segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Não ponhas...

Os muros que construo
Ao meu redor são altos mas
Não são intransponíveis
São perfeitamente transponíveis
Só te peço...
Que não coloques arame farpado
Em cima do meu muro.
Descobre o que gostarias de fazer
Quando não estás a trabalhar
O que gostarias de comer
Quando estás esfomeado
Mesmo sem o estar
À sombra daquela árvore que tens
No teu jardim
Ao pé daquelas estátuas de mármore
Em posição airosa que mandaste vir de Itália
E que não sabes muito  bem o que representa.
Convida para o almoço
Quem quiseres
Delicia ~te a comer caviar
A devorar croquetes
E a beber champanhe
Se quiseres pede aos teus amigos
Para ficarem  para o jantar
Mas não ponhas arame farpado
Em cima do meu muro
Se a tua vida te parece incipiente
Lê um livro,
Aprende a tocar um instrumento, agarra - te
A uma causa com unhas
E dentes.
Alimenta com cultura a tua  mente
Vai viajar
Põe a tua alma a sorrir
Suavemente...
Descobre o  equilíbrio
Do teu metabolismo
Porque ele anda por ai descompensado
A perguntar por ti.
Em cada frase que proferes sente - se
Que és alguém que procura desesperadamente
Algo que perdeste pelo caminho
A tua raison d´être.
Os teus obstáculos
Que precisas ultrapassar
Para te sentires realizado
Estão ai ao teu lado
Mas primeiro...
Descobres quem és
Faz o que gostas
Resolve tudo o que dentro
Do teu córtex cerebral tem de ser resolvido esquece tudo
O que tem de ser esquecido...
Mas não ponhas arame farpado em cima do meu muro
Que tanto me custou a conquistar
E a perceber...
Ganha asas descobre
O que te faz feliz
Vive a tua vida
E não vivas a vida dos outros.
Esta grita por ti não a ouves gritar?
                                                                                                     Monsiuer Bon Aire

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