quarta-feira, 18 de maio de 2022

Fabula da águia no quintal

Numa casa de caçadores num quintal uma enorme águia real tenta aquilo que parecia arrancar o chão

Estava a arriscar a sua vida exposta a vários perigos

Esgravata o chão aflita.   

As suas enormes asas de um lado para o outro não passaram 

Despercebidos aos vizinhos 

O povo reuni - se o que se passava ali?

Os caçadores queriam abate - la, as mães opunham - se porque sabiam 

Que a águia tinha um ninho fora da cidade com uma cria para alimentar

O povo no geral absteve - se ficaram as mães e os caçadores a discutirem entre eles 

O comportamento do animal era estranho...parecia aflita de um lado para o outro a esgravatar o solo.

Chamaram o homem mais velho da cidade 

Para que este dê -  se a sua opinião. 

O idoso apareceu andando  muito devagar apoiado numa bengala.

Pediu uma cadeira...

Sentou - se em frente ao quintal e observou a águia. 

Esteve ali a observar algum tempo o magnifico animal.

O velho sábio pôs de pé e dirigiu - se à multidão.

«Primeiro boa tarde a todos.»

«Boa tarde.» Respondeu o povo.

«A águia está um pouco magra, procura comida neste quintal.»

«O quê? O velhote não está bom.»

«Estou bom sim senhor e sei mais a dormir do que vocês acordado.»

«Hum será?» Exclamaram alguns.

«No quintal está um alçapão o que esconde o alçapão.»

«Bom debaixo do alçapão está uma arrecadação.»

«O que está na arrecadação?»

«Bom um fumeiro com os chouriços e uns presuntos e ...»

«A águia tem fome os caçadores mataram os coelhos quase todos e o animal não tem comida para dar à cria e está aflita a águia quer apenas comida para dar ao seu filhote.»

«Oh... vamos dar de comer à águia e tudo se vai resolver.»

«Isso não resolve a questão de fundo, também, se faz favor, vamos a respeitar a natureza senão qualquer dia já não temos mais animais para admirar e colocamos a vida da humanidade em risco. Exclamou o velhote.

«Sim vamos tentar.»

«Não é só tentar é respeitar a natureza a todo o custo.»

«Está bem!»


A águia foi alimentada e regressou ao seu ninho.


Por vezes comportamentos muito estranhos escondem verdadeiros atos de amor. Não julgues ninguém sem conhecer o que está por detrás de determinados comportamentos.   



 

segunda-feira, 9 de maio de 2022

A árvore do mel

Existe uma árvore

Que jorra leite e mel 

Aonde? Em Israel 

Aonde o mar só deixa passar 

Os puros de coração...

E o mal queixa - se de não conseguir entrar 

Numa das doze portas da casa de Deus 

Porque a casa do senhor tem doze portas.

Existe uma árvore 

Que jorra leite e mel 

Aonde? Em Israel 

As tuas agruras o teu cansaço 

Por acreditares em ti 

Vai compensar teres entrado num mundo 

Que só alguns conseguem compreender 

Mas que muitos conseguem ler.

Existe uma árvore 

Que jorra leite e mel 

Aonde? Em Israel 

Vês o verde do campo? 

A cor das flores?

O céu azul depois da tormenta?

O sorriso de uma criança?...tudo tão doce tudo tão belo...

Mas para mim a melhor coisa 

Que deveria nascer no coração dos homens 

Que superava tudo…

Era se houvesse paz no mundo.

Um mundo só de coisas boas sem bombas, sem dor, sem lágrimas…

Existe uma árvore 

Que jorra leite e mel 

Aonde? Em Israel 

Uma arvore modesta 

Num chão encantado 

Aonde todos os problemas 

São transformados 

Em pétalas de rosa 

E voam para longe…longe de ti perto do teu coração.

 




sábado, 23 de abril de 2022

A fabula da fada do mel

Uma ave no poleiro 

Um melro um macho de penas pretas 

Bico amarelo, e peito grande.

Desceu do poleiro procurou  

Comida na relva fresca logo pela madrugada

Na terra molhada procurou

E comeu minhocas e insetos, regressou ao poleiro

Observou o horizonte tão belo

As nuvens deixavam o Sol iluminar 

O vale …era ali que resolveu erguer o seu castelo.

E  por ali ficou…

Mas a pequena ave percebeu que lhe falava algo 

Nas conversas que tinha tido com os seus pais 

Antes de sair do ninho recordou os diálogos 

Sobre a vida o conhecimento 

A filosofia, não a de alcova 

Mas da antiga de Sócrates e Sófocles. 

