O pequeno corcel
Fio de luz
No meio da pradaria apesar
Da sua pequena existência
A cair e a reerguer - se
Por querer dar saltos
Maiores que ele...
Maiores
Que a vida.
II
Mas levantasse sempre
Do tapete de erva verde
E amarela onde costuma
Cravar os cascos com a ousadia de um...
Antigo guerreiro basco.
III
Os tombos e saltos
Do pequeno corcel não são
Vitórias de Pirro… fá-lo crescer e endurecer
Só de pensar que a sua mãe à pouco tempo lhe cortou
O cordão umbilical do seu umbigo.
IV
O pequeno corcel montasse no vento
Relincha e solta a sua crina,
Num subtil ...movimento primevo
Antes de apanhar...
O fio do seu pensamento já coevo
Que lhe dá alento e forças mil como quem escreve
O seu próprio enredo
Quer e parte do meio da erva
E do arvoredo,
Em busca do seu Sol.
V
Os seus coices pelo ar
São um portento de força
E ousadia...
Quer mostrar quem é...
Aos outros habitantes
Da pradaria.
VI
Uns criticam outros aceitam
A sua rebeldia,
Os que aceitam percebem e sabem
Que todas as gerações trazem consigo
O germe da mudança,
E percebem também que o pequeno corcel é ainda uma criança...
VII
È um ser pequeno
Mas que cresce dia a dia sem
Hesitar faz frente
Às constantes mudanças
Do seu mundo,...
Porque já o conhece bem no fundo...
VIII
O pequeno corcel
È da cor Isabel,
O Peito é musculado e forte
O focinho é bem delineado
A crina ao vento
É instável parecem bandos de
Estorninhos a querer voar
Em assimétricos voos
Desenhando, desenhos
Fantásticos no semblante
Do potro, cujos olhos
Meigos e muito castanhos
Passam pelo mundo observando tudo
À sua volta.
IX
O corpo é esbelto
As pernas são grossas mas
Muito bem delineadas
Os cascos parecem ter
No seu interior almofadas.
E quando o pequeno corcel
A trote ou a passo passeia
Parece que flutua
No espaço sem tocar no chão
Qual unicórnio.
X
Será que tem asas?
Ou será que um dia vai ter asas
Para poder descobrir
O seu próprio há-de-vir
O seu destino?
O seu à vontade profundo
A sua confiança
Revela que um dia quer
Conquistar o mundo.
XI
A sua personalidade é forte
Quer conquistar os seus sonhos
Que um dia vislumbrou
Quando Morfeu o visitou e lhe mostrou
Puros sonhos de realização pessoal
Daqueles que nos libertam a alma e nos ensinam a
Que aquele é o nosso caminho
Que nós transformam em nós próprios
E sabemos então que temos de vestir
A farpela que Deus nos deu
E vestir de sonhos
A nossa matéria que é pura
E não efémera.
Se formos connosco verdadeiros
E humildes como o pequeno corcel
Cuja alma é pura como o mais puro pingo de mel.
XII
O pequeno corcel
Quer escrever a sua história
Mas não quer desenhar ao vento
O que já foi escrito e rescrito
Por vezes as pessoas pensam
Que ele é...um bonacheirão maldito.
XIII
Qual Ícaro
Quer voar
Mas não quer cair
Gosta de ver a sua pessoa a evoluir
Sabe que as coisas evoluem
Ao misturar - se o velho com o novo
Mas o novo per si, sem essência, sem conteúdo
E sem a social ciência
É um estorvo à sapiência.
XIV
Dá valor à amizade
Ao observar um pequeno pássaro,
Que voa em grupo para fugir
Aos predadores...o estorninho
Compreendeu... que ninguém vence sozinho.
XV
O pequeno corcel
Tem receios tem medos
Mas gosta de lhes fazer frente com
Fé em Deus,
E coração ao alto...
Qual leão...gosta de andar pelo meio do planalto.
A trote ou a galope
Às vezes pensa que tem azar
Mas também já teve sorte
As pessoas por vezes, lembram - se que já tiveram azar
Mas esquecessem dos momentos
Em que já tiveram... muita sorte
É um equilíbrio justo.
XVI
E os lá de cima
A abusarem do nepotismo, peculato e corrupção
Que nos afunda
Que devora o pais,
Assim não vamos a nenhum lado
Será que vai ser sempre este
O nosso triste fado?
A sua linhagem é forte
Mas ,às vezes, o pequeno corcel pensa
Que vai tudo ficar em escombros
Porque ,por vezes, sente que carrega...
O mundo de Atlas... aos ombros.
XVII
O pequeno potro
Já é um garanhão.
Porque o tempo voa... o tempo passa...
É o líder da manada
Gosta de sentir o cheiro das éguas
E da terra molhada.
O chão treme todo
À sua passagem.
XVIII
Já tentou vários caminhos
Mas volta sempre ao seu,
E sente - se livre como um pássaro e...
Aceita o caminho que Deus lhe deu.
XIX
À noite as sombras perseguem - o
E tentam encurrala- lo qual fossa
Mas já sabe como evitar
O caminho de Canossa.
XX
Aprendeu com o seu avô
Que sempre lhe ensinou
Coragem retidão, valores e ética acima de tudo
Pela sua boca e palavras
Mas também pela sua conduta moral irrepreensível
E assim o pequeno corcel
Vai passando entre as gotas da chuva,
Passando por aquela pequena fresta
Qual açor que com grande agilidade passa
Pelo meio da floresta...
XXI
O garanhão lidera a manada logo
Pela madrugada,
E sem medo de nada
Troteia livre do cabresto
E do stick,
Em busca de si próprio
Em busca do seu Sol.
XXII
Mas para mim será sempre
O pequeno corcel,
Fio de luz no meio
Da pradaria …
Apesar da sua pequena existência
A cair, a reerguer - se
A dar saltos
Maiores que ele...
Maiores que a vida.
A dar saltos
Maiores que ele...
Maiores que a vida.
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