terça-feira, 26 de março de 2024

Na estação

 Gostava de passear 

 Entre os plátanos bestiais numa noite de luar 

 Respirar dentro de água …

 À procura do meu ser cristalino e puro.

 E assim ir esculpindo o meu ser 

 Na pedra lascada …

 Enquanto respiro em uníssono com a multidão já cansada de tantas promessas, que nos vão mudar a sorte  

 Porque os búzios desta vez caíram virados para norte … vai haver, paz,  pão, habitação para todos … mas é tudo em vão não vai dar para tanto, é a miséria de sempre …

 Empurro o meu elefante pelas escadas acima porque não?

  Queres sair e entrar suavemente num local desconhecido de ar puro e cristalino onde as estrelas brilham e o mar está calmo.

  Aonde habita um ser 

  Que não conheces mas és tu  

  Mas com outro destino menos introspectivo e mais user frendly…

  Mas que o destino te impede de alcançar? Sim!

  Porque não mudar a sina? Como quem veste roupa nova,

  Só para ir passear … ao domingo pela praia sem grilhetas nos pés nem na alma … junto a ti.

  Não vês que esse comboio 

  Já partiu à muito tempo …

  Talvez dê a volta … e regresse 

  Para me levar … ainda o ouço apitar lá ao fundo …

  Estou naquela estação dos azulejos azuis e brancos  junto ao mar.

  Não vês que esse comboio 

  Já partiu à muito tempo …

  Talvez dê a volta … e regresse 

  Para me levar …


    

   

sexta-feira, 22 de março de 2024

O que fazer?

 Beijei - te o rosto 

 E tu beijas-te me a alma ....

 O que fazer enquanto não dislumbro 

 O teu jeito de amar?

Para aonde ir?

 Somos o sonho de alguém 

 Que se quer materializar …

 No tempo e no espaço.

 Mas por aonde fugir quando …

 O sonho sonhado aparece acordado 

 À nossa frente mas nós só queremos 

 Dormir um pouco … esquecer um pouco …beber um pouco …

 Silenciar um grito rouco que nos pede para acordar e jogar o jogo mesmo que seja num longo despertar.

 Mas se as paredes parecem desmoronar

 Como segurar “a vontade” de ir por aí e sonhar à nossa maneira se só se vê cinzento e preto… 

 E nós queremos sempre azul e banco, e uma esplanada 

 Aonde pensar em nada já é muito bom …

 Mas se calhar tem de haver cinzento e preto para

 conseguirmos apreciar outras cores … outro estado de espírito …

 Será que temos de ser infelizes de vez enquanto para conseguirmos apreciar a felicidade? E um pouco ingénuos para percebermos o que é a realidade?

 Depois de uma boa dose de pensamentos menos positivos, lavamos o rosto e secamos a alma que fica pronta para lutar pelo nosso querer. 

E lá vem a catarse … uma montanha de fogo e de picos que é preciso subir do outro lado, do vale existe paz, serenidade e tranquilidade …

 E muito alimento para a alma.

 Mas enquanto não chegamos a esse vale …

 Para aonde vamos? 

Tento

Tento Tento escrever dias, noites e silêncios Procuro em mim algo que esclareça Quem sou … As flores do meu jardim Olham-me esperando algo n...