa.»

«Antes disso tenho lhe a dizer que alguém andou aqui no escritório a mexer em tudo, ainda me abriu o cofre que fica aberto porque aqui a atrasado esqueci - me da combinação, e como não tem nada de valioso já nem sequer o fecho.

«Aaaah sim não tem nada importante lá dentro.»

«Não!»

«Diga lá então?...»

«Alguém partiu um vidro da cozinha.»

«Aaaah?»

«Sim é verdade.»

«E também cortou o fio que liga o alarme a este cofre.»

O Márcio apontou para o cofre.»

«O meu Deus bom mostre - me lá o vidro partido na cozinha.»

Ambos dirigiram - se para a cozinha. Esta era ampla com muito bem decorada ao fundo tinha uma porta que dava para o quintal, um dos vidros estavam partidos.  

«O que se passou aqui?»

«Alguém partiu o vidro.»

«Abra lá a porta.»

O Márcio abriu a porta. 

Os dois saíram para fora da cozinha.

«Mas os vidros estão por fora.»

«Cá fora?»

«Sim se alguém partiu o vidro por fora os vidros tinham que estar dentro da cozinha e estão do lado de fora.»

«...»

«Sim mas havia vidros por dentro coloquei alguns no lixo para ninguém se magoar.»

«Ah? Não toque em mais nenhuma prova sem me mostrar primeiro.»

«Está bem.»

«À descobri aqui algumas pegadas.»

«Aonde ao pé da porta da cozinha e junto à janela da cozinha.»

«Mas o que é curioso é que não ouvi os gansos grasnar, dormi mal tive insónias não os ouvi.»

«Mas porque é que não tem cães? São melhores cães de guarda.»

«Acha Márcio? Não os gansos são melhores, os romanos preferiam gansos a cães para guardar as suas casas, porque os gansos mesmo que não conheçam a pessoa grasnam sempre, os cães nem sempre ladram a quem conhecem, mas porque é que eles não grasnaram?»

«Não sei.»

«Para mim isso significa uma coisa muito clara.»

«O ladrão está entre nós.»

«Mas porque diz isso.»

«Depois digo agora continue a mostrar - me  o que já descobriu.»     

«Aonde é que está o fio cortado do cofre.»

Quando passaram pelo corredor estava cinco cartas meio dobradas no chão, de jogar no chão. Um valete de paus, um dez de paus, um nove de paus, um oito de paus e um sete de paus. 

«Mas que cartas são essas?»

«Não sei.»

«Então mas não joga póquer?»

«Ah»

«Bom depois pergunto lá dentro...»

«Estas cartas são um straight flush ...»

«O jogador ganha a mão?»

«Sim.»

«Estranho estarem no chão, acho isso muito estranho.»

«Dê - me as cartas.»

O Márcio apanhou as cartas e deu - as à Condessa.

Andaram mais um pouco e pararam  em frente à porta do escritório.

«Está a ver o ladrão cortou o fio que liga o alarme do cofre.

«Mas o fio está quase a tocar no teto como é que o ladrão conseguiu cortar o fio.

«Deve ter usado um escadote.»

«Então roubou - me as joias e tentou assaltar o cofre é isso?»

«Sim é... vamos ao salão.»  

O Márcio e a Condessa dirigiram - se para o salão .... já nessa divisão a Condessa passou a pente fino a lareira, as estantes, com os seus enormes cartapácios... os tapetes, o seu olhar passou pelas pinturas dos seus antepassados que lhe tinham deixado as joias ... e sentiu - se um pouco triste porque algumas dessas joias tinham - lhe pertencido. 

« Enfim houve aqui mexidas alguém andou aqui  a mexer existem coisas fora do lugar, por exemplo os elefantes que são pisa papéis, estão trocados. Alguns documentos em cima da lareira estavam de pé estão deitados.  Passaram - me a casa a pente fino para me roubarem ... »

«Não se preocupe Sr.ª. Condessa vamos apanhar o meliante.»

«Ai vamos, vamos garanto - lhe.»          

Lá fora as nuvens aos poucos acumulavam - se no céu a abóboda celeste em pouco tempo ficou carregada de nuvens negras. Uma grande chuvada inundou a propriedade só os gansos pareciam não se preocupar com a chuva.  

