segunda-feira, 19 de maio de 2025

Alma gémea

Quando estou contigo 

O tempo torna-se mais lento  

No silêncio …

Da luxúria e do prazer. 

As noites são mais suaves 

Os dias mais felizes e sinto como 

Fizesses parte de mim e algo de ti fica comigo

Mesmo quando não estás.

O teu corpo 

A tua língua 

O teu ser 

Procura-me 

Por entre estruturas de betão 

Pessoas, carros, cafés, risos e conversas

Estarei sempre aqui mas sei que gostas de te ausentar 

Mas depois voltas para me amar. 

És um pássaro difícil de convencer 

A ficar mais que um momento 

Profundo, subtil, mas parco em tempo 

Depois voltas a desaparecer na cidade 

Por entre os teus desígnios, desejos, tormentos 

Fica à espera no meu canto 

Rompendo os dias com os meus objetivos 

Lançando sonhos pelos meus caminhos 

Que conheço tão bem …

Levo-te sempre no pensamento 

Porque a qualquer momento 

Voltamos  a estar juntos 

Num momento só dos dois 

Procuramos o que nos une 

O que nos torna mais fortes 

Construímos pontes, colocamos portas em muros, 

 Saltamos por cima do nosso destino 

Para inventarmos momentos que são só nossos

Completamente fora da nossa rotina 

Inventamos mundos procuramos a essência

Da nossa vida 

Num curto pedaço  de tempo 

Depois lá nos voltamos a separar 

Procurando os caminhos 

Que costumamos ziguezaguear 

Quando não estamos juntos. 

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Aos comandos

 Não queres as vestes de outrem 

 Nem os sapatos …

 Então já te conheces 

 Melhor que ninguém. 

 

 E a vida vai 

 E tu aos comandos 

 Lutando para manter 

 O teu pensamento a superfície …

 E as tuas coisas,

 Arrumadas ao pé de ti 

 Ajudam te a manter a tua alma mater 

  Do teu lado …

  Segregando mensagens de alento 

  Ajudando te a ver o futuro.

   Separando o verdadeiro caminho 

   Das armadilhas, 

   Que nos esperam a cada esquina.

   A anosa barcaça já partiu

   A algum tempo …   

   As velas seguram o vento 

    O leme mantém o rumo 

    A terra lá ao fundo, 

    Desafia - me a ir mais longe 

    Deixar a navegação de cabotagem 

    E iniciar a verdadeira viagem sem muros 

    Precipícios ou hesitações.

    O Adamastor olha-me 

    Os velhos do Restelo 

    Falam o que dizem não sei 

    Pouco importa o que dizem 

     Já deixei o medo 

     No descanso 

     A âncora já a levantei 

     Por aonde vou ainda não sei 

     Vou construindo o meu caminho todos 

      Os dias … é difícil dizer por aonde vou 

      Misturo  o azul do céu com o frio 

      Das noites,  

      O brilho do Sol com o pó das estrelas 

      A profundidade do mar com a subtileza do rio 

       Que trás da montanha … 

       A vontade de queremos subir mais alto. 

       E materializarmos os nossos sonhos em algo concreto.  

        Que possamos agarrar, usar, olhar

         E construir novos sonhos com base no nosso querer e da nossa vontade. 

         Arriscando entrar no mundo que criamos 

         Ficarmos à porta não é solução 

         Que tesouros escondidos poderemos encontrar. 

         Se arriscarmos um salto de fé no nosso querer 

         Será que aquele sonho a tanto aguardado se irá realizar? Penso que sim … o primeiro passo para vencer é acreditar, acreditar sempre.

sábado, 3 de maio de 2025

Os frutos

Os frutos que planto 

No cantinho da minha alma 

Estão aí para quem os quiser saborear 

Não vão para o estômago 

Vão para a alma …

E durante algum tempo ressoam no pensamento 

Como os ventos que nos batem 

No rosto ao entardecer,

E nós dão alento e segurança 

Porque já os conhecemos desde criança…

Semeia o que entenderes 

Porque mais tarde vais colher tudo 

O que plantaste, …ambicionar, querer, lutar 

Faz parte de nós … não sonhar 

É que não nos faz bem de todo.

Os sonhos dão fruto 

O fruto são o eterno em nós 

Não ouves a tua voz 

A pedir que semeias 

Na terra a tua vontade 

E se a deixares fluir 

Já pensaste no que podes conseguir? 

E colher mais à frente? Tudo o que sonhaste 

De um só jato …

Servido no teu prato 

Para saboreares com o olhar 

E fazeres a tua alma rir 

De contentamento, 

Nunca é tarde para começares algo novo.

As melhores coisas são as que só dependem de nós 

Porque não podemos mandar na vontade dos outros 

Só na nossa …

Primeiro amar depois filosofar, 

Amar é um ato de puro altruísmo 

Não queres nada em troca 

Só a balançar de outra alma no 

Mesmo ramo ao pé de nós 

Já faz toda a diferença.