E percebeu que lhe faltava alguma coisa… 

Mas o quê? Depois percebeu, 

Precisava de alimento para a alma 

Ali naquela tarde calma

Decidiu procurar 

O animal mais sábio do bosque… o Mocho

Queria pedir - lhe conselhos,

Quando tinha dúvidas  pedia sempre ajuda 

Aos mais velhos, 

Para não repetir erros antigos, má fortuna , 

Equívocos dolorosos, sinas tristes mas evitais 

Observou o céu à procura de aves de rapina

Suas inimigas, sim os inimigos espreitam 

Qual rapaces...procurando falhas no comportamento

Para depois as soltar ao vento...como não viu nenhuma

Num bater de asas entrou  

No bosque estava escuro,  o vento empurrava - o para o poleiro não quis saber 

E fintando as arvores o vento e alguns medos,  viu lá em cima numa arvore num buraco um mocho 

A espreitar, poisou num ramo a seu lado.

O símbolo da sabedoria olhava - o com os seus grandes olhos

«Olá» exclamou. 

«Benvindo o que posso fazer por ti?»

«Sinto que me falta algo estou entediado»

«Vai passear pelo bosque»

«Pelo bosque? Tenho receio»

«Mas porquê?»

«E muito escuro o Açor pode estar por lá»

«Não está podes ir !»

«Preciso de alimento para a alma»

«Enfrenta os teus medos!»

«Não sei»

«Isso vai te libertar para um novo mundo»

«Aonde é esse mundo»

«Um mundo onde jorra leite e mel»

«Não conheço»

«Passas a conhecer e ficarás mais forte»

«Hum...»

«Liberta a tua voz interior»

«Para isso tenho de enfrentar os meu medos?»

«Sim e tens de acreditar em ti»

O melro olhou o bosque e pareceu - lhe tudo 

Muito negro e muito escuro 

Ficava sempre na orla do bosque 

Para evitar os predadores

Mas se o açor não vivia ali decidiu 

Que podia enfrentar os seus medos 

«Está bem vou passear pelo bosque»

«Não tenhas medo e assim entrarás num mundo melhor»

«Está bem!»

O melro entrou no bosque saltitando de ramo em ramo 

Um pouco nervoso a olhar para todos os lados 

Quando sentiu confiança com um bater de asas forte e decidido voou

Pelo bosque admirando as enormes arvores a urze e as flores 

Poisou num pequeno e enquanto alisava as penas  reparou 

Numa enorme ave que olhava para ele de olhos vermelhos e peito branco.

O melro deu um enorme grito e fugiu para a orla da floresta 

Poisou ao lado do ramo onde estava o mocho.

«Mas disseste que não estava neste bosque mas está»

«Não está é tudo imaginação tua.»

«O quê??»

«Vai lá outra vez enfrenta o teu medo ficarás mais forte.»

O melro ficou um pouco aflito mas resolveu confiar no mocho  

Entrou no bosque e poisou no ramo em frente à árvore onde tinha visto o açor.

Olhou fixamente para o ramos altos dessa árvore

E aos poucos foi reconhecendo os contornos do Açor.

«Mas ele está ali...está ali...» 

«Espera!»

«Mas quem és tu»

«Uma fada a fada do mel»

«Mas és muito pequena»

«Sim e consigo voar.»

«Está ali um Açor e ...»

«Não não está olha para lá»

«O melro olhou para os ramos altos.»

«Ele estava ali...»

«Não era imaginação tua...sempre que precisares de mim chama - me.»

«Mas não sei o teu nome.»

«Sou a fada do mel...quando precisares de mim canta.»

«Mas não sei cantar.»

«Sabes e tens um canto muito bonito.»

«Tenta lá...»

O melro aos poucos foi tentando cantar e em em pouco tempo estava a entoar um belo canto.

«Oh não sabia que podia cantar tão bem»

«Por vezes conseguimos fazer coisas que não imaginávamos ser possível»

«Tens razão fada do mel!»

«Era o alimento para a alma que andava à procura obrigado!»

«De nada sempre que precisares de mim chama - me é só cantares que venho logo para ao pé de ti para te ajudar no que for preciso.»

«Obrigado fada.»

A fada do mel acenou com a cabeça e voou para dentro do bosque.

O melro saiu do bosque e regressou ao sitio onde estava que lhe permitia ver o vale.