A Condessa voltou para o escritório para organizar alguns dos papeis do cofre e também para ver se faltava alguma coisa. Entretanto ouviu - se dois toques na porta.

«Sim?»

«Olá Joana o que é?»

«Condessa a maquina de lavar loiça avariou - se.»

«O quê? É nova!»

«Pois não sei não funciona .»

«Já vou ver o que se passa.»

«Está bem.»

«Precisa de alguma coisa?»

«Não Joana podes ir.»

 A Joana saiu e fechou a porta atrás de si.»

«Tenho de ir lá abaixo ver o quadro elétrico se calhar saltou algum fusível. A minha bengala? Está aqui? Bom deixa - me ir continue as investigações depois falamos.»

A condessa saiu do escritório vagarosamente mas em passo decidido, passou pelo corredor virou à direita desceu umas escadas, abriu uma porta e acendeu a luz dessa divisão, as paredes estavam pintadas de branco lá ao fundo havia uma pequena janela com barras verticais.  Andou cerca de quatro metros e lá estava um gigante quadro elétrico à sua frente do lado direito. 

«Está tudo bem ah um dos botões está para baixo é o da máquina de lavar estranho... isto nunca aconteceu ... bom vou ver se consigo por o botão para cima.»

A Condessa fez pressão no botão e este ficou para cima.

«Já está bom vou para o escritório.»

A Condessa foi em direção a porta e agarrou na maçaneta.

«Mas? Não abre.»

Fez várias tentativas para abrir a porta mas esta não abria.

«Oh meu Deus não abre socorro... sou claustrofóbica socorro.»

À medida que ia gritando a sua voz ia ficando mais fraca.

«Socorro, socorro ... vai - me dar uma coisa socorro.»

Usando a  bengala a Condessa batia na porta.

«Acudam... acudam... »

Entretanto alguém abriu a porta era um dos caseiros o Sandro a Condessa saiu da divisão.

«Ai meu Deus a porta estava fechada?»

«Sim estava fechada a sorte é que a chave estava na porta por fora.»

«Ai não me estou sentir bem.»

A Condessa sentiu - se a desfalecer o Sandro agarrou na Condessa ao colo e levou -a  para o seu quarto. As suas sobrinhas decidiram chamar o médico para saber o que se passava com a sua tia. 

O médico lá apareceu tinha cerca de cinquenta anos usava barba rasa, vestia fato cinzento sem gravata trazia na mão uma pequena mala preta. Estavam no quarto da Condessa as duas sobrinhas e o médico.

«O que tem a minha tia Dr. ?.»

«Foi apenas uma queda de tensão a Condessa tem de descansar alguns dias e vai ficar tudo bem.»

A Condessa abriu os olhos e fez que não com a cabeça.

«Tem de descansar tia ordens do médico.»

«Já estou melhor obrigado.»   

A noite inundou a propriedade a chuva continuava todos os hospedes foram deitar  - se. 

Num dos quartos de hospedes Márcio e Maria Cristina falam.

Estão ambos deitados na cama a Maria está de camisa de dormir branca, o Márcio de pijama azul. 

«Então já descobriste algum coisa?»

«Já!»

«Desconfias de quem?»

«Do Nuno está cheio de dívidas.»

«Pois acho que deve um milhão...»

«Tanto?» 

«Ouvi zuns ... zuns.»

«É muito ...»

«A tua tia vai - lhe emprestar o dinheiro?»

«Já ouvi dizer que não.»

Entretanto o Márcio aproximasse da Maria e beija - a no pescoço.

«Nem penses.»

«Só faço amor na minha casa.»

«Mas porquê?»

«Porque pode haver pessoas nas outras divisões a ouvir.»

«Ah?»

«Põem a base dos copos nos ouvidos a outra parte colocam junto das paredes para ampliar o som e ouvir.»

«Mas tu fazes pouco barulho.»

«O quê? E de quem é a culpa ... não me faças falar... »

O Márcio levantou - se da cama. 

«Onde é que vais?»

«Vou beber um copo.»

«O quê? Oh pá isto assim não dá ... vou divorciar - me.»

«Não vamos nada calma.»

«Oh pá estou farta... as pessoas estão a reparar que estás sempre a beber.»

«Os outros também bebem.»

O Márcio saiu do quarto e fechou a porta atrás de si.   

