terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Deambulações poéticas

 Subi a montanha pelo lado norte 

 O tempo estava bom …

 Lancei os búzios para ver se tinha sorte 

 Acredito que a ventura somos nós que a fazemos 

 Enquanto lutamos pelo que queremos. 


 Tento ler os meus pensamentos que se vão formando 

 No horizonte …

 Podia fazê-lo em casa mas gosto de estar no monte

 No meio das urzes, das flores e dos canaviais 

 Mesmo defronte do meu livre arbítrio …

 

 Da janela vislumbro o meu equilíbrio mental 

 Que por vezes me pergunta 

 Por onde ando …

 Em termos poéticos … tenho várias influências 

 Que passam imperceptíveis no meio rima e da métrica 

 mas estão lá …


 Aprendi a achar - me na solidão

  Só para depois me deixar surpreender 

  Pela multidão que habita dentro de mim 

  Ninguém é um só …  

   

   O vento uiva a chuva cai 

   Escrevo e seguro - me 

   Num fio muito fino …

   Que teci para me equilibrar feito de poesia 

   E do rimar das coisas que aparecem e desaparecem 

   Mas sempre fica alguma coisa desta dicotomia.


    Só não gosto de virar as pedras 

    À procura do que passou …

    Quem deixa o cavalo sossegado 

    Não apanha coices. 


     Desço a montanha

     Já cansado …

     Olho ao meu redor utilizando os meus sentidos 

     Gosto de olhar a natureza nos olhos 

     Se tiver bem comigo próprio é música para os meus ouvidos.


      Para desfrutar de algo 

      Temos de estar bem,

      Ou mesmo aquilo de que gostamos 

      Se vira contra nós e mostra - nos os dentes e rosna 

      É um desassossego …

      À que não nos deixar tentar quando sabemos que aquele caminho não é o nosso. 


       No teu mar

       Escolhes os ventos, as marés

       E as correntes …

       Que queres enfrentar …


       

      


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