Sai pela porta das traseiras da minha casa
Procurei-me por todo o lado …
Quando estava quase a desistir de cansado
Lá estava a minha pessoa sentado de pensamento
Na mão … meio curvado
A escrever … muito compenetrado seria sobre mim?
Só o saberei quando ler o poema
Que ainda não li…
Mas estaria a escrever sobre o meus
Sonhos adiados? Estão adiados mas não estão esquecidos.
Nos sonhos o que interessa é o processo
Que os vão construindo passo a passo …
Quando finalmente aparecem visíveis
A nossos olhos … à nossa frente … primeiro
Pensamos que estamos a sonhar … depois
Passamos para outro …
E assim vamos vivendo ... construindo
Os nossos sonhos no meio do arvoredo…
A minha pessoa escreve sobre mim
Será que me compreende? Apenas rego
As minhas flores que no fundo são os meus poemas
Que plantei no meu jardim …
E os deuses olham -me sem nada me dizer
Mas talvez falem de mim ao alvorecer
Junto aos corpos nus das suas amantes,
Procuram o cerne de tudo o que é diferente
No meio das flores, urzes e matagais
Porque detestam o tédio,
Dos dias sempre iguais …
Por outro lado tenho de cumprir o meu destino sem o questionar,
Mesmo que lhe quisesse fugir ele ia me buscar …
E assim os dias passam
Mas tento sempre agarra-los,
Só fogem de mim se estiver muito cansado …
Se é este o meu destino …
Farei sempre tudo para que não me passem ao lado …
E assim cada um de nós vai escrevendo a sua historia,
Por entre tempestades, ventos, marés e mar de senhoras.