«Estou farta disto casei com um bêbado? Não estou a perceber... assim não dá não tenho sorte nenhuma com os homens...»  


 Noutro quarto Nuno e Maria Joaquina falam, estão deitados na enorme cama de casal.

«Falaste com a tua tia?»

«Sim.»

«Vai emprestar - me o dinheiro?»

«Oh pá ... não! Diz que para venderes os carros todos que têm em stock e que depois se quiseres fala com os bancos para te emprestarem o dinheiro em falta para pagares as dívidas. 

«Mas a tua Tia é rica bolas.»

«O querido não é ... diz que tem todo o dinheiro investido.»

«Isso é mentira!»

«Oh Nuno tu não chamas mentirosa à minha tia. A Condessa tem culpa que não percebas nada de negócios?.»

«Não claro que não...»

«Uma pessoa muito parecida comigo disse para não te meteres nisso estávamos bem e agora estamos ... péssimos.»

«Isto resolve - se não te preocupes.»

«Então despacha lá isso... vende os carros pede o empréstimo a minha tia ajuda - te.»

«Se calhar é mesmo por ai que tenho de resolver isto.»

«Estás a ficar esperto vê - lá isso,  quero viver os meus sonhos  e não viver  pesadelos».

«Está bem tens razão.»

Noutro quarto o Sousa e a Dulce dormem o sono dos justos, ambos em posição fetal, ele ronca a mulher não. 

Pela janela do quarto percebesse que a chuva parou o vento uiva, a luz de um candeeiro ilumina  a propriedade, ouvem - se cigarras e grilos e o distante som emitido por um mocho.    

Pela manhã a Joana bate na porta da Condessa.

«Sim?»

A Joana abriu a porta e entrou. 

«Bom dia.»

«Bom dia Condessa.»

«Precisa de alguma coisa?»

«Neste momento peço - te que me tragas o pequeno almoço aqui à cama quero descansar mais um bocado, trás só as torradas e sumo de laranja.»

«Está bem vou providenciar.»

«Estamos a falar muito bem.»

« Nasci em Guimarães lá somos muito sofisticados.»

«Muito me contas.»

«Bom vou buscar o pequeno almoço.»

«Vai lá.»

A Joana saiu e quando ia fechar a porta alguma coisa chamou a sua atenção, baixou -se e apanhou algo do chão.

«Olha é um botão de punho.»

«Dá cá.»

«Será que é do ladrão das minhas joias.»

«Se calhar é.»

«Obrigado Joana põe em cima da mesa de cabeceira já o vejo melhor.»

«Está bem.»

A Joana colocou o botão de punho em cima da mesa de cabeceira e saiu. 

A Condessa ficou a olhar para o botão de punho. 

Os hospedes depois de passarem pela casa de banho dirigiram -se todos para o salão aonde o Márcio tinha uma declaração a fazer. Quando todos já estavam sentados no sofá ou em cadeiras e a condessa sentada no cadeirão  o Márcio  pediu a palavra.

«Diga o que tem a dizer Márcio o palco é seu.» Afirmou a condessa.

«Bom fiquei encarregue de descobrir qual o ladrão das joias incumbência que me foi dada pela Sr.ª Condessa de D... tenho então que vos dizer que descobri o ladrão não é mais nem menos que ... »

«Sherlock Holmes... Sherlock Holmes...» «Afirmou o Manelito todo contente e aos saltos.

«Foi o Manelito.»

«O quê? o Manelito.»

«Sim.»

«Não fiz nada que conversa é esta?»

Dentro de um saco o Márcio retirou as joias e mostrou - as ao seu público.

«Ai mas como é que possível.»

«O Manelito.»

«Ah não me lembro de  nada ... se soubesse tinha fugido com as joias não me lembro de nada.»

«Ó Manelito menos... não, não foi nada ele.»

«Calma Joaquina foi ele  mas como sabem o Manelito é sonâmbulo e fez aquilo que fez num estado de sonambulismo, por essa razão não se lembra de nada e como sabem é imputável devido à sua condição clinica. Resumindo ele levantou - se da cama passeou pelo corredor entrou no quarto da Condessa e retirou as joias do porta-joias e coloca - as num saco  e voltou para o seu quarto colocou - as então dentro de saco com joias no armário e deitou - se foi lá que as encontrei.»

