sexta-feira, 25 de agosto de 2023

A fábula das flores e da donzela

 No tempo em que as flores falavam 

Uma donzela passeava pelo campo observava tudo em seu redor as árvores, as flores, a água que escorria de uma cascata, o céu azul as nuvens, um rebanho de ovelhas que pastava lá ao fundo no vale.

A donzela prestava sobretudo atenção as flores, sorrindo quando se apercebia da beleza das mesmas, fazendo tudo para evitar pisar as flores ou mesmo arranca - las para as levar para casa. O seu sorriso era doce e revelava uma pessoa de bons sentimentos.

A sua beleza e candura não passou despercebida as flores, que pupilavam um pouco por todo o lado, estas eram de tamanho pequeno, médio, e grande as cores variavam, havia amarelas, vermelhas, verdes, azuis, cor de laranja e lilases. 

As flores começaram então a falar entre elas enquanto observavam a donzela. 

<Quem é?>

<Uma donzela ou princesa.>

<Mas que veio para aqui fazer?>

<já pisou algumas das nossas irmãs.>

<Não está a ter cuidado.>

<Não digas disparates não as pisou por um triz.>

<É bonita?>

<Já vi choupos mais bonitos.>

<E está sempre a sorrir.>

<Pois está deve ser tonta.>

Uma flor mais velha da cor do limão ficou muito  incomodada com os comentários depreciativos que ouviu e decidiu intervir.

<Mas que comentários são esses? Estão com inveja da donzela por esta ser tão bonita?>

<Inveja mas nós também somos muito bonitas.>

<Não me estou a referir a beleza exterior mas a beleza interior.>

<O quê? Que disseste?>

<Sim vocês ouviram a beleza exterior, todas a podemos adquirir ou ter mas a interior, depende da pessoa e dos seus bons sentimentos, existem seres que por serem boas pessoas desenvolvem um brilho interior muito grande porque são generosas, e gostam de ajudar o próximo é desse brilho que vocês tem inveja e isso é muito feio.>

<Nós não estás equivocada!>

<Não digam isso estive a ouvir os vossos comentários a donzela nunca vos fez mal porque é que a estavam a criticar?

<Porque sim porque … está se a armar aos cucos … quer fazer nos sombra é isso e …>

<Mas a donzela está só a passear e a cheirar as flores divertindo se com a beleza do vale. Não julguem sem conhecer, não tenham inveja do brilho interior das pessoa é má educação. Qualquer pessoa por mais bonita que for,  por fora se não for bonita por dentro em contato com as outras pessoas vai se tornando feia já pensaram nisso? Não queiram ser assim.>

As flores resmungaram um pouco mas tiverem de aceitar que a beleza da donzela, e a sua candura era digna de registo e que era feio ter inveja do brilho interior de alguém, e prometeram doravante não julgar sem conhecer e apreciar os bons sentimentos das pessoas sem as criticar mas sim agradecer por ainda haver boas pessoas no mundo.

domingo, 13 de agosto de 2023

O despertar dos segredos

O vento sopra lá fora 

A noite escapa entre o dedos 

Os segredos despertam …

Tudo parece feito de papel.

Quem vive do passado 

Fica deprimido 

Quem pensa muito no futuro

Fica ansioso …

Por essa razão temos de viver para o dia a dia 

Viver na cabeça é apenas vivermos 

Da espuma dos dias … um desperdício imensurável 

E quase tudo o que interessa passa-nos 

Ao lado … e depois o que fazemos?

O reboliço do nosso ser torna - se 

Quando despertamos para a vida 

Num emaranhado de nós 

Para onde vamos pensamos?

Temos de descobrir onde tem início 

O nosso novelo existencial antes de entrarmos na nossa existência … propriamente dita …

E a partir dai construirmos a nossa 

Essência desde a estrutura de base passando 

Pelos contrafortes e pelo telhado 

Onde podemos observar num dia claro 

O que já conquistamos,

No horizonte …

Fica o monte que carrega tudo 

O que já fizemos, dizemos, construímos 

Convém sempre dar valor as nossas 

Vitórias aquelas que são só …

Nossas … porque mais ninguém percebe 

O esforço que tivemos de fazer para 

As conseguir alcançar, agarrar, saborear 

Porque para os outros tudo o que fazemos 

Parece tão fácil …

Mas a couraça que se desenvolveu 

Ao longo da nossa alma … 

Está lá para suportar os golpes dos descrentes 

Dos maldosos e dos maldizentes.

O nosso livre arbítrio.

Solta por nós um grito

Quando cruzamos uma meta  

Que para os outros 

Diziam ser morosa, inatingível, uma miragem 

Vestida de sobranceria e glória 

Mas que depois de conquistada por nós … afinal 

Não era assim tão difícil

Mas os tombos,

As quedas, o desassossego estão cá registados

No nosso cerne …

Na vida tudo o que muito fácil raramente 

E digno de ser conquistado.

Por essa razão pega no teu fardo 

E não deixes nenhum dos teus montes 

Por conquistar …

Quando estes tiveram todos conquistados 

Vão dar uma bela vista a melhor 

Que já contemplastes …


segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Mantra invisível

O calor aperta 

A noite espreita 

Para onde vou ?…

Que aventuras esperam por mim 

Do outro lado do monte?

