sábado, 16 de maio de 2026

Palavras

Os sonhos nascem das palavras
Ditas ou pensadas …
Não existe nada mais poderoso
Que as palavras nem o tempo as consegue apagar.

As palavras não se deixam apanhar
Pelo mainstream … de quem não cultiva a erudição mental …
Temos que cultivar o intelecto
E a sapiência
Para as conseguir interpretar.

É assim desde Homero
Um escritor, e poeta grego,
Que escreveu com a sua pena
As aventuras de heróis e deuses
Loucos pelos cabelos loiros de Helena.

As letras são uma espécie de grande fogueira
Que nunca arde mas ilumina
Pelo menos desde os sumérios,
Toda a humanidade.

E tudo teve início numas pequenas placas
De barro cozido com escritos em cunha 
do tamanho de uma unha 
Mas que se conseguia ler e compreender o significado.

Muito Sol já apareceu
E desapareceu no horizonte
Desde esse tempo …
Muita palavra foi escrita muitas vezes
Em condições precárias,
Enquanto o seu autor procurava pessoas 
Para ser lido, compreendido e se dar a conhecer

Toda a Arte tem início com palavras
Ditas ou pensadas sem estas
Não existe algo que a sustente apenas concretizações desconexas 
Imperceptíveis sem base para sustentar um pensamento
Analítico, concreto, imorredouro.

As letras são uma árvore gigante primordial com longos troncos,
Que crescem em florestas secretas ditadas 
Pelo entendimento humano.
Em qualquer local do planeta escritores
E poetas alimentam a dita árvore com novos ramos
E folhas ditosas do seu legado.

As palavras por vezes
São maiores que o pensamento
Porque idealizamos algo no início da nossa vontade de fazermos algo …
E nasce um desiderato completamente diferente 
Do que tínhamos pensado mas superior mais belo, mais bem congeminado.

Estas são vento, granizo, tempestade, 
Calma e vontade de mudar as coisas, moldam tudo a sua volta …
Pelo menos desde que a humanidade
As aprendeu a desenhar em pequenas placas
De barro cozido em Ur, Lagash ou Nippur.

Contando factos, histórias, pactos, actos grandiosos
E grandes progressos …
Que só ficaram impressos, porque essas palavras foram gravadas,
Por alguém no tempo e no espaço ao longo de milhares de anos.

E preciso ler e cultivar o intelecto 
Para não cairmos nas escadas
Dos nossos próprios pensamentos 
E sermos ultrapassados 
E ficarmos sem norte
Vendo os outros evoluir 
É nós sempre a cair 
No esquecimento ...

Queremos coisas diferentes com sabor a novo 
Mesmo ... 
Que demore algum tempo
A sermos lidos,
Aceites.
Ouvidos …
E compreendidos.

Palavras são aonde poisamos 
O nosso pensamento ... 
Antes que o vento
Os leve para longe ...


















sexta-feira, 8 de maio de 2026

Agiganta-te

Os sonhos rasgam montanhas
Transformam os desertos em mares
Sombras em luz … ódio em amor
Bestas em animais submissos.
Agigante-te sobe as tuas escadas num supetão …
Mesmo que ninguém te dê a mão … vai …
E converte todos os teus problemas
Em inspiração para subires mais alto
Lá aonde poucos se aventuram,
E os teus medos e inseguranças vão …
Aos poucos mas vão … voando, saindo de ti ... afastando-se …
E deixam de estar na tua esteira …
E desfazem - se como fagulhas numa grande fogueira.
E nesse momento estás a navegar
Num mar de senhoras cheio de Sol, espuma
E água transparente … vês e ouves sorrisos e elogios …
E as tuas metas pessoais, que pareciam inatingíveis,
Ausentes de ti ... distantes ... fazem uma vénia
À tua determinação indomável
E no meio do vento temperado e do azul imaculado,
Acompanham-te pela praia dos teus sonhos …,
Levando-te a ti aos ombros …





quarta-feira, 6 de maio de 2026

Monte das intempéries

Monte das intempéries 


Vi-te a subir o velho monte
Enquanto o vestuto monte subia contigo ...
De lenço na cabeça
Ninguém te parava
Em relação a chuva
Por vezes forte ...
Não lhe ligavas nada ...
Porque mesmo assim era suportável.

