Um carro resvala no monte
O boneco de neve cai
As palavras desfazem - se no papel
Porque não à nada significativo
Que as sustente …
Lá ao fundo mas cada vez mais
Intensamente … umas botas da tropa
Marcham para trás … para o lado
E lá acabam por ir para a frente.
O carro,
O boneco de neve,
As palavras desfazem - se no papel …
Porque não à nada significativo
Que as sustente …
Procuram um caminho
Para darem as mãos e formar um sentido convincente
Mas vão desistindo
Lentamente …
As botas da tropa
Ouvem - se cada vez mais intensamente
Andam para o lado
Para trás e lá acabam por ir
Em frente …
A boca fechou o tigre
Num palácio de mármore
Este fugiu e deixou as suas riscas pretas
E as suas pegadas na areia
Quem nasce deixa sempre a sua impressão
No tempo e no espaço.
Alguém pintou o luar com as riscas pretas
Ficou tudo escuro e em silencio
Só se ouvia um leve murmurar
Das árvores a dançarem com o vento
Numa valsa a três tempos,
Enquanto os lobos uivavam
Numa infrutífera sinfonia
De lamentos …
Benditos os que abandonam tudo
Num breve momento de ternura
Mas depois regressam
Num momento turbulento de loucura.
As riscas pretas perguntaram pelo tigre
Mas o animal a pouco metros
Sentou - se e ficou a observar
Um arrozal em forma de espiral,
As riscas abraçaram o tigre
Que reconheceu que só assim
Ficava completo.
Mas de vez enquanto metia - se na água
Para tentar despir as riscas
Mas sabia que tinha nascido com uma missão
Que não podia ignorar …
Quis regressar ao palácio
Estava fechado ... ficou - se então
Pelo condado das florestas, urzes e matagais …
P.S - É poesia abstrata está provado que quando a Arte não sabe por onde ir entra na forma abstrata. Por esgotamento da forma ou do conteúdo. ( segundo uma teoria que escrevi em tempos “ A teoria dos ciclos”).