Um dia especial
Personagens: Hugo, Mestre Pereira, Martins, Lourenço
Numa manhã solarenga três amigos encontram – se
Numa vila pesqueira para um dia de pesca no mar alto.
Reúnem - se num pequeno bar
Para prepararem a pescaria.
«Trouxeram o material todo»
«Claro ò Martins estás a gozar?»
«Já não vínhamos aqui à quanto tempo»
«Não sei Lourenço para ai à vinte anos.»
Naquela vila o casario era na sua maior parte constituído por casas de madeira e só tinham um andar onde vivam algumas pessoas sobretudo idosos.
«Oh Martins já reparaste?»
«Em quê Lourenço?»
«Dantes,... no antigamente quando começamos a vir para aqui à vinte anos.»
«O que é que tem?»
«Quantos bares é que havia aqui?
«Seis, sete .»
«E depois?»
«Agora só à um… oh pá é estranho não achas?»
«Pois já tinha reparado os mais novos vão se embora ficam os mais velhos que vão se reformando e os bares fecham... é a vida.»
«Parece que dantes havia aqui mais pessoas…»
«É como te digo aos mais novos vão se embora emigram o que é que queres fazer?»
«Pois enfim… mas onde é que está o homem?»
«Mas qual homem?»
«O Pereira pá...»
«Lá começa o Hugo e as suas pressas tem calma…»
«Não é isso temos que ir para o barco ou não?»
«Temos vou telefonar ao Pereira ao Mestre Pereira é este o posto dele.»
«Ainda nos consegue levar ao sitio para pescarmos.»
«Consegue claro que consegue.»
«Telefona lá!»
O Lourenço agarrou no seu smartphone topo de gama foi aos contatos e fez a chamada.
«Olá Mestre Pereira está tudo bem? Já aqui estamos prontos para a pescaria. Estamos no bar na vila a beber um copo, diga - nos o nome do barco e nós vamos buscar as canas de pesca e os carretos e vamos ai ter consigo,... o Rei dos mares? Está bem dentro de meia hora estamos ai no cais.»
«Então podemos ir buscar o material e depois seguimos para o cais.»
«Qual é o nome do barco?»
«O Rei dos mares.»
«Grande nome vamos?»
«Vou beber mais uma?»
«A esta hora?»
«Sabes que bem que num barco devemos evitar os três F.»
«Fome, fadiga, frio… queres ensinar a missa ao padre queres ver.»
«Tem calma com isso tu andas a beber muito.»
«É impressão tua.»
«Depois do divórcio ficaste diferente.»
«Não me falas nisso...»
«Está bem pronto.»
Os três amigos beberam mais uma cerveja e depois foram para os carros buscar o material para poderem pescar no mar alto. Dirigiram - se para a marina e entraram no Porto e lá avistaram o "O Rei do mares". Era um barco de pesca dos anos noventa, de 9 metros, motor Renault de 220 cavalos, cor banca com riscas azuis e registado para atividade marítima e turística.
«Oh pá tem um aspeto antigo.»
«Calma Martins é uma maquina do caraças.»
«Deve ser deve...mas isto é seguro oh Lourenço vamos para o mar alto.»
«É seguro estou - te dizer.»
«Está ali o Pereira.»
O Mestre Pereira era um homem de setenta anos, estatura mediana, cabelo grisalho curto, usava óculos de ver ao perto. Era mais de observar do que falar mas quando falava era assertivo.
O Lourenço fez sinal se podiam subir a bordo.
O velho lobo do mar abanou a cabeça que sim.
Os três homens subiram a bordo
«Olá como estão sou o Pereira.»
«Olá Lourenço.»
«Hugo.»
«Martins.»
«Bem vindos estão preparados para a pescaria?»
«Sim estamos.»
«Sim.»
«O preço é aquele que combinamos?.»
«Sim claro.»
«Sempre quem ir ao tal banco onde costumavam pescar?»
«Sim são aquelas coordenadas que lhe enviei por email.»
«Ai à pouco peixe.»
«É um sitio especial para nós. »
«Vocês é que sabem.»
«Bom então vamos zarpar.»
«Vamos a isso.»
«Vamos...»
«Embora...»
O velho lobo do mar deu à chave e ouviu - se os motores a rugir e as hélices a girar. O barco rodou para estibordo em direção ao mar. O navio navegava a uma velocidade de 4 nós deslizando suavemente de um lado para o outro. Durante duas horas aquilo que os três amigos viram foi algumas gaivotas, um bando de golfinhos roazes, a nadarem e a saltarem na proa do velho barco como se tivessem a competir com ele. Ao longe também viram um tubarão martelo reconheceram - o pela sua enorme e fina barbatana dorsal.
Entretanto o comandante parou os motores e lançou a ancora, pelo rádio informou as autoridades da sua posição.
«Estamos no banco…» gritou.
«Ó pessoal chegamos vamos a isto.»