«Mostre - me cá as joias.»

O Márcio entregou as joias à Condessa que contou as joias.

«Muito bem vamos fazer um pequeno intervalo já voltamos preciso de descansar um bocado é muita emoção.»  

A Condessa regressou ao seu quatro e levou o saco com as joias na companhia  da Joana entraram  no quarto a Condessa sentou - se na cama e despachou  as joias em cima da cama.

 «Logo vi falta aqui um anel com brasão que o meu Pai costumava usar.»

«...»

«Ainda não sei quem é o ladrão mas  o meu Manelito não é tenho a certeza um sonâmbulo não anda a cortar fios nem a desligar fusíveis... ah espera ai ò Joana vais aos quartos dos hospedes vê - lá se encontras alguma camisa nos armários ao qual lhe falte um botão de punho igual a este.»

A Joana agarrou no botão de punho que estava em cima da mesa de cabeceira olhou para ele e voltou a coloca - lo no sitio.

«Está bem vou procura - lo saiu e fechou a porta atrás de si.»

A Condessa agarrou no smartphone que tinha em cima da mesa. E fez uma chamada que foi prontamente atendida. 

«Olá Melo tudo bem? Por aqui? Menos mal mas cá estamos ... não está tudo controlado não te preocupes ... queria que me investigasses uma  pessoa ... 

A governanta regressou uma hora depois.

«Entrão descobriste alguma coisa.»

«Sim duas camisas as quais lhes faltam um botão de punho igual  aquele.»

«Duas?»

«Uma no quarto do Márcio o outro no quarto do Nuno.»

«Oh pá que chatice um deles foi mas qual?»

«Tenho aqui umas cartas que formam um straith flash ou lá o que é que descobrimos no chão do corredor.

A Condessa retirou as cartas de dentro da mesa de cabeceira. 

 Mas estão ligeiramente dobradas sabes porquê?»

«Ai que engraçado a Sr.ª Condessa não sabe.»

«Ó Joana diz lá o porque é que as cartas estão dobradas, olha que isto é um assunto sério.»

«Não sabe ... não sabe...

«Ó rapariga diz lá.»

«São cartas de batoteiro.

«Ah o que estás a dizer.»

«Sim e estão dobradas para caberem na manga como o braço é ligeiramente redondo, os batoteiros  dobram as cartas para estas caberem na manga e ficarem escondidas. A Sr.ª Condessa nunca ouviu a expressão ter "cartas na manga".» 

«Claro que já ouvi ... espera ai na unica vez que eles estiveram a jogar póquer ouve um jogador que estava a beber muito e que se levantou nervoso e saiu, e não regressou mais ao jogo, queres ver que foi quando se apercebeu que não tinha as cartas.»  

«Quem foi? Quem era?... »

«Hum... amanhã antes de os hospedes se levantarem tens de me fazer um favor... »

«Qual favor...»

Na manhã seguinte a Governanta bateu em todas as portas dos quartos.

«Toca a levantar a Condessa pediu para irem todos para a sala de estar,  vai haver uma reunião,  por outro lado, pediu - me para vasculhar  todos os quartos de alto abaixo à procura do anel que falta aparecer ... toca a levantar.»

«Mas isso já não estava já resolvido.»

«Sousa levanta - te lá.»

«Sabes que tenho mau acordar ...»

«À muito que não fazemos aquilo que tu sabes.»

A Lurdes ficou a olhar para o marido com olhar muito sério.

«Agora é dizes meu parvo... vamos lá ver o que a Condessa nos quer.»

«As joias outra vez... »

«Não sei anda lá.»

Os hospedes dirigiram - se todos para a sala de jantar. Tinha uma enorme mesa preta de mogno no meio e cadeiras ricamente decoradas também na mesma madeira preciosa. As paredes eram brancas. Ricamente decoradas com pinturas do século XVII e XVIII era sobretudo pinturas italianas.  

«O que é será agora roubaram a loiça à velhota.»

«Ó Sousa estás tu vê - lá.»

«Estou a brincar ...»

«Ó mana se a tia ouve ...»

«Ele cria festa não lhe dei... está armado em parvo ...»

«O Lurdes cala - te lá.»

«Também com essa barriga ...»

