«Melhores dias virão o país é pobre.» Dizem os clientes.
A meio da tarde surge uma mãe e quatro filhos três meninos e uma menina estão bem vestidos, comem com os olhos e nunca estão satisfeitos, de vez enquanto fazem birras mas o tigre lançam-lhes um olhar duro e eles acalmam, permitindo à sua progenitora descansar um pouco. Já rosnou uma vez a um menino que levantou a mão para a sua mãe o garoto estremeceu todo e daí por diante portou-se sempre bem pelo menos no café. Os empregados estão sempre atarefados mas não se queixam do trabalho, sempre bem vestidos com as suas calças pretas, camisa branca e na gola um papillon da mesma cor, parecem deslizar no espaço enquanto servem os clientes, nota-se que gostam do que fazem. O Sr Manuel de bigode farfalhudo e cabelo curto, é o dono do estabelecimento queixa-se que tem de pagar muitos impostos mas vai levando a vida para a frente
«É um dia de cada vez» Afirma.
O tigre gosta de refletir sobre a sociedade e aquele café é um pequeno micro cosmos do que acontece no país onde vive. As preocupações dos progenitores com os seus filhos, a solidão dos idosos, a má educação dos mais novos, o custo de vida cada vez mais alto e os salários com aumentos irrisórios que nem sequer por vezes compensam a inflação. Mas como é um optimista pensa que um dia as coisas vão mudar para melhor. O poderoso animal ao entardecer quando o Sol já quer ir dormir levanta-se e vai para casa, gosta de andar ainda com alguma luz embora veja bem de noite. A maior parte das pessoas já estão nas suas habitações a descansar, têm as luzes acesas da sala de jantar as outras estão apagadas para poupar na electricidade. O tigre gosta de dormir lá em cima nas árvores enquanto os seus olhos percorrem a noite escura, para adormecer conta as estrelas e observa o horizonte. Só não gosta da chuva quando chove vai se abrigar numa escola abandonada mas ainda em bom estado e fica a imaginar as crianças que costumavam aprender a ler e a escrever dentro das salas e a brincar no pátio. Nas paredes ainda se vêem os desenhos dos pequeninos a lápis de cor. Por vezes consegue ouvir os seus risos. Aonde estarão? O mais certo é metade ou mais terem emigrado com os seus país mas concerteza que um dia voltarão ao país que os viu nascer para viverem e properar, quando as mentalidades tiverem mudado e evoluido e os portugueses perceberem que a sociedade é feita por todos nós e que as pessoas recebem aquilo que dão, se todos respeitarem os seus direitos e deveres vão de certeza descobrir um país muito melhor. O pantera tigris lembe o seu corpo e enrola a cauda sobre si mesmo deitado sobre uma das mesas da antiga escola. Por vezes ainda fica a pensar no café e nas pessoas que vê todos os dias e sente-se feliz por fazer parte da vida daqueles cidadãos. Depois adormece no meio do silêncio apenas interrompido com o som dos grilos ecoando lá fora.
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