Subi a montanha pelo lado norte
O tempo estava bom …
Lancei os búzios para ver se tinha sorte
Acredito que a ventura somos nós que a fazemos
Enquanto lutamos pelo que queremos.
Tento ler os meus pensamentos que se vão formando
No horizonte …
Podia fazê-lo em casa mas gosto de estar no monte
No meio das urzes, das flores e dos canaviais
Mesmo defronte do meu livre arbítrio …
Da janela vislumbro o meu equilíbrio mental
Que por vezes me pergunta
Por onde ando …
Em termos poéticos … tenho várias influências
Que passam imperceptíveis no meio rima e da métrica
mas estão lá …
Aprendi a achar - me na solidão
Só para depois me deixar surpreender
Pela multidão que habita dentro de mim
Ninguém é um só …
O vento uiva a chuva cai
Escrevo e seguro - me
Num fio muito fino …
Que teci para me equilibrar feito de poesia
E do rimar das coisas que aparecem e desaparecem
Mas sempre fica alguma coisa desta dicotomia.
Só não gosto de virar as pedras
À procura do que passou …
Quem deixa o cavalo sossegado
Não apanha coices.
Desço a montanha
Já cansado …
Olho ao meu redor utilizando os meus sentidos
Gosto de olhar a natureza nos olhos
Se tiver bem comigo próprio é música para os meus ouvidos.
Para desfrutar de algo
Temos de estar bem,
Ou mesmo aquilo de que gostamos
Se vira contra nós e mostra - nos os dentes e rosna
É um desassossego …
À que não nos deixar tentar quando sabemos que aquele caminho não é o nosso.
No teu mar
Escolhes os ventos, as marés
E as correntes …
Que queres enfrentar …
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