Quis o destino
Assim o fiz ... calcorreei o espaço
Apanhei a boleia do tempo ...
Li os versos que outros escreveram
Sentei - me a tentar compreender a dialéctica
Que de vez enquanto me envolve o cérebro,
E sentado no trono supremo dos sonhos
Descobri sensações por mim nunca navegadas …
E num horizonte que muda constantemente
E num chão escorregadio, nebuloso e enganador
Salva - se neste mundo a beleza do campo, a Arte e o amor.
Vi rebanhos a subir o monte
De mão estendida para mim
Queriam levar - me
Agradeci ...
Mas não fui com eles,
Aguentei firme esperando descobrir o meu vale
Encantando, no meio das urzes, do arvoredo e dos canaviais
Aquele que me faz feliz ...
E que para mim foi criado.
Quando o descobri
Entrei nele e fiquei contente.
Foi difícil passei muitas noites a estudar
E dias e dias a fazer testes
Neste momento agradeço a todos os meus mestres
Se tenho alguma coisa é graças a eles...
O futuro não o consigo ler
Crio espectativas e depois
O que for será ...
Mas o responsável por tudo o que me acontece
Tenho de admitir que é a minha pessoa
Nascido e criado na grande lisboa.
Que só de pensar nela sinto - me lisonjeado
Por ter nascido numa terra com tamanha história, fado e glória.
Vi isso tudo da janela dos meus pensamentos
Porque nela já não vivo …
À algum tempo …
Se queremos que a nossa sorte mude
Temos de ser nós a faze - lo.
Admito que essa premissa é verdadeira
Sentado na praia da areia fina
Estendo o corpo no areal,
Oiço a música dos búzios
Que o mar profundo esconde
E que alegra o coração ao ouvir o som
Da profundidade antiga …
Misturados com o conhecimento
Que vou adquirindo no dia a dia.
Sorte daqueles que descobrindo - se depois de muito procurar, esgravatar, esquadrinhar
Procuram nos dias a tranquilidade das noites
E a sabedoria que existe nas entrelinhas
Das coisas que nos vão acontecendo
Misturadas com o que vamos lendo e vendo
Por esse mundo fora ...
Assim o fiz ...