E faz o mundo todo 

Parecer de algodão doce 

E tudo brilha a nossa volta como 

Naquelas manhãs de céu azul 

De suaves brisas  matinais …

E dos sons dos pássaros alimentando-se nos canaviais.

Iluminaste as minhas noites 

Desceste a temperatura 

Daqueles dias mais quentes 

Fizeste companhia ao me ego

Quando tudo era vazio e só a sede 

De conhecimento parecia cuidar de mim …

Colocaste janelas nos meus muros 

Deste-me uma escada para ver mais longe 

E agora consigo observar tudo perfeitamente 

Não sabia que tinha um mundo interior tão grande 

Para descobrir e que estava mesmo na minha frente.



quinta-feira, 1 de maio de 2025

O que te consome

O que te consome é parte de ti 

Por vezes à que fazer orelhas moucas 

Ao que dizem de nós …

Aceitar as coisas como são levar a nossa 

Montanha às costas pé ante pé e lá vamos nós 

Pela nossa existência acima …

Mas por vezes também temos de descansar 

Ao som de uma sinfonia de Mozart

E deixar a alma respirar…

Existem algumas coisas que queremos

Que só vem ter connosco no momento certo 

Por essa razão não vale a pena forçar mas  

Vale a pena esperar … que elas aparecem 

E a vida vai e evolui mais um pouco. 

A nossa montanha pede força, coragem, determinação 

Mas muitas vezes  o que queremos é a contemplação 

Dos nossos feitos já realizados ou apenas relaxar 

Numa esplanada com vista para o mar, 

Onde o azul do céu se confunde com a cor 

Do oceano e já não sabemos onde estamos

Quem somos, para onde vamos …

O que nos consume deixa-nos por momentos 

Livres, soltos,  envoltos, num mundo que não queremos 

Partilhar apenas o queremos desfrutar 

No silêncio Também se aprende 

A contemplar quem somos 

O que podemos fazer melhor

Por  onde sair …por onde entrar?

Para nós voltarmos a encontrar …

 



quarta-feira, 9 de abril de 2025

Universo paralelo

 E a vida vai … para onde nos leva a nossa vontade

 Por passadiços de madeira rodeada de árvores 

 E de cheiros a folhas de eucaliptos e a terra molhada 

 Embalados por suaves brisas matinais …

 Mantemos o tino no nosso destino. 

 O pior é quando as nuvens negras 

 Aparecem sem pedir licença 

 E quando nos apercebemos 

 Para aonde foi o nosso equilíbrio mental?

 E temos de subir o monte porque 

 A nossa  constância foi pela encosta acima 

 E anichou-se no outro lado da nossa alma

 Temos de a conquistar para tudo se acalmar.  

  E não o  conquistamos com falinhas mansas 

  Só com trabalho, empenho, dedicação …

  Quem disse que iam ser  

  Só rosas ir atrás dos nossos sonhos?

  O livre arbítrio,

  Os nossos genes, 

  Algo que lemos que nos influenciou,

   Ou fugimos para aonde o nosso destino 

   Nós encontrou e fomos convidados a florir 

   Para não deixar cair a nossa raison d’etre?

   No vazio e na angústia de não sermos nada 

   Só porque nos recusamos a sair para o mundo 

   E dar um salto profundo … no desconhecido 

   Enquanto construímos o nosso universo paralelo 

   Aonde só entra quem quer, fica quem 

   Se revê no que lê e não quer nada em troca 

   E a vida vai … em busca de algo novo 

   E duradouro…

   E quando avançamos pelo nosso querer como 

   Quem rompe o mar com as anosas barcaças de

   Antanho somos conquistados por aquela suave calma que nos invade e percebemos que a felicidade é o sorriso da alma.

   

    

    

    

    


  

  

 

sexta-feira, 21 de março de 2025

Vontades

Quebro o espaço 

Escrevo em busca de mim 

Vi o meu espírito passar por aqui

Mesmo a bocado…

Queria agarrar o tempo 

E mandar nele …

O que é impossível de facto. 

Então largo as amarras, 

Olho o horizonte mais uma vez 

Sigo para a frente sem olhar

Para trás…

Quero um objetivo 

Ou quero o processo que me fará

Alcançar o meu anseio?

Só não me peçam para 

Do nada tirar tudo 

Porque sem estudos, preparação 

Coragem e vontade não conseguimos 

Alcançar nada, 

É como subir 

Uma estrada sem saída 

E depois para aonde vamos?

O caminho, o desatino, alguns só te querem iludir com

Promessas de ouro fácil, 

Tesouros escondidos para lá do horizonte… 

Querem te levar para sítios sem saída 

E tu resistes e eles puxam- te para te convencer 

Que pertences noutro lugar. 

