Um quarto
Algures no tempo e espaço
Um piano …
Dedilhado milhares de vezes.
Uma janela para o pátio
Onde se ouvem os primeiros sons
Do dia … e os roncos dos carros
Que aceleram para o trabalho
Aos solavancos, levando nos bancos
A próxima geração …
Que só quer chegar à escola
E aprender que todos os dias são para viver intensamente …
E aos poucos vão evoluindo,
Um dia acordam e já estão na faculdade.
Recordando aqueles dias em que se levantavam cedo,
Para ir para a escola estudar,
Dando valor aos seus professores recordando os seus amigos, amigas,
E os seus primeiros amores …
Neste preâmbulo da sua vida
Vão aprender:
A decidir,
A estudar;
A lutar.
A não desistir …
A cair e a levantarem-se logo a seguir …
Tudo isto vi um dia da janela
Do meu quarto …
Enquanto não parto … para outro destino
Mas a estrutura mantém-se …. ensinar
Os meus alunos a saber estar,
A apaixonarem-se pelo conhecimento ...
A nunca desistirem daquilo que começaram,
Para um dia agarrarem,
No seu destino e conseguirem prosperar
Onde quer que estejam,
Neste imenso mar …
De oportunidades
Que é a vida …
terça-feira, 29 de julho de 2025
Um quarto
sábado, 26 de julho de 2025
Sala vazia
Uma sala vazia
Aonde havia tantas pessoas …
Promessas de encontros
Casa, cama e filhos
Atilhos que se levantavam
No horizonte mas que são sempre bem-vindos.
Computadores silenciosos
Mesas e cadeiras vazias
Esperam em silêncio por
Melhores dias …
Para aonde foram os usuários
Do dito espaço …
Algures desenham sonhos, inventam
Histórias do que poderia ter acontecido
Se tivessem coragem de o dizer.
Nada acontece …
Quando não temos a ousadia
De nos libertar-mos dos nossos medos, angústias e frustrações …
E insistir com o cupido que interceda por nós
Ficamos depois em segredo a pensar ...
Que da próxima vez é que não vamos falhar.
sexta-feira, 25 de julho de 2025
Azul
Céu
Manto azul e branco ...
Campo,
Sonhos que não se desvanecem
Nem envelhecem ... como uma flor que não se rende,
E nunca murcha ...
Centro,
Foco toda a minha atenção
No meu sustento …
Gostar,
Invento todas as maneiras
Possíveis para descobrir
Aonde guardas o teu amar ...
Atento,
O caminho é estreito
Cheio de perigos, becos e estradas sem saída.
Por vezes vou por aonde
Sopra o vento,
Mas das minhas convicções, dignidade e gravitas
Não abdico,
Olimpo,
Na sobreira da janela
A contemplar o infinito poético
Que dá para o oceano dos poetas,
Mesmo ao lado do Olimpo ...
Às vezes fico ...
Impávido e sereno,
Enquanto o meu ser inquieto, foge, esconde-se ...
Finge não me conhecer,
Mas depois acaba por aparecer.
Rendido ...
Ao meu fadário?
Que não escolhi ... não …
Foi ele que me escolheu a mim.
quarta-feira, 23 de julho de 2025
Desejos e vontades
Uma gaivota,
Passeando … lá bem no alto
Por entre golfadas de ar quente
E olhares inquisitivos …
Vai desenhando com as suas penas,
Histórias do que vai observando.
Por entre finos grãos de areia
E de água salgada,
Ondas repletas de testosterona
Dão o mote …
Corpos femininos desnudados
Quase nus …
Pintados a régua e esquadro,
Incitam os homens
A desejos e vontades de amores
Insanos … por consumar …
Promessa de romances
Voluptuosos, eróticos e obsessivos
Por realizar,
Olhares que ferram corpos
Saborosos, e lânguidos ainda por conhecer …
E tudo a distância de um olhar.
quarta-feira, 16 de julho de 2025
Ao sabor do vento
Na minha jangada ao sabor do vento deslizo pelas águas do meu pensamento,
O Sol acompanha-me enquanto pode … com os seus raios de claridade pura.
A noite desce o seu manto nocturno pelo firmamento,
Vejo-te no horizonte deitada na abóbora celeste. vestida só de jóias, olhas-me como se fosses para a minha alma o seu único sustento …
A tua beleza, os teus cabelos soltos, parecem a estrutura que sustenta toda a minha vontade …
Em te ter presa aos meus pensamentos ...