«Oh pá ó Lourdes olha que me vou embora para o Porto.»

«Vais ...vais ...»

«Querias festa Sousa ...»

«Oh Nuno tem dó ... já à muito tempo que não .... »

«Oh Sousa olha que te meto um processo... está armado em D. João da Moita não me faças falar.»

«Estou a brincar uma pessoa tem de brincar ou dá em doido.»

«Estás muito brincalhão.»

«Gostava de ter sido humorista.»

«Tens cá uma jeiteira.» 

«Eh lá ò Márcio já de copo na mau...»

«É sumo e ...»

«É sumo é ...»

A Condessa entrou na sala trazia o colar de pérolas ao pescoço. Foi para o fundo da  sala.

«Sentem - se nessa ponta se faz favor.»

Todos presentes naquela sala sentaram - se  na ponta da mesa. 

«Joana chama os caseiros para aqui.»

A governanta saiu e pouco depois entraram os três, governanta, Sandro e Rodrigues ficaram de pé no fundo da sala.

«Muito bem como sabem a maior parte das joias foram devolvidas, falta um anel  com Brazão que pertenceu ao meu pai. O ladrão está nesta sala. E como é que o consegui descobrir?

A Condessa retirou as cinco cartas do bolso do vestido. 

«Por estas cartas que ele deixou cair no corredor da casa.»

«Mas quem é tia senão parece que somos todos culpados.»

«Muito bem o ladrão é o Márcio.»

«Aaaah.»

«Será possível.»

«Nunca me passou pela cabeça.»

«O quê? Mas entreguei as joias e ...»

«Falta uma que é a mais importante é valiosa que é o anel do meu Pai.»

«Não tenho nada a haver com isso.»

«Oiça Márcio estava a jogar póquer no primeiro dia que vocês vieram cá, queria fazer batota quando percebeu que não tinha as cartas na manga levantou - se para as procurar, passou por cima delas no corredor e não as viu como não as encontrou em lado nenhum já não voltou para o jogo. O Márcio dobrou as cartas para estas caberem entre a manga e o braço por essa razão estavam dobradas.  Depois só fez disparates, partiu o vidro da cozinha de dentro para fora, ao desligar fusível do cofre enganou - se e desligou a máquina de lavar, deixou cair um botão de punho no meu quarto. Tudo porque passou o tempo todo a beber em excesso.  

«Não não é verdade.»

«Márcio coloque o anel em cima da mesa ao pé de mim, e pode ir em paz de outra maneira chamo as autoridades sei que tem o anel consigo. Quer que mande o caseiro tirar - lho.»

O Márcio olhou para os dois caseiros, dois homens bastantes corpulentos a sua altura passava o metro e oitenta. Este bebeu o whiskey de um trago, tirou o anel do bolso e deu várias passos em direção à Condessa colocando o anel em cima da mesa.»

«Que vergonha meu Deus.»

«Coitado...» 

«As pessoas são capazes de tudo.»

«Que vergonha...»

O Márcio não sabia onde se meter. 

«É tudo?»

«É tudo ... nunca mais volte a falar comigo ... e está proibido de entrar na minha propriedade, não me posso esquecer que me fechou na arrecadação sabe se para quê? Acusou o Nuno depois o Manelito do roubo das joias quando era você o meliante e isso é falta de caracter.»  

O Márcio dirigiu - se depois para a porta da sala sem olhar para os outros hospedes.

«Rodrigues e Sandro acompanhem o senhor ao carro. A Maria Joaquina fica comigo temos de falar.

«Está bem tia.»

 «Do fundo do coração espero que Deus o ajude.»

Durante alguns minutos ninguém falou, alguns dos hospedes estavam tristes outros abanavam a cabeça.

Entretanto os hospedes arrumaram as malas despediram - se da Condessa e foram andando para as suas viaturas.   


O Sousa e a Maria Cristina entram no seu carro. 

«Ai que vergonha.»

«O que queres fazer é a vida.»

«As pessoas são capazes de tudo.»

«Não temos nada a haver com isto.»

«As nossas empresas trabalham com as empresas da Condessa.»

«Não digas não sabia...»

«Isto tem de ser tudo abafado.»

«Claro que sim.»

«A tua irmã tem de se divorciar desta pessoa telefona-lhe e explica-lhe a situação tem de por o divórcio em cima da mesa.»