Mas tu sabes perfeitamente aonde tens de estar 

Para cresceres e concretizares os teus anseios.   

Os cães ladram, o barco abana, a dúvida 

Invade a nossa alma …

Mas la à frente sorris porque concretizaste mais um objetivo, 

Os outros perdem-se porque não sabem o que querem 

Mas isso não te diz respeito. 

O homem olha para o abismo, o abismo olha 

Para o homem, 

E é nesse momento que se vê o seu verdadeiro carácter

Só salta para o desfiladeiro quem quer.  

Sorri em silêncio quando conquistares algo 

A tanto tempo por ti aguardado, 

Porque quebras-te o espaço com o teu querer 

Subiste à superfície para respirar 

Engoliste o ar que dura uma vida 

Pela tua vontade 

E ao sabor do teu mar 

Criaste um Sol só para ti …

E quando conquistares alguma coisa 

Pelo qual tanto lutaste 

Por entre rochedos, mar picado, e ondas gigantes 

Sorri e comemora em silêncio. 

Por essa razão, 

O de já teres conquistados tantos sonhos 

Segue o teu caminho …

E de vez  enquanto vais  conseguir mais um feito 

Para aonde os outros vão não te diz respeito.   

Por mim éramos todos vencedores. 




 




segunda-feira, 3 de março de 2025

Uma borboleta no molhe

Uma borboleta de longas asas e pequenas penas, poisada num molhe ao pé da praia olhava para o mar. Nunca tinha observado tanta água na sua vida e estava maravilhada por aquele espetáculo. Tinha coisas para fazer objetivos e metas por si definidos para concretizar mas não lhe estava a apetecer trabalhar. Foi quando observou um ramo na água poisado, e pensou e se pousa-se no ramo e fosse por ali fora ao encontro do desconhecido, de novas flores, terras, e amores?

Algumas borboletas poisaram no meio da areia num ramo a alguns metros da protagonista da nossa história,  e olharam para ela e abanaram as asas convidando-a a ir para ao pé delas, mas de uma forma inusitada a borboleta decidiu ir em direção ao mar poisando no  ramo que boiava no meio da água, as correntes levaram-a  para longe da praia, a borboleta estava fascinada por tudo o que via e ansiosa por descobrir, novas flores, terras e amores. Foi quando para o seu espanto percebeu que havia um pequeno tubarão azul a nadar ao seu lado. E ia e vinha passando ao lado do ramo onde a borboleta estava poisada.

 O tubarão tentou apanhar a borboleta… com um salto repentino. 

< Que fazes porque estás a tentar apanhar-me?>

< Apanhar-te? Não estás enganada estou só a nadar por aqui quero conhecer melhor estas águas.>

O tubarão voltou a tentar apanhar a borboleta com a sua boca cheia de dentes afiados. 

A borboleta levantou voou ficando a pairar a poucos metros do ramo onde estava poisada. 

<Voltaste a tentar apanhar-me porque?>

<És assim tão ingénua? Está na minha natureza tenho de caçar para sobreviver. Mas a ti nunca te faria mal porque já me afeiçoei à tua beleza e simplicidade.

A borboleta achou que o tubarão falava a verdade e desceu um pouco no espaço, triste por ter duvidado do tubarão, sem se aperceber ficou a mercê do tubarão que num salto apanhou a borboleta. 

A borboleta aflita dentro da boca do tubarão sabia que a única hipótese que tinha era esperar que o tubarão abrisse a boca por, um momento e a partir daí fugir. O que de facto aconteceu o tubarão abriu a boca enquanto saltava para fora da água a perseguir um peixe e a borboleta num esforço tremendo consegui voar para  fora da boca do tubarão.

A protagonista da nossa história já muito cansada,  pediu ajuda ao Deus das borboletas via a praia lá ao fundo e já não tinha forças para continuar pensou que ia desmaiar,  ficando a mercê das águas e do tubarão. Subitamente levantou-se um vento por detrás da borboleta que a poisou levemente na areia. 

A borboleta atordoada e extenuada descansou um pouco e pensou que nunca mais confiava seja em quem for, a sua ingenuidade podia lhe ter custada a vida. Por outro lado, tinha de cumprir os seus objetivos e metas por si definidas isso era o mais importante.

Foi aí que se lembrou das borboletas que tinha visto poisadas num ramo a convida-la para ir ter com elas e sorriu, mas para seu espanto já não estavam lá tinham partido para parte incerta.

Moral da história 

Não andes por aí sem objetivos e metas.

Não confies em ninguém. 

A ingenuidade tem limites.

Quando encontrares alguém que gosta de ti não hesites em procurar essa pessoa, porque isso acontece muito raramente. Essa pessoa não vai esperar por ti muito tempo se não agires prontamente. 



Tento

Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...