Nem tudo é imprevisível 

Da para ver a ponta do véu

O resto permanece nas sombras 

Mas nós vamos que remédio 

Ficar sempre no mesmo sitio?

Que canseira …

Que mundo tão estranho 

Parece que não acontece nada 

Mas quando menos esperamos não sabemos 

Para onde vamos … com quem contar 

O que dizer com quem falar …

Mas quem sabe o que quer 

Mete as peças todas no sítio 

Do xadrez invisível que é a vida …

Valendo - se da sua experiência

Que com o acumular dos anos já se tornou 

Uma quase exata … ciência

E não falha …

Por essa razão permaneço confiante 

Entro no meu ser porque uma nova aventura 

Dos sentidos e emoções em catadupa tem de forçosamente recomeçar …

Mas falas que queres uma Vitoria 

Por ano … ou duas …  

Para depois colocares na galeria do teus troféus junto 

Aquela velha espada que usas para derrotar os teus demónios invisíveis …

Mesmo que ninguém perceba nada …

Lá estão eles, os teus troféus, na montra invisível 

Que tens na mente … não à necessidade de grandes anúncios … na verdade talvez seja melhor as nossas conquistas ficarem registadas

No nosso registo secreto onde guardamos os nossos segredos 

Uma espécie de amor de verão 

Que ficou perdido nos rochedos 

Mas que ainda mexe com o nosso coração

E fez de nós uma pessoa melhor…


sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Fábula do sapo e das pedras

No tempo em que os animais falavam 

A muito tempo atrás num rio no norte de Portugal uma fada sentou - se em cima de um nenúfar e foi rio abaixo admirando às margens e a vida selvagem que por ali abundava. Parou numa das margens e recolheu algumas pequenas pedras e ao observar alguns sapos que por ali nadavam, achou piada e mandou algumas pedras para o rio tentando acertar nos sapos. Um dos sapos mais velho e mais sabido foi atingido na cabeça por uma das pedrinhas.

<oh mas quem és tu?Porque me estás a mandar pedras>

<Sou uma fada vim passear e mandei - te uma pequena pedra para brincar contigo não te zangues.>

<Ah que engraçado mandas uma pedra e achas engraçado? Magoaste - me sabias?>

<Oh desculpa não te queria magoar.>

<Devias tratar bem todos os ser vivos não sabes quando vais precisar deles>

<Ah?Achas que vou precisar de um sapo?>

<Nunca se sabe ninguém consegue adivinhar o futuro>

<Está bem obrigado pela informação>

A fada ainda era muito jovem vestia um lindo vestido branco e nas costas tinha uma belíssimas asas que lhe davam o poder de voar mas se tivessem molhadas eram inúteis. A fada continuo a mandar pedras aos sapos que lhe apareciam pelo caminho. Os sapos desviavam - se a tempo outros levavam com a pedra na cabeça ou no corpo e protestavam.

Entretanto o tempo mudou e a água do rio tornou - se mais agitada e começaram a aparecer pedras muito grandes no meio da água, o nenúfar foi contra uma pedra e a fada caiu no rio ficando muito aflita e como as asas estavam molhadas esta não conseguia voar.

<Socorro acudam!Socorro!>

<Queres ajuda>Exclamou o sapo mais velho.

<Sim por favor.>

<Primeiro mandas pedras e depois pedes ajuda?>

<Não fiz por mal estava a brincar.>

<Foste longe demais não me parece que te vá ajudar.>

<Mas se me ajudares transformo todos vocês em pessoas.>

<Tens poderes para isso?>

<Tenho!>

<Não sei!…>

<Socorro acudam!>

Os sapos conferenciaram entre eles durante algum tempo enquanto a fada lutava para não se afogar. Os sapo mais velhos não acreditaram na fada, mas os mais novos, decidiram dar uma oportunidade a fada para os transformar em homens, e por essa razão ajudaram aquele pequeno ser levando - a para a margem.

<Oh muito obrigado estava muito aflita.>

<Vais nos transformar já em homens certo?>

A fada passou as mãos nas asas ainda estavam um pouco molhadas.

<Bom ah… sabem o que é as minhas asas … quero dizer tenho de ir a casa buscar um pó mágico que tenho guardado num local secreto, para vos poder transformar em homens, por essa razão esperem por mim naquelas pedras que estão nas margens que depois quando vier a descer o rio mando -  vos o po para cima e vai se dar a transformação. Está bem?>

<Está bem ficamos à espera>

<Enquanto esperam cantem para alegrar o vosso dia>

A fada lentamente deu as asas e aos poucos foi voando desaparecendo entre as árvores, os sapo mais novos  foram então para cima das pedras das margens dos rios , cantando para se alegrarem, mas a fada nunca mais apareceu. Os sapos não desistiram e ainda nos nossos dias podemos observar os sapos nas margens dos rios à espera que a fada desça o rio com o tal po mágico e os transforme em homens.

 Moral da historia nunca trates mal ninguém nunca se sabe se alguma vez irás precisar dessa pessoa.

Tento

Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...