domingo, 17 de maio de 2026

Estrada da vida

Estrada da vida

O mar tranquilo lá ao fundo
Colhe os elogios das pessoas
Que passam … tudo brilha
À nossa volta quando é assim dissemos 
Que vislumbramos um mar de senhoras.

Quem sobe lá em cima
À torre de menagem
Cá em baixo vê parte
Da nossa história
E as pessoas vão e veem
E não largam o local aonde nasceram fascinados pela
Sua existência sempre a roda das mesmas coisas.

No fundo nos vemos o que
Queremos ver …
Enquanto os cães ladram
A caravana vai fazendo tudo o pode
Para sobreviver.

Muitos caminhos que percorremos
Não levam a lado nenhum
O que fica? O que aprendemos?
Um alerta que nos pede para
Não voltarmos a percorrer
Semelhante labirinto,
Ao menos ficamos a saber
Por aonde não ir …

Cada encosta que subimos 
É uma oportunidade
Para aprender, para conhecer,
Para ficarmos mais fortes.

Mas existe sempre um tigre que nós vigia
Os movimentos … no meio da selva entre
Os arbustos, os Bayan e as moringas
Este espreita a nossa vida
Um deslize da nossa parte
E lá veem uns enormes
Dentes dilacerarmos a alma
Nesse momento temos de rodar com ele 
Olhar-lhe nos olhos e manter a clama 
Para este saber que não temos medo de nada.

Só existem dois tipos de pessoas
No mundo as que construem
E as que destroem …
Porque não sei … a alma humana
Tem muitas curvas e contra curvas.

O velho mocho no meio
Das árvores observa a dinâmica
Das sociedades … a maior
Parte do tempo está calado
Basta-lhe o vento, o Sol a chuva
E algum alimento é feliz assim.
Este não se mete com ninguém
Ninguém o importuna e assim vai …
Vivendo, comendo, bebendo, amando
Conversando com quem o consegue entender … 
Quando não fala pia só porque sim …

Quando a alma toca
O teu céu …
Eleva-te o pensamento
Vais subindo a estrada da vida
Somando pontos ao teu jogo interior.

Vais subindo …
E a tua ansiedade desce
Amando flores que nunca viste
Saboreando beijos que nunca deste
Ao menos estás feliz não estás triste
O que importa é o que a nossa alma sente
Mesmo que sejam só fantasias …

Foste pela seara velha
Colhendo flores e prantos
E colocando-as na gamela … 
Puseste as em cima da mesa só para iluminares o teu esquecimento … 
Quando tudo brilhava a tua volta e as manhãs eram tranquilas e suaves …

Não andes atrás de sombras
Não andes …
Que esse caminho é enganador
De quando subias os braços maternos
Em busca de proteção e calor
E todos se reuniam a volta da lareira
Vendo as chamas azuis e vermelhas dançar 
Um bailado muito bem coreógrafado e ousado … 
Mas verdadeiro sincero e leal.

Viste o cão grande de pelo acastanhado que passou 
Ali na estrada batida lá em baixo? 
Tem a sua missão bem definida
E adora sentir o vento no seu rosto
E ver a luz mudar durante o dia
Enquanto recorda os jogos que fazia,
Quando era pequeno … naquele terreno
Aonde todos tinham serventia e o povo todo se ria e se divertia …
Jogando jogos daqueles muito simples, conversando, bebendo
E esquecendo os problemas do dia a dia …

Viste alguma coisa ou não viste nada,
Enquanto subias pela velha estrada?
Será que só vemos o que o nosso interior
Quer ver?
Viste as azinheiras … vi …
Viste as flores emparelhadas todas lado a lado … vi …
Viste os pássaros a esvoaçar lá no alto … vi ...
Viste todos os amores que tiveste na vida … vi …
Todas as vitórias que fiz minhas … sim …
E tudo o que existe para conquistar e mais além ...
Estou sempre preparado para subir mais uma encosta,
Lá de cima tudo parece fazer sentido o horizonte
Aponta para aonde queremos ir …




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