«Pensas que a minha irmã não sabe já isso?»

«Não sei vê - lá.»

«Quero saber é como está a minha tia.»

A Maria Cristina agarrou no smartphone e fez a chamada para a sua tia.

«Ele nunca me enganou?»

«Cala - te lá vocês eram super amigos.»

«Não nem pouco mais ou menos.»

«Olá tia é a Cristina estava aqui a pensar não queres que fique aqui contigo?»

«Não? A minha irmã fica? Está bem podias, se faz favor, dar o telefone à Maria Cristina queria dar - lhe um lámiré.

«Obrigado tia as melhoras...»

«Olá mana grande bronca? Não estás com paciência para falar... pois imagino só uma questão, o divórcio está em cima da mesa certo? Ah pois tem de ser... que vergonha quem é que aquele idiota pensa que é? Pensa que nós somos todos parvos? Coitada da nossa tia... na idade dela? Olha nunca mais fales com ele trata tudo pelo advogado.»

«Boa tinha me esquecido disso.» «exclamou o Sousa.»

«Está bem trata disso se precisares de ajuda diz... podes contar comigo para tudo. Está bem tchau fica bem...»

«Pronto está resolvido a minha irmã vai - se divorciar.»

«Boa é assim mesmo tem de ser ... menos uma chatice... estava a pensar em beber um copo no caminho para casa.»

«Tu sabes que a minha pessoa não anda em carros com bêbados.»

«Aaaaah?»

«Não é lá é cabelo.»

«Oh pá ...»

«Vamos para casa bebes lá e se te esticares dormes no sofá.»

«Tu és terrível ...»

«Ah!Ah!Ah!... estou a brincar.

O Sousa colocou o carro a trabalhar carregando num botão e a viatura partiu em direção à cidade do Porto.

Os gansos continuaram a patrulhar a propriedade .... uma suave brisa desceu sobre a quinta as árvores abanaram com o vento, as nuvens dispersaram e revelaram o céu azul em toda a sua dimensão, alguns pássaros cruzaram o espaço ... com os seus gritos levando na boca comida para os filhos. A normalidade aos poucos foi chegando e passados alguns dias tudo não passou de um sonho mau que foi sendo esquecido com o passar do tempo. O divórcio entre Márcio e Maria Joaquina foi consumado num tribunal da cidade invicta, a Condessa de D ... recuperou a olhos vistos das agruras a que foi sujeita e continuou a gerir os negócios da velha nobreza nortenha.       


Epílogo 


A Maria Cristina está no quarto com a sua tia, a Condessa está deitada na cama.

«Sempre te vais divorciar?»

«Sim já andava a pensar nisto já algum tempo o Márcio tem problemas com o álcool e ...

«Pois ... ele também tem problemas com o jogo deve dinheiro a pessoas complicadas divorcia - te e depressa.

«Mas como é que a tia sabe? 

«Pedi ao Melo para o investigar e ele contou - me que o Márcio tem problemas com o álcool e dividas de jogo.

«Nunca me disse nada...oh tia mas como é que sabia que o Márcio tinha o anel no bolso?»

«Porque percebi que as cartas no chão só podiam ser dele, vi o teu marido a levantar - se da mesa do jogo muito nervoso, quando percebeu que não tinha as cartas na manga. A Condessa fez uma pausa.  Ele entregou as minhas joias mas ainda tinha o meu anel, pedi então à minha governanta para dizer quando vocês se estavam a levantar que a Joana ia procurar o anel nos quartos, a Condessa fez uma pausa. Percebi que o Márcio era uma pessoa nervosa e convenhamos alcoólico quando a Joana disse que ia procurar o anel no quarto esperava que o Márcio devido ao seu perfil psicológico colocasse a joia no único sitio onde pensava que a minha governanta jamais iria procurar...

«No bolso tia ...»

«É isso mesmo ... no bolso.»

«A minha tia é tão esperta... merece um beijinho.»

A Cristina abraçou a Condessa e deu - lhe um beijo no rosto.

«Obrigado Maria já estava a precisar.» 


Na antiga propriedade nortenha o Sol voltou a brilhar e as agruras voaram para longe ...


P.S - É possível que tenha de fazer algumas alterações.  



Tento

Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...