E a águia passava
Lá em cima? Passava ...
E o mocho no meio
Do bosque escondido entre
As folhas piava … piava só para te disser
Que lá estava …

Só querias concretizar o teu objetivo
Ler as letras miudinhas
E as parangonas dos jornais 
Que de vez enquanto 
Os teus pais traziam, para embrulhar
Produtos comprados nas lojas do povo 
Mas que não conseguias entender 
Porque não sabias ler.

Às vezes o vento vinha
Furioso e altivo 
Para testar a tua vontade …
O teu equilíbrio
Mas por mais forte que fosse
Continuavas firme no teu caminho.

E a águia passava
Lá em cima? Passava ...
E o mocho no meio
Do bosque escondido entre
As folhas piava … piava só para te disser
Que lá estava …

Nem todos percebiam o teu querer
Para que querias
Aprender a ler?
E as terras ficavam por amanhar?
E tu respondias 
A mãe natureza por vezes 
Também precisa de descansar.

Por essa razão
Só podias ir juntar as letras
Nas intempéries com o mau tempo 
Porque não podias trabalhar nas terras 
De lenço na cabeça
Pela estrada de areia batida fora subias 
Os quatro quilómetros porque querias aprender,
Aquilo que o teu entendimento
Entendia que tinha de ser ... 

E a águia passava
Lá em cima? Passava ...
E o mocho no meio
Do bosque escondido entre
As folhas piava … piava só para te disser
Que lá estava …

As senhoras da nobreza que ensinavam
A ler e a contar 
Recebiam-te sempre bem
E preocupavam - se contigo por vires à chuva pela estrada …
E tu respondias está tudo bem já estou habituada.

Ficavas numa sala ricamente decorada
Aonde havia um retábulo, uma custódia e quadros nas paredes 
E aos poucos … com a leitura e os ensinamentos 
Sentada junto a uma mesa com outras adolescentes 
Iam todas ficando cada vez mais sapientes.

Alegre e bem disposta.
Os oito quilómetros não faziam diferença …
Porque a tua crença
Em aprender era mais forte
Mesmo cansada com o corpo molhado e moído 
Chegavas feliz a casa.
Por o muito que conseguias aprender 
Em cada viagem.

E algum tempo depois
De subir o velho monte 
Enquanto o vestuto monte subia contigo 
As letras começaram a fazer sentido
E já conseguias ler não sem alguma comoção 
Jornais, revistas e livros ...
  
E a águia passava
Lá em cima? Passava ...
E o mocho no meio
Do bosque escondido entre
As folhas piava … piava só para te disser
Que lá estava … 




domingo, 26 de abril de 2026

Vai

Vai


Agarra em papel e caneta e vai
Par aonde o teu espírito te levar
Queres voar por cima das nuvens vai ... 
Queres voar no meio das flores vai ...
Queres perceber aonde nasce o vento vai ...
Queres dançar no meio das ondas vai ...
Não deixes que ninguém te diga
Para aonde não podes ir …
Não te deixes cair no mainstream
Aonde nada nasce e tudo mirra …
Existem momentos na vida
Aonde só temos a nossa verdade 
E uma força indomável de vencer …
Ninguém mais pode fazer acontecer os nossos desejos…
E todos os abraços e beijos que conseguires dar são teus
E tudo o que almejares e conseguires conquistar
Também te pertence
E já ninguém te pode tirar.
Amarra-te só a quem gosta de ti
Quem não gosta deixas os ir
Porque essas pessoas também têm
O seu destino para cumprir …
E tu não fazes parte dele,
Por mais que te custe.
Mas à sempre alguém especial
Que nos faz sentir vivos e contentes
São essas pessoas que te esperam
Para conviveres.
So tens que agradar sem
Seres servil …
Ajudares sem pedir nada em troca
Aceitares a crítica se for construtiva
Dizeres a verdade e não a mentira
Procurara fazer o que mais gostas
Porque só assim serás feliz
Por todos esses motivos vai com a
Tua verdade no bolso e o teu sorriso
Mas não passes a vida sozinho apenas
Focado em ti … vai e descobre
O teu caminho … e partilha - o com alguém
Que te ajude a cumprir o teu destino …