A Selene desce os seus raios límpidos sobre mim
Pareço pequeno na imensidão …tu és a luz que me permite encontrar as minhas reflexões,
Na escuridão …
A jangada segue por entre gritos e silêncios, encontros e desencontros,
Sonhos perdidos mas que ainda penso em descobrir mais à frente ...
Enquanto me tentam reconhecer como um progenitor que ainda não acabou a sua obra
E que nunca esteve de si ausente ...
A serpente da descrença emerge do mar profundo,
De presas afiadas e olhar penetrante
Para colocar dúvidas no meu pensamento,
Por essa razão, a minha admiração por ti aumento …
Para me iluminares enquanto deito no mar tudo o que me pode cegar, por não conseguir alcançar o propósito que tenho em mente,
Evoluir para não cair no marasmo, deixar tudo por plantar e deixar-me secar todo por dentro,
Será que me vês enquanto viajo e me procuro na imensidão ilimitada entre o espaço e o tempo?
Pelo mar fora ...
Agarrado a um pequeno tronco vou …
Pelo mar fora …
Aonde estou? Não sei …
Sinto o mar salgado na minha boca
A água está quente ...
Levanto a cabeça para não me afogar …
Oiço as pessoas na praia a murmurar,
Como me sinto bem sigo a pensar
Não importa em quem … desde que siga para a frente
É o que mais me convém …
E levanta-se um vento quente
Lá ao fundo …
Nesta vida a sempre um “fundo” algo que não se vê
Mas que queremos sempre desvendar,
A vida é um milagre que nunca se revela completamente …
Por vezes parecemos marionetes que alguém
Conduz … vais para aqui … vais vais para ali …
E nós vamos … a espera que algo de maior nos aconteça … é o determinismo levado a letra.
Por essa razão apanho banhos de Sol, olho para o céu
O mundo continua a viajar … pelo meio do astros e dos planetas, talvez a noite veja um cometa e peça um desejo …
Que as guerras acabem, que o bem vença, e o mal desvaneça, dele não vou ter saudades porque não tem nada de bom para nos entregar.
Vejo uma pequena ilha lanço as amarras do meu pensamento que me prendem a terra porque sem ela não somos ninguém.
Deito-me na praia a ouvir as ondas
O som como as palavras são muito importantes
Fazem a nossa alma vir a superfície
E perguntar quem está aí?
Mesmo que não acha ninguém
Ouve-se sempre alguém lá ao fundo a perguntar
Por nós …
Aonde estás? Por onde vais ? Por onde andas?
Para que tanta inquietação com o futuro
Se ele não existe, o que existe é presente ampliado
Fazemos uma fugaz tentativa de ver por entre o tempo e os nossos objetivos mas apenas podemos fazer o futuro acontecer …
O resto são desenhos imaginários que podem materializar-se ou não depende da nossa vontade, da nossa idade, da nossa persistência …
Em não desistir da nossa essência …carregamos em
determinados botões e depois esperamos …
O mundo trabalha para nos fazer a vontade ou não
Ouvimos o vento e as ondas … são ecos do nosso planeta,
A conferir se fizemos tudo bem para merecemos aquilo que ambicionamos, e depois vem a decisão.
Passámos no crifo … de quem põe e dispõe dos nossos desejos?
Existe um tempo para tudo na nossa vida.
Convém ir concretizando,
Os nossos desígnios … para que estes não se percam
No meio das nossas vontades …
Alguns depois já não querem sair para o nosso mundo
Querem ficar no recanto das nossas almas e … dormir
É terra que ficou massuda e já não quer florir …
Outros que o façam …
Por vezes é melhor assim … não era o nosso destino
Já não é para as nossas idades …
Janelas por abrir e espreitar se vale a pena
Ir por ali não faltam …
Só o ímpeto é que não nos pode faltar,
É um renovar constante de desígnios e vontades.
segunda-feira, 7 de julho de 2025
E assim vamos
E tu vais calcorreando montes e vales
Sabes por onde?
Se soubesse talvez não fosses
Que mal tem em ir descobrindo
O que nos faz bem descartando o que nos faz mal?
Por terras desconhecidas por aqui e por além mar?
A vida é como o céu por vezes, carregado de nuvens
Outra vezes escuro como breu,
Mas a maior parte das vezes azul celeste
Que nos faz sonhar e viver um pouco mais felizes
Porque o sol carrega as nossas baterias e assim vamos
Pintando os nossos dias, de uma forma mais próxima possível da felicidade.