Os três foram buscar o equipamento, montaram as canas e os carretos e lançaram o isco ao mar.
«Podemos muito bem pescar um dourado, um atum, um badejo ou um merlim azul.»
«Um merlim azul é que era.»
«Nunca se sabe Hugo é tudo uma questão de sorte.»
«Já tivemos quase a pescar um merlim azul mas o desgraçado tanto saltou que a linha partiu - se...foi o Martins que o fisgou.»
«Lembro - me disso mas o fisgar não é tudo é preciso coloca - lo dentro do barco isso é que é importante.»
«Estão a falar de mim.»
«Estamos a conversar daquele merlim que deixaste fugir.»
«Não tinha o equipamento correto e tu sabes bem disso e a linha escolhida também não era a melhor.»
«Quando o bailarino não sabe dançar diz que o chão está torto…»
«Tu não sabes o que dizes!»
«Parem lá com isso olha o homem… não pescamos o merlim mas pescamos outros.»
Os três pescadores cada um com o seu boné na cabeça esperaram, esperaram e esperaram que algum peixe mordesse o isco. O barco abanava de um lado para o outro com a ondulação que batia no navio, alguma da água entrava no barco mas era escoada pela bomba do porão. No horizonte só se via a água do mar e o céu azul, uma acessional ave passava por cima da embarcação. Entretanto o calor foi aumentando chegando aos 43.º graus.
«Oh pá ò Hugo já viste o calor que está? Passam só alguns minutos do meio dia e é um calor que não se pode.
«Pois está!»
«É as alterações climáticas…»
«Acreditas nisso Martins.»
«Acredito Hugo claro que sim!»
«Isso é tanga.»
«O Hugo tem juízo está mais do que provado.»
«Não acredito!»
«Está bem tens a tua opinião mas para mim as alterações climáticas é um fenómeno verdadeiro e tem de ser resolvido. Já viste o calor que está!»
«Já vi já mas…é o tempo dele.»
«Ó pá tem juízo está mais do que provado temos de salvar o mundo para o nosso bem e das futuras gerações.»
«É verdade Hugo o mundo está a aquecer está provado, negar isso é a pior coisa que podemos fazer, temos é que o resolver.»
«Desculpa Lourenço mas sou cético a esse respeito não acredito.»
«Pronto está bem é a tua opinião.»
Os três homens continuaram a sua faina o tempo passava e nenhum peixe mordia, começaram a ficar fartos daquela pescaria.
«Cheguem aqui.»
Os três homens homens dirigiram - se para a proa.
«Diz lá Hugo…»
«Mas o que é isto? Nenhum peixe pica não percebo… dantes era peixe por todo o lado e agora nada...será que estamos no sitio certo?»
«Sim já confirmei no GPS do smartphone as coordenadas são estas.»
«Então oh Lourenço onde é está o peixe?»
«Oh pá ò Hugo alterações climáticas já ouviste falar?»
«Mas o que é que isso tem haver?»
«Não sei explicar mas está relacionado.»
«Perguntamos ao Pereira talvez ele saiba.»
«Está bem Martins vamos perguntar.»
Os três dirigiram - se à cabine do barco onde estava o Mestre Pereira sentado a ler um livro e perguntaram - lhe o que se passava com o peixe este levantou - se e poisou o livro numa mesa.
«Meus caros amigos neste banco não existe muito peixe por causa das alterações climáticas que aqueceram a água, grande parte dos peixes não suporta esta tipo de temperaturas e foi para outras paragens, por outro lado, temos também a questão da sobrepesca em que as pessoas pescam todo o pescado que lhe passam pela frente pequenos, grandes e o pescado não consegue recuperar e vai - se extinguindo, e cada vez à menos peixe e isto que neste momento vai acontecendo um pouco por todo o lado, um pouco por todo o mundo.»
Os três amigos voltaram para as canas de pesca, pensando que a pescaria não lhe ia trazer grandes proveitos, e assim aconteceu nenhum peixe picou deixando os companheiros de pescaria desconsolados e já quase ao por do Sol o barco regressou ao porto, com os três amigos estupefatos mas também preocupados nunca tinham visto uma coisa assim nenhum peixe mordeu o anzol era algo inaudito. Pagaram ao comandante do navio e despediram - se deste. Carregaram o equipamento de regresso aos carros.
«Então Hugo já acreditas nas alterações climáticas?»
«Sim Lourenço não sabia que esta questão era assim tão grave fiquei esclarecido e estupefato temos de resolver isto.»
«É realmente uma coisa tremenda não podemos viver sem peixe a humanidade tem de se unir para resolver isto e rápido»
«Tens toda a razão Martins nunca pensei que não conseguíssemos pescar nada, é mau muito mau mas penso porque sou um otimista que tudo isto se vai resolver.»
«Que Deus te oiça Lourenço que Deus te oiça.»
Os três amigos entraram nos carros e voltaram para a sua vida citadina.