Uma ave no poleiro
Um melro um macho de penas pretas
Bico amarelo, e peito grande.
Desceu do poleiro procurou
Comida na relva fresca logo pela madrugada
Na terra molhada procurou
E comeu minhocas e insetos, regressou ao poleiro
Observou o horizonte tão belo
As nuvens deixavam o Sol iluminar
O vale …era ali que resolveu erguer o seu castelo.
E por ali ficou…
Mas a pequena ave percebeu que lhe falava algo
Nas conversas que tinha tido com os seus pais
Antes de sair do ninho recordou os diálogos
Sobre a vida o conhecimento
A filosofia, não a de alcova
Mas da antiga de Sócrates e Sófocles.
E percebeu que lhe faltava alguma coisa…
Mas o quê? Depois percebeu,
Precisava de alimento para a alma
Ali naquela tarde calma
Decidiu procurar
O animal mais sábio do bosque… o Mocho
Queria pedir - lhe conselhos,
Quando tinha dúvidas pedia sempre ajuda
Aos mais velhos,
Para não repetir erros antigos, má fortuna ,
Equívocos dolorosos, sinas tristes mas evitais
Observou o céu à procura de aves de rapina
Suas inimigas, sim os inimigos espreitam
Qual rapaces...procurando falhas no comportamento
Para depois as soltar ao vento...como não viu nenhuma
Num bater de asas entrou
No bosque estava escuro, o vento empurrava - o para o poleiro não quis saber
E fintando as arvores o vento e alguns medos, viu lá em cima numa arvore num buraco um mocho
A espreitar, poisou num ramo a seu lado.
O símbolo da sabedoria olhava - o com os seus grandes olhos
«Olá» exclamou.
«Benvindo o que posso fazer por ti?»
«Sinto que me falta algo estou entediado»
«Vai passear pelo bosque»
«Pelo bosque? Tenho receio»
«Mas porquê?»
«E muito escuro o Açor pode estar por lá»
«Não está podes ir !»
«Preciso de alimento para a alma»
«Enfrenta os teus medos!»
«Não sei»
«Isso vai te libertar para um novo mundo»
«Aonde é esse mundo»
«Um mundo onde jorra leite e mel»
«Não conheço»
«Passas a conhecer e ficarás mais forte»
«Hum...»
«Liberta a tua voz interior»
«Para isso tenho de enfrentar os meu medos?»
«Sim e tens de acreditar em ti»
O melro olhou o bosque e pareceu - lhe tudo
Muito negro e muito escuro
Ficava sempre na orla do bosque
Para evitar os predadores
Mas se o açor não vivia ali decidiu
Que podia enfrentar os seus medos
«Está bem vou passear pelo bosque»
«Não tenhas medo e assim entrarás num mundo melhor»
«Está bem!»
O melro entrou no bosque saltitando de ramo em ramo
Um pouco nervoso a olhar para todos os lados
Quando sentiu confiança com um bater de asas forte e decidido voou
Pelo bosque admirando as enormes arvores a urze e as flores
Poisou num pequeno e enquanto alisava as penas reparou
Numa enorme ave que olhava para ele de olhos vermelhos e peito branco.
O melro deu um enorme grito e fugiu para a orla da floresta
Poisou ao lado do ramo onde estava o mocho.
«Mas disseste que não estava neste bosque mas está»
«Não está é tudo imaginação tua.»
«O quê??»
«Vai lá outra vez enfrenta o teu medo ficarás mais forte.»
O melro ficou um pouco aflito mas resolveu confiar no mocho
Entrou no bosque e poisou no ramo em frente à árvore onde tinha visto o açor.
Olhou fixamente para o ramos altos dessa árvore
E aos poucos foi reconhecendo os contornos do Açor.
«Mas ele está ali...está ali...»
«Espera!»
«Mas quem és tu»
«Uma fada a fada do mel»
«Mas és muito pequena»
«Sim e consigo voar.»
«Está ali um Açor e ...»
«Não não está olha para lá»
«O melro olhou para os ramos altos.»
«Ele estava ali...»
«Não era imaginação tua...sempre que precisares de mim chama - me.»
«Mas não sei o teu nome.»
«Sou a fada do mel...quando precisares de mim canta.»
«Mas não sei cantar.»
«Sabes e tens um canto muito bonito.»
«Tenta lá...»
O melro aos poucos foi tentando cantar e em em pouco tempo estava a entoar um belo canto.
«Oh não sabia que podia cantar tão bem»
«Por vezes conseguimos fazer coisas que não imaginávamos ser possível»
«Tens razão fada do mel!»
«Era o alimento para a alma que andava à procura obrigado!»
«De nada sempre que precisares de mim chama - me é só cantares que venho logo para ao pé de ti para te ajudar no que for preciso.»
«Obrigado fada.»
A fada do mel acenou com a cabeça e voou para dentro do bosque.
O melro saiu do bosque e regressou ao sitio onde estava que lhe permitia ver o vale.
E ao ouvir o canto dos outros pássaros percebeu que estava a chamar a fada do mel para esta os ajudar a enfrentar os seus medos.