E ao ouvir o canto dos outros pássaros percebeu que estava a chamar a fada do mel para esta os ajudar a enfrentar os seus medos.    

  





 


sábado, 16 de abril de 2022

Pontes olímpicas

 Os deuses escreveram 

 A tua historia embalaram - te nas suas roupas 

 Puseram - te no seu regaço,

 E ensinaram-te a voar…

 E tu hesitante e a medo 

 Pegaste nas tuas palavras 

 E escreveste a tua historia 

 No papel,…

 Que é sempre pequeno 

 Para tanto que tens para contar.

 Queres dar o salto do tigre 

 E agarrares algo original, intemporal, magnífico 

 Qual Corpus hermeticus?

 Ou tão leve como a lírica camoniana 

 E no entanto tão musical é única?

 A tua Taprobana ainda não está 

 No teu horizonte falta-te a sabedoria 

 Dos  clássicos antigos,

 Mas é difícil por pontes em precipícios 

 Colocar luzes na escuridão 

 Pintar de  azul o céu cinzento

 Colocar flores que peguem em terra ressequida

 Por um navio que adorna  

 No rumo certo….

 Mas fica a promessa de tentar 

 Construir um castelo de palavras com muralhas 

 Ponte levadiça, torres e tudo e tudo e tudo…

 Mesmo no teu quintal 

 Onde pintas os teus sonhos com a cor do mar

 O verde amarelo do campo 

 E com as memórias de uma juventude 

 Que queres retirar dos escombros do teu ser 

 Para que estas continuem a viver

 O teu exército de palavras não te deixará cair.

 Nem agora nem no futuro que há de vir.

  

     

     

 

  

   


  


 

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Amarelo e verde

Onde o amarelo toca o verde 

É onde gostaria de estar 

Lá em cima o céu azul 

A espreitar...as nuvens deslizam sobre o meu olhar... 

Para onde vão...não sei 

E tu a recitar os teus poemas

No teu quintal

A natureza em uníssono

Fez silêncio para te ouvir

Existe música nas tuas palavras  

Os deuses pediram - me para esperar

O teu amor não foge disseram 

E tu partiste...agora reclamo e eles riem - se...  

Encontraste o amor,

Algures no tempo e espaço...

Fiquei a refletir,

Sobre o que aconteceu  

Foram as linhas que o destino teceu

Dirão alguns,  

Ou o tempo não espera por ninguém 

Dirão outros... 

O amor não aconteceu...

Arrumem - se os pensamentos 

Toquem os tambores da alma 

Relativize tudo o que deveria ser mas não foi   

O coração reclama por outras vitórias 

Os deuses enganam os homens 

E riem - se...

Mas os homens também são deuses à sua maneira 

Porque acreditam que podem mudar

O universo 

E todas as leis,

Que o regem.

 que pesa nos ombros hoje... amanhã 

É areia fina que o vento leva para longe. 



P.S - Quando nasci não foi esta a carta de intenções que me entregaram era tudo muito mais fácil fui traído pelos acontecimentos 



 





 

quinta-feira, 24 de março de 2022

suave

 À música nos teus poemas 

 As tuas palavras querem te conhecer 

 Para te fazer crescer como poetisa 

 E dar - te novas asas

 A chuva bate na tua janela interior? 

 Não a deixes entrar …

 Observa que o Sol espreita por entre 

 As nuvens e em breve o céu estará azul 

 Envolto numa suave brisa matinal.  

 A verdura ainda mais verde do campo 

 Vai iluminar a tua alma 

 E o teu sorriso voltará 

 Para o teu rosto como um pássaro 

 Que regressa da sua viagem ao calor 

 E descobre o seu ninho meio escondido… entre as flores.


 

   

terça-feira, 8 de março de 2022

Sonhos caídos

 Sonhos caídos a olharem 

 Para mim pela janela…

 Mas já não estou aqui 

 Porquê?

 Quiz voar mais alto e voei

 À porta de mim mesmo não fiquei

 Só me falta algo mais 

 Talvez um sonho por concretizar  

 Mas ainda não sei o que é…

 Só sei que andar no cimo da montanha cansa 

 Por outro lado descer é cair 

 Num lugar onde a vista não alcança 

 E se desesperança cai em cima de nós  

 Fica tudo em cacos,…

 E depois dificilmente voltamos a ser 

 O que  éramos…o que fazer?

 Domar o gentil cavalo selvagem 

 Que a vida é.

Tento

Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...