sábado, 18 de abril de 2026

Afasto-me

 ´

Afasto-me

Afasto-me … afasto-me silenciosamente
Pela beira da estrada sigo …
Pelo caminho das pedras vou … se for preciso …
Quero ser independente da opinião dos outros
E desfrutar da vida como bem entender.
Cada um com a sua verdade
Colhe as flores do prado,
Feliz e inocente ...
Se errarmos? Quem nunca errou?
É preciso é seguir em frente.
Esquecendo alguns dias menos conseguidos …
Guardamos os nossos segredos, 
E desfrutamos dos nossos amores …
Que um dia pensava-mos terem
Ficado perdidos entre os rochedos …
No meu degrau dourado procuro
No meu interior ... o equilíbrio
Que me torne um conquistador
De sonhos que um dia criei
Na minha mente e que não vão poder
Ficar muito mais tempo longe
De mim …
Porque tudo na vida vai prescrevendo e também o encanto que temos por algo
Se demorar muito vai se desvanecendo …
Se tudo fosse fácil a vida não tinha interesse,
Temos de subir a montanha
Quase todos os dias ...
A vida não é uma montanha que temos de subir e sim uma cordilheira,
São várias montanhas, escolhemos a que queremos 
E não paramos mesmo depois de envelhecermos …
Enquanto houver montanhas
Para escalar … 
É algo que é preciso não esquecer também existirá sempre vontade de viver.



segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Tento

Tento


Tento escrever dias, noites e silêncios
Procuro em mim algo que esclareça
Quem sou …
As flores do meu jardim
Olham-me esperando algo novo para as animar e fazer sorrir …

Ouço o piano dos prados
Para tentar descobrir o que colocar
No próximo ditame
Que a minha alma produzir …

A poesia é uma espécie de água benta 
Aonde lavo os meus pecados 
Mas estes já cá estavam antes de nascer … 
Fazem parte da condição humana de todos nós.

Cada um tem a sua razão
A sua verdade …
E a sua história para contar
Á quem a esconda não os levo a mal existem coisas que é melhor nunca revelar.

Joguei ás cartas numa jangada perdida
No rio …
Mas por pouco tempo
A vida não é um jogo de cartas
Mas de xadrez, temos que ter muito cuidado com o caminho que decidimos percorrer
Existem minas por todo lado.

Tentei fixar paisagens
Amores, desejos e vontades …
Imitar Alexandre “o grande” nos seus combates …
E conquistar o mundo com a minha Arte.

Subo nos ombros de gigantes
Para ver mais longe
Derrubo muros com a fronte
Lá ao longe vejo qualquer coisa profunda, pura e diferente …
Não com os olhos mas com a mente …

É preciso reinventar a Arte o mundo as pessoas … 
O amor e tudo e tudo e tudo …
A poção mágica da evolução
É a nossa salvação … sempre foi e será …

E o mundo vagueia no espaço 
Por entre estrelas e cometas, luas e planetas, 
Á procura de um caminho seguro 
E de um melhor futuro que tarda em se materializar.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Escrito no vento

Escrito no vento 

Não consigo parar o vento
Nem o tempo …
Só a continuidade da nossa prole 
Nos garante a sobrevivência da espécie.

Por isso construímos obstáculos
Para os conseguir ultrapassar
E observamos outros mundos,
Para um dia os podermos conquistar.

Mas o mundo não é só economia 
Conquistas e guerras …
Ou discursos vazios de
Quem vem para tudo menos
Para nos salvar …

Por essa razão …
Prefiro observar o verde campo
Que um dia já esteve coberto
De neve fria …

E de ver a alegria das pessoas
Que se banham no mar gélido
Para aquecerem a alma e esquecerem a rotina 
Do dia a dia …

Gosto de ouvir o som dos pássaros
Que não cantam só porque sim
Procurando na sua vontade e algures no seu jardim interior
Cantigas e cânticos que os ajudem a conquistar 
Algum dia … o seu verdadeiro amor.

E o planeta movesse e o povo vai
Agarrado às suas raízes e a terra que os viu nascer … 
Procuram promessas escritas no vento 
Porque é sempre tempo de conquistar os nossos desejos.

Mesmo quando estes parecem tão distantes
Mas ainda tremulam 
Ao longe na luz hesitante …
Mas já nada é como era dantes …

Ainda tens ...

  Ainda tens … Não estás sozinho nesta vida Não tens que subir a montanha sozinho Podes entrar na porta dos teus sonhos E não deslizares par...