Deram nós uma folha em branco
Para ir desenhando a nossa existência
Explorando sempre novos horizontes …
Bebendo o conhecimento,
De várias fontes … não deixamos nada por concluir
Ou por dizer …
Porque sabemos que existe muito caminho
Para percorrer, … não fôssemos nós
Filhos do vento, do tempo e do firmamento
Em que outrora nunca nos demos por vencidos
E não era agora que íamos deixar que nos aprisionassem …
A alma, a vontade ou o nosso querer.
Já enfrentamos tanta coisa que nunca nos vamos deixar vencer.
O que nós temos de mais importante?
Terra, chão, cultura e povo …
Que sempre passou entre os rochedos
Em mares gigantes, de ondas aterradoras
Mas também viajamos muitas vezes num mar de senhoras …
Encontrando sempre um propósito comum,
Honrar o país que nos viu nascer e estar sempre pronto
Para o defender, … ainda haveremos de
Conseguir grandes feitos, maiores
Do que aqueles que passaram a Taprobana
E chegaram a terras de Cipango.
Que de tão longe que são parece que foi tudo ilusão
Mas não … deixamos a nossa marca pelo mundo
Abrimos caminho pelo mar fora, onde diziam que só havia monstros, sombras e ventos fortes … capazes de destruir tudo numa só penada …
Só temos de descobrir o que queremos, para onde vamos, com quem vamos não é assim tão difícil,
Para quem já foi dono do mundo e das suas riquezas.
Aja serenidade, bom senso e coragem
É só mais uma viagem por terras desconhecidas,
Tempestades medonhas, ventos capazes de dobrar a nossa vontade mas tudo irá desaguar num mar de tranquilidade …
Onde todos poderemos partilhar histórias dos nossos feitos rindo das dificuldades porque passamos, …
Tudo é possível desde que não nos falte amor, coragem, engenho e Arte.
quarta-feira, 2 de julho de 2025
Luas gigantes
Limusines
Saltos para a água
Luas gigantes …
Amores que se confundem no lusco fusco
Leões que espreitam à beira da estrada
Prontos para nos devorar …
Sons que nos despertam para a realidade
Um país que se afunda à nossa frente
O que irá sobrar dele?
Coisa nenhuma ou um renovar
De líderes, soldados e afins.
Onde está as pedras douradas
Que nos lavam a alma e deixam
As famílias irem renovando as gerações
Porque nos roubam a fé na construção
De um Portugal minimamente suportável?
Porque descemos a escada aos tombos
Em vez de a subir? Trazendo o progresso
Para o centro das nossas almas e
Das nossas gentes …
O que fizemos para não merecer um país
Que nos ajuda a ter um vida minimamente
Digna? E ainda nos rouba o pouco que nós dá?
Quem diria que o futuro
Do nosso país teria um guião tão fraco.
Para onde vamos?
Rumo a um novo mundo
Onde jorra leite e mel ou ficamos
A ver os anos passarem,
E as nossas esperanças de ver os nossos sonhos
Concretizarem - se … rolarem pela estrada abaixo
E esfumarem - se levando consigo tudo
O que somos …
Cada um de nós terá de se reinventar
Fazer contas e se for o caso navegar …
Navegar é preciso ver …
Os nossos sonhos partirem para parte
Incerta cabisbaixos e chorosos não é preciso.
Por vezes temos que nos agigantar
Para não nos deixarmos derrotar
Mas para isso é preciso falarmos a uma só voz
E saber para onde vamos
E o que queremos.
Castelos,
Pontes levadiças …
Que só abrem com a força
De mil homens,
Queres subir lá em cima?
Sozinho não consegues …
Temos de seguir juntos.
De mão dada, abraçados o que tiver de ser será.
Ainda podemos desenhar um horizonte
Onde todos podemos ser felizes
Enquanto houver, chão, raça e vontade
Podemos sempre mudar tudo
Quando não pudermos recuar mais …
Talvez nesse dia voltaremos,
A ter um país que nos irá devolver a percepção
Que estamos todos a caminhar para a felicidade.
Tento
Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...
-
Quando te reconheceres em alguém Faz tudo ao teu alcance para alcançares O teu elo perdido … Sem risco não existe felicidade Para am...
-
A vida é como se fosse uma nuvem Que habita o céu ... Que se converte e desconverte Por vezes surgem imponentes negras como breú Outras d...
-
De todas as estações Prefiro o verão … Parece que ainda sinto O bailar das ondas No meu coração. E o céu azul lá em cima Que de